Centenário de Beny Moré, gigante da música cubana, inspira filme, livros e discos
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Centenário de Beny Moré, gigante da música cubana, inspira filme, livros e discos

Se a música é a alma de Cuba, Beny Moré (1919-1969) pode ser considerado o coração da ilha caribenha. Por isso, não é difícil entender o motivo para tantas celebrações no país neste verão, quando Bartolomé Maximiliano Moré Gutiérrez completaria 100 anos, neste sábado, 24 de agosto. As cem emissoras de rádio cubanas estão festejando, na verdade, desde fevereiro, com programa especiais, reportagens, entrevistas.

Considerado por muitos como o "Bárbaro del Ritmo", Beny foi cantante, tresero (tocador de tres, um violão com três cordas duplas), compositor e band-leader. Ele está sendo homenageado desde o dia 23, sexta-feira, com festas e shows em contagem regressiva. Na data do centenário, as comemorações em diversas cidades começam pela manhã, com peregrinação e uma descarga (jam session à moda cubana) no cemitério de Cienfuegos, onde repousam os restos mortais de Benny, e seguirão até a madrugada de domingo (25) com cortejos, bailes de rua, guateques (festas interioranas à moda cubana). A extensa programação inclui lançamento dos livros "Te quedarás", antologia de narrativas sobre o Bárbaro, e "Benny Moré El símbolo de la música cubana", do jornalista Rafael Lam, além de muitos shows, com presença no mais famoso festival de música de Cuba, o Varadero Josone, com apresentações de Issac Delgado y su Orquesta, e Alexander Abreu y Habana D’ Primera.

A gravadora estatal Egrem lança no fim do ano arquivos físicos de 8 gigas com uma compilação de novos talentos cantando Benny Moré. A cantora Omara Portuondo, 88 anos, do grupo Buena Vista Social Club, gravou 10 faixas do repertório do músico, entre elas o grande hit de Beny, "Bonito Y Sabroso", para o álbum "Siempre tu voz".

Reprodução/Wikipe
Reprodução/Wikipe

No México, onde está sendo também celebrado, ele ficou conhecido como "Príncipe do Mambo". Beny, de fato, foi um homem virtuoso e cheio de facetas. Nascido em Lajas, em Cuba, o cantor começou a trabalhar ainda criança na aldeia de Santa Isabel, onde viveu com a mãe e seus 17 irmãos, descendentes de escravos e de colonos espanhóis.

Desde pequeno, Beny mostrava que tinha talento para a música. Era tão bom que chamou a atenção de Miguel Matamoros (1894-1971), do Trio Matamoros, um dos mais populares da música cubana, que o convidou para se juntar ao grupo como voz principal, expandindo a formação e adotando o nome Conjunto Matamoros, em 1944. Com ele, Beny gravou seu primeiro disco.

Beny iniciou os trabalhos no Matamoros com uma grande turnê pelo México. Passou tanto tempo no país que conheceu sua mulher, a enfermeira Juana Bocanegra Durán. Foi lá também que o cantor foi aconselhado a modificar seu nome. Bartolomé não pegava muito bem, disse o guitarrista da banda, Rafael Cueto. Pensando nisso, o músico escolheu utilizar Beny Moré, em homenagem ao jazzista Benny Goodman (1909-1986).

Ainda no país de Frida Kahlo, o cantor tocou com outros grupos e bandas, mas destaca-se especialmente sua colaboração musical com o pianista cubano Pérez Prado (1916-1989). Os dois gravaram músicas e fizeram filmes no país junto da artista cubana Ninón Sevilla (1929-2015).

Da colaboração de Beny com Pérez, vale apontar algumas mambos de grande sucesso, como "Anabacoa", "Rabo Y Oreja", "Ensalada De Mambo", "A Romper El Coco" e "María Cristina".

No começo dos anos 1950, Beny voltou para Cuba acompanhado do compositor Mariano Merceron (1907-1975). Lá, o bárbaro do ritmo fundou sua famosa Giant Band, em 1953, com quem viajou o mundo inteiro apresentando sua música. Formavam o grupo, chamado por Beny de "minha querida tribo", o trompetista Alfredo Chocolate Armenteros, o baterista Rolando Laserie, o cantor Fernando Álvarez e o trombonista Generoso Jiménez.

Beny era um cantor incrível e conduzia sua banda de uma forma bastante peculiar. Ele não lia nenhuma partitura, fazendo seu trabalho baseado no puro instinto e improvisação. Foi dessa forma que ele formatou, a partir de tradições folclóricas e rurais, muitos gêneros cubanos, como a trova, o són montuno, a descarga... Entre seus discos mais importantes, não há como não citar "Pare… que llegó el Bárbaro" (1958), um dos clássicos da música latina.

Beny morreu aos 43 anos, em 1969, em decorrência de uma cirrose hepática, adquirida por conta de seu hábito constante de beber rum.

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