Charles Aznavour muito além de 'She': francês foi um dos maiores cantores do mundo
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Charles Aznavour muito além de 'She': francês foi um dos maiores cantores do mundo

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Charles Aznavour, 94 anos, morreu como esperamos morrer: em casa, dormindo, depois de uma vida intensa. Maior nome da canção francesa, ele era muito mais do que o equivalente gaulês de Frank Sinatra ou o autor da intoxicante “She”, seu maior hit global. Casado três vezes, com seis filhos, e vivendo uma interminável turnê de despedida há dez anos (passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo em março do ano passado), sua biografia é um trunfo típico do século XX, um sucesso global que representou toda uma cultura, reconhecido pelos principais nomes de seu tempo.

Nada mal para um imigrante armênio cujo nome verdadeiro era Shahnour Aznavourian, que começou como ator infantil e passou a cantar no mítico palco do Moulin Rouge, sendo amaldiçoado pela mesma diva que tentou lançá-lo, sem sucesso, quando ele ainda era jovem, Edit Piaf. Ela teria dito, depois de desistir da carreira musical do jovem cantor, que ele nunca se tornaria uma referência.

Aznavour só começou a ser conhecido e reconhecido após os 30 anos, o que ajudou a ter uma racionalidade e paciência com sua própria carreira. Só aos 32 anos, por exemplo, tocou no Olympia, considerada a principal casa de shows de Paris. 


Ao morrer, Aznavour deixou um legado de quase 200 milhões discos vendidos no mundo todo, mais de 1200 canções gravadas em oito idiomas (sendo que compôs quase um milhar delas) e duetos com artistas do calibre de Elton John, Céline Dion, Frank Sinatra, Bryan Ferry, Sting, Ray Charles, Bing Crosby, Dusty Springfield, Liza Minelli, Laura Pausini, Julio Iglesias e Bob Dylan, que o considerava um dos melhores intérpretes que já tinha visto ao vivo. 

Gravou com os três tenores Placido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti, foi sampleado por Dr. Dre e mencionado nominalmente em canções por nomes tão diferentes quanto Jonathan Richman e os Psychedelic Furs, sem contar a regravação que Elvis Costello fez para “She” que o apresentou para o século XXI na trilha sonora do filme "Um Lugar Chamado Notting Hill", de 1999. Também foi um dos primeiros compositores a falar abertamente sobre o tema da homossexualidade ao lançar a música “Comme ils Disent”, em 1972.  Calou a maldição de Piaf com sua biografia.


Nunca negou sua origem armênia e por diversas vezes ajudou o seu país, como ao arrecadar fundos para as vítimas do terremoto de 1988, além de imortalizar o Holocausto Armênio (responsável pela fuga de seus pais de seu país) na tocante 'Ils sont tombés' ('Eles caíram')

É o armênio mais conhecido do mundo, mesmo que sua vida e obra estejam essencialmente vinculadas à França — é o grande nome da canção francesa que liga as gerações de Edit Piaf e de Serge Gainsbourg, com quem também colaborou. Mas nunca negou sua origem do leste europeu e por diversas vezes ajudou o seu país, como ao arrecadar fundos para as vítimas do terremoto de 1988 (lançando a música “Pour toi Arménie”), além de imortalizar o Holocausto Armênio promovido pelo governo otomano no início do século XX (responsável pela fuga de seus pais de seu país) na tocante “Ils sont tombés” (“Eles caíram”), gravada em 1976. 

Sua pequena estatura (tinha 1,60m) nunca foi problema para seu estrelato e conquistou plateias do mundo inteiro com uma voz tenor aveludada e com a tocante força emocional. Também foi um sucesso no cinema e tinha uma carreira de ator tão prolífica quanto de cantor, atuando em dezenas de filmes, ao lado de nomes como François Truffaut e Claude Chabrol, entre outros. Ganhou sua estrela na calçada da fama de Hollywood no ano passado, sendo apresentado pelo diretor Peter Bogdanovich, que disse: “Sinatra certa vez disse que toda canção era uma peça de um ato com apenas um personagem e Charles é um ator extraordinário bem como um cantor extraordinário”.

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