Cantora brasileira que encantou Madonna, Ive Greice revira raízes e saudades em novo álbum
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Cantora brasileira que encantou Madonna, Ive Greice revira raízes e saudades em novo álbum

A família de Ive Greice sempre teve músicos. Do avô ao pai, passando pelos tios. Por conta disso, ela não se lembra de um primeiro momento em que a arte melódica tenha lhe chegado aos ouvidos. A música sempre esteve ali, no lar onde ela cresceu, em Brasília. “Mas eu me lembro da primeira emoção marcante que a música me trouxe. Meu pai foi a um show do Milton Nascimento e, ao voltar para casa, colocou o disco dele para tocar. Eu ouvi ‘Travessia’ e não sabia o que aquilo significava, mas me emocionei muito. A música me tocou”, conta a cantora, que há dois anos se divide entre Brasil e Portugal. Ela acaba de lançar “É Tanta Saudade”, versão que fez para “Petit Pays”, música da rainha da morna, a cantora cabo verdiana Cesária Évora. A faixa tem uma simbologia importante para Ive. Foi, de certa forma, graças a ela que a brasiliense viveu o momento mais marcante de sua carreira: foi convidada por Madonna para cantar em uma festa de réveillon em Nova York.

Foi por meio da empresária Victoria Fernandez que a voz de Ive chegou aos ouvidos da rainha do pop. Ive havia se apresentado em uma casa de shows em que a colombiana amiga de Madge estava. Ali, as duas trocaram contatos e, depois de um outro show em Lisboa, Victoria convidou Ive para ir a um jantar que ela daria para Madonna. "A Victoria pediu que eu fosse com outros amigos músicos. Eu acabei tendo que voltar para o Brasil e não consegui ir, mas meus amigos foram e a Madonna adorou eles. Quando voltei, o Dino (um dos amigos músicos) já era amigo dela."

Ive Greice conheceu Madonna em Lisboa e cantou na festa de réveillon da cantora americana / Foto: J. Vitorino / Divulgação
Ive Greice conheceu Madonna em Lisboa e cantou na festa de réveillon da cantora americana / Foto: J. Vitorino / Divulgação

Partiu de Dino o convite para Madonna ir a uma casa de fado tradicional portuguesa. Dessa vez, Ive conseguiu ir. "Tinha uma mesa enorme. Eu sentei em uma ponta e ela na outra. Trouxeram o violão para a nossa mesa e eu toquei duas músicas, ela filmou tudo. No final, se levantou e me deu um sorriso muito simpático e eu acenei. No dia seguinte ela postou aqueles vídeos e aí foi uma confusão, todo mundo me mandando mensagem", se diverte, ao relembrar.

A produção mandou as passagens e ela se preocupou com cada detalhe. Cuidou do meu figurino, dos maquiadores, foi uma coisa impressionante ver como ela é generosa. Ali eu vi uma Madonna mãe de família mesmo, dona de casa e produtora

Logo depois, veio o convite para tocar na festa de revéillon da cantora. Era a virada de 2017 para 2018. Ive topou, claro. E a viagem até lá foi um sonho. "Foi tapete vermelho. A produção mandou as passagens e ela se preocupou com cada detalhe. Cuidou do meu figurino, dos maquiadores, foi uma coisa impressionante ver como ela é generosa. Ali eu vi uma Madonna mãe de família mesmo, dona de casa e produtora."

O encontro com Madonna foi apenas uma das boas coisas que Lisboa trouxe para a vida de Ive. Segundo a cantora brasiliense, a cidade vive uma explosão cultural como poucas cenas ao redor do mundo. "A cidade está em um momento energético incrível. Aqui você encontra tudo e todo mundo. Eu tenho bebido de muitas fontes diferentes aqui", diz.

Antes de viajar para Portugal, Ive morava no Rio. Quando cruzou o Atlântico, ela buscava um novo fôlego na carreira, que encontrou em terras lusitanas, mas de uma forma um tanto quanto paradoxal. Seu próximo álbum — ainda sem nome e produzido por Liminha, Nelson Motta e Yuri Queiroga — será também um resgate de ritmos mais regionais do Brasil. "É Tanta Saudade", apesar de ser uma coladeira cabo verdiana, tem o tempero do samba de roda brasileiro.

"Eu nunca visitei essa seara, mas quando você sai do Brasil, você tem esse reencontro com as raízes. Eu já vinha fazendo esse caminho de volta para casa, de explorar ritmos genuinamente brasileiros. Quando eu vim para cá essa mistura pareceu muito natural." A versão de “Petit Pays” é a primeira de três faixas que a cantora vai lançar nos próximos meses, em Portugal e no Brasil. “Viagem ao Brasil” e “Filhos do Amor” completam a tríade.

Ive enxerga nesse trabalho seu projeto mais atrelado à ancestralidade. Ela sente que, ao falar de suas origens e exaltar a música negra, ecoa também uma voz de resistência. "Você imagina o que seria de Portugal do Brasil e do mundo sem os pretos, sem essa música, sem os índios e essa influência toda. A gente tem que buscar isso mesmo, valorizar e homenagear. Quem não preserva a identidade não tem história.”

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