Celebrada por Madonna e Maluma, noite de Medellín, na Colômbia, brilha sem clichês da era 'Narcos'
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Celebrada por Madonna e Maluma, noite de Medellín, na Colômbia, brilha sem clichês da era 'Narcos'

Julianna Cuervo é uma DJ, produtora cultural e ativista de Medellín, na Colômbia, que se recorda vividamente como a segunda maior cidade do país deu um salto de transformação de 2002 para cá."Morava num bairro que fazia fronteira com a Comuna 13 (considerada uma das áreas mais violentas) e lembro do barulho dos helicópteros chegando e atirando em direção a um morro cheio de casas", disse ela em entrevista para o site "Mixmag".

Hoje, Medellín não vive a mesma realidade violenta, refém do narcotráfico ostensivo. Mais calma, Medellín ganhou a fama de incubadora de uma efervescente cena de música eletrônica, além de inspirar o pop de Maluma gravado por Madonna com participação do astro local em uma faixa batizada com o nome da cidade, sem causar constrangimentos ou piadinhas — bem, piadinhas houve.

Em Medellín estão trabalhando coletivos de techno como o Move, da qual Julianna faz parte.A DJ também criou, em 2016, um coletivo musical apenas de mulheres, conhecido como Nótt. "Me reuni com Marea e Andrea Arias e criamos o grupo. Começamos construindo uma base de dados de mulheres fazendo música na América Latina. Depois, nos conectamos com essas artistas", disse ela, explicando que o feminismo é "algo novo" na região.

"Sequer nos levavam a sério no início", declarou ela. Mas agora, três anos depois, o trio conseguiu mostrar que merece respeito e espaço na cena, e é referência em painéis de música eletrônica no país. O último evento em que palestraram foi o Selina International Music Summit, no distrito de El Pablado, em Medellín. O evento também reuniu outros artistas locais do gênero, como Sr Pablo e Playero.

Em entrevista, Julianna contou que a influência musical vinda dos EUA e Europa ainda é forte na Colômbia e, segundo ela, esta é uma herança do tempo de glória do narcotráfico. "Nos anos 1990, os traficantes viajavam muito para Miami e ouviram os DJs de lá. Então, eles acabavam trazendo referências para cá. Agora, finalmente as coisas estão mudando e nossas influências estão surgindo de outras formas", avaliou.

As três DJs do coletivo Nótt/Reprodução/Instagram
As três DJs do coletivo Nótt/Reprodução/Instagram

Outro aspecto que mudou bastante após o enfraquecimento do poder dos chefões da droga foi a questão da segurança para mulheres frequentarem boates e clubes noturnos. "Há 20 anos, era difícil sair, porque havia mafiosos na vida noturna", comentou Manolo Arango, da Breakfast Club, uma empresa de eventos que ajudou a moldar a cena das boates de Medellín desde 2011.

"Um fato importante para afastar as gangues da nossa boate foi abrir as portas para pessoas de diferentes backgrounds. Nós queríamos inclusão. E isso ajudou a afastar a violência. Porque os traficantes não queriam ficar perto de gente de diferentes gêneros, orientação sexual, raça, religião, etc", observou o empresário.

Ele, no entanto, alertou que essa realidade ainda não é a de todos os clubes da cidade. "Alguns ainda precisam pagar uma propina para esse tipo de milícia. Eles vendem a proteção contra algo que eles mesmos provocam."

Por conta desse descompasso, que, infelizmente ainda sobrevive na cidade, o público das boates em Medellín ainda é pequeno, se levado em conta que a população local é de 4 milhões de habitantes. Mas projetos como o Nótt, a revitalização capitaneada por Manolo, entre outras iniciativas que estão surgindo, devem ajudar a mudar a cena da metrópole daqui a mais alguns anos.

Uma típica noitada na Breakfast Club, casa de eventos em Mendellín aberta desde 2011/Reprodução/Instagram
Uma típica noitada na Breakfast Club, casa de eventos em Mendellín aberta desde 2011/Reprodução/Instagram

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