Cantora e servidora pública: a vida dupla de Lili Buarque
Especial

Cantora e servidora pública: a vida dupla de Lili Buarque

Publicidade

Pesquise por Lili Buarque aí no Google. Você vai topar com uma cantora profissional, com disco lançado, single novo na área, clipe. Mas a vida da alagoana não é só pandeiro, violão, estrada, shows, viagens.  Dá pra imaginar que ela acorda todo dia sempre quase na hora de ir trabalhar das 11h às 18h em um cartório eleitoral na Grande São Paulo? Sim, bacharel em direito, Lili é servidora pública do Tribunal Regional Eleitoral e divide a função com sua carreira de cantora e também de produtora cultural. 

METAAAL: Vocalista do Kamelot conta como concilia as funções de rockstar e bombeiro

ENTRE GUITARRAS E BISTURIS: Erasmo Barros Júnior é neurocirurgião e músico 

O que veio primeiro na vida de Lili foi a música, muito antes de ela entender qualquer coisa sobre leis e eleições. “Ganhei meu primeiro violão aos 10 anos e de lá pra cá a música e eu viramos melhores amigas”, diz Lili, em entrevista ao Reverb.  O começo foi tímido. Ela fazia aulas de violão e queria ser o Kurt Cobain, porém não gostava de cantar. Vestida de preto, cabelo na cara, levava o violão para a escola e só tocava. “A típica adolescente roqueirinha”, conta a cantora que depois ia aprender a gostar também de choro e samba por influência do pai.

A timidez de Lili era tamanha que o Direito chegou na vida dela antes de começar a soltar a voz por aí. Em 2005, com 17 anos, ela foi estudar  na Universidade Federal de Alagoas. “Veio como uma sugestão da minha mãe, estava meio em dúvida  sobre o que fazer no vestibular e ela me convenceu de que o direito seria uma boa aposta”. Apesar da sugestão materna pelo curso, a vontade de ter uma formação mais tradicional veio da própria Lili, “uma pressão interna”, em sua palavras. Ao mesmo tempo, ela admite que nunca ouviu dos pais que poderia largar tudo para ser cantora. “Nunca cogitei largar tudo e tentar viver só de música porque nunca tive uma condição familiar que desse suporte para que eu me aventurasse dessa maneira”.

Mas existiu um breve momento em que a cantora pensou nessa possibilidade. Ela trancou a faculdade e, quando voltou para o Brasil aos 19 anos, após um intercâmbio nos Estados Unidos, decidiu que finalmente ia perder a timidez de cantar em público. Logo começou a se apresentar profissionalmente ao lado do colega de composições Paulo Franco, da banda alagoana Gato Negro, criou sua própria banda, a Casa de Noz, e foi se apresentar em bares, festas, casas de shows, casamentos, entre outros lugares. Seria a hora de investir só nisso? Ela não demorou para perceber que seria melhor viabilizar uma carreira musical junto com o trabalho na área do direito.  

O primeiro disco, lançado em 2015, só foi possível graças ao trabalho como assessora de juiz e desembargador em Alagoas. “Em 2016 fui nomeada no Tribunal Regional Eleitoral aqui de São Paulo e, assim que cheguei, com a nova condição de vida, comecei a me dedicar ainda mais à música. Passei a fazer aulas de piano, canto, teoria musical e rítmica, e, no início desse ano, dei início a pré-produção do meu segundo álbum. Tudo isso financiado pelo Direito”. 

Sem dúvida nenhuma eu abandonaria o trabalho por uma boa oportunidade na música. Mas teria que ser uma super mega ultra oportunidade. Estudei por três anos e fiz provas no Brasil inteiro para passar nesse concurso, não largaria fácil

A vida dupla não é moleza, lógico. Além da rotina pesada, Lili precisa exercer todo o senso de responsabilidade que afiou ao longo da vida. O primeiro trabalho dela foi aos 15 anos em uma loja de shopping em Maceió, também trabalhou na padaria do pai, distribuindo filipetas em bares e fazendo ações de marketing promocional. Além disso, ela acumulou a experiência de produtora cultural. “Eu sempre geri minha carreira e me chateava pela pouca oportunidade para a música autoral independente de Alagoas. Resolvi criar uma pequena produtora e trabalhar com esses artistas, criando oportunidades, organizando eventos, shows e também inscrevendo em editais. Hoje eu tenho um festival em Alagoas, o Carambola, e também trabalho na produção de alguns artistas, como o cantor e compositor Wado”. E tem mais: Lili participa de um coletivo musical de mulheres chamado As Mina Tudo e junto com algumas delas produz uma websérie.

O sucesso para manter tudo em equilíbrio passa por um forte vício em planilhas e uma gestão metódica que administra os investimentos na música e também no Direito. Por mais que esteja estável no Tribunal, Lili não gasta tudo em música - ela está terminando uma pós-graduação em Direito Eleitoral, por exemplo. “Eu definitivamente não sei aproveitar tempo ocioso, então quando tenho pouco tempo é que as coisas verdadeiramente fluem pra mim. Gosto de ter esse outro lado, de viver vidas completamente diferentes”.

E será que ela abandonaria o trabalho formal por uma boa oportunidade na música? E o contrário? Diante da pergunta inevitável, Lili é sincera. 

“Sem dúvida nenhuma eu abandonaria o TRE por uma boa oportunidade na música. Mas teria que ser uma super mega ultra oportunidade. Estudei por três anos e fiz provas no Brasil inteiro para conseguir esse concurso, não largaria fácil. Mas, por sonhos, a gente arrisca quase tudo, não é? Por isso, largar a música pelo trabalho formal nunca foi uma opção. Eu pensei muito em fazer concurso público para magistratura e promotoria. Mas ser juíza ou promotora limitaria meu tempo e empenho à música e, por isso, preferi um concurso que me exigisse menos dedicação, para sobrar mais tempo pra música. E mesmo que eu quisesse, a música não me largaria”. 

Publicidade

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest