Cantora americana faturou US$ 75 mil num ano graças a lives no Facebook
Inspiração

Cantora americana faturou US$ 75 mil num ano graças a lives no Facebook

Dawn Beyer se criou na Broadway. Mas não vale confundir com o famoso distrito de teatros de Nova York. A Broadway de Dawn fica em Nashville, no Tennessee, cidade conhecida por ser o berço da música country americana. Foi lá que a cantora texana, hoje com 31 anos, fez seus primeiros shows como profissional, numa carreira que começou aos 9, quando compôs seus primeiros versos, e ganhou força aos 16, quando se mudou para lá. Para se sustentar, cantava por quatro horas todos os dias, em várias casas da região, onde ganhava de US$ 40 a US$ 60, afinal, a concorrência era grande. Até que, em 2016, se recuperando de um problema de saúde que a impediu de cantar por um mês, ela resolveu testar a própria voz e também uma ferramenta que o Facebook tinha acabado de implementar: os vídeos ao vivo - mais conhecidos como “lives”. Foi aí que sua carreira deu uma guinada: hoje ela fatura mais de US$ 75 mil por ano (cerca de US$ 6,3 mil por mês) graças às lives e aos shows que faz para o público que conquistou online.

“Antes disso, eu mal conseguia pagar o meu aluguel, cheguei a acampar por um mês, logo que cheguei a Nashville, porque não tinha dinheiro para uma casa de verdade. Até que um dia vi esse botão do ‘ao vivo’ no Facebook e pensei: ‘bem, se eu toco por gorjetas nos bares, vou fazer isso na internet também’. Comecei a passar o chapéu online com um link para o PayPal. Dizia para meu pequeno público que estava dura, que queria parar de tocar na Broadway e que continuaria fazendo lives enquanto tivesse gente para assistir”, diz ela, em entrevista ao Reverb.

MAIS DE 10 MIL ESPECTADORES POR LIVE

Já totalmente recuperada, ela passou a se apresentar com frequência em sua fanpage, atraindo fãs das mais diversas partes dos Estados Unidos, com quem criou uma conexão fortíssima. Hoje em dia, atrai uma média de 10 mil pessoas a cada show online — muito mais gente que os bares de Nashville podem abrigar.

As pessoas falam ‘você é boa! Espero que você consiga estourar algum dia! Como você não está na rádio? Você deveria ser cantora!’. Acontece que eu sou cantora. Só que existe a percepção de que se você não é uma popstar, você não é bem sucedida. E eu sou muito feliz, porque eu faço exatamente o que eu quero fazer

“Não fazia ideia de que poderia ganhar tanto dinheiro com isso. No começo, eram apenas dez, 15, 20 pessoas assistindo às minhas lives. Só que eu tocava no turno da manhã na Broadway, o que significa que nunca tinha ninguém para me ver por lá. Por isso mesmo, o fato ter gente me vendo enquanto eu estava sentada na sala da minha casa, sem ter que ir a lugar nenhum, sem gastar gasolina, era maravilhoso”, conta ela, com toda a sinceridade do mundo.

Além das gorjetas, Dawn vende camisetas e discos, produzidos artesanalmente, e ainda agenda shows particulares para seus seguidores, em eventos como casamentos e aniversários. A cantora aproveitou seu prestígio recém-adquirido para criar uma rede de músicos que seguiram seus passos, batizada de "The Real Nashville". A ideia é que, juntos, Dawn e seus amigos possam fechar casas de shows por todo o país, conhecendo pessoalmente os fãs que angariaram online.

“As pessoas falam ‘você é boa! Espero que você consiga estourar algum dia! Como você não está na rádio? Você deveria ser cantora!’. Acontece que eu sou cantora. Só que existe a percepção de que se você não é uma popstar, você não é bem sucedida. E eu sou muito feliz, porque eu faço exatamente o que eu quero fazer. Não estou seguindo o sonho de ninguém, o sonho que me venderam. Estou vivendo o meu sonho”.


A cantora americana Dawn Beyer, que fatura US$ 75 mil por ano com lives no Facebook / Divulgação
A cantora americana Dawn Beyer, que fatura US$ 75 mil por ano com lives no Facebook / Divulgação

MODELO NÃO SERVE PARA TODOS OS MÚSICOS

Por isso mesmo, Dawn pondera que o modelo não serve para todo e qualquer músico:“Viajo muito para tocar para o público que fiz online, e acho que essa é melhor maneira de viver disso. Claro que se você quiser tocar nas rádios e encher estádios, você precisa procurar outro meio de divulgar sua música, mas eu sempre quis ser independente, é o que faz mais sentido para mim: ninguém me diz o que fazer, como cantar, o que cantar, o que vestir”, diz ela, trajando o confortável combo de boné e moletom.

"A desvantagem é que, como eu estou no controle do meu próprio negócio, eu cuido de tudo sozinha, vivo muito ocupada, sou obrigada a entender melhor sobre a indústria musical, e músicos geralmente odeiam isso".Para ela, que oferece orientação para músicos iniciantes, o segredo é tratar os fãs como pessoas, e não como números.“Você precisa se conectar pessoalmente com as pessoas que estão te assistindo. Ser você mesmo, ser honesto e ser aberto. As pessoas gostam de coisas verdadeiras”, ensina. "Sou muito grata por tudo isso que aconteceu”, finaliza.

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