Charlie Brown Jr. agita o Rock in Rio com homenagens a Chorão, em nova fase liderada pelo guitarrista Marcão
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Charlie Brown Jr. agita o Rock in Rio com homenagens a Chorão, em nova fase liderada pelo guitarrista Marcão

Sob nova formação, com Marcão Britto na guitarra e vocais, Heitor Gomes no baixo, Pinguim Ruas na bateria e Panda nos vocais principais, o Charlie Brown Jr. subiu ao palco do Rock District no sábado (28), quando aconteceu o primeiro fim de semana do Rock in Rio 2019. Após o celebrado show, o guitarrista da banda, Marcão, concedeu uma entrevista na qual pontuou como tem sido essa nova fase do grupo, sem o líder Chorão (1970-2013) e o baixista Champignon (1978-2013), e falou sobre o novo projeto "Tamo Aí na Atividade", que leva o mesmo nome do disco lançado em 2004.

"Esse projeto tem o intuito de reunir os músicos da banda, os nossos amigos e outros artistas que gostam do nosso trabalho. Foi uma iniciativa do Xandy (filho de Chorão)", contou o músico. "O primeiro show que fizemos foi em 2014, em São Paulo, no Instância da Serra, com participação de Mano Brown, Racionais, Andreas Kisser, Emicida... diversos amigos e pessoas que tinham conexão com nossa arte e nossa história. O mesmo aconteceu em 2016, no Espaço das Américas, também em São Paulo. Recebemos 30 convidados aproximadamente. Todo mundo do rock de várias gerações. Sentimos vontade de levar esse show para todo o Brasil, sair em turnê e trocar com os fãs."

Nessas apresentações da nova versão do Charlie Brown Jr., os integrantes da banda não deixam de lembrar de Chorão. Pelo contrário. O ex-vocalista do grupo se mostra presente em vários momentos. "Tocamos com ele cantando no telão. Sentimos essa vibe que era comum nos shows do Chalie Brown", disse Marcão.

Além dos shows, o "Tamo Aí na Atividade" meio que se tornou, também, um projeto social. "Levamos b-boys com a gente para as apresentações. Por todas as cidades que a gente passa no Brasil, em Brasília, São Paulo, a gente faz um show em lugares onde a banda normalmente não tocava. E levando nossa arte para lá, ajudamos na recuperação de jovens, mostramos um caminho através do grafite e da música", observou ele.

"Muitas vidas se uniram através da história da banda. Nada melhor do que estar no Rock in Rio coroando essa trajetória também. Matar a saudade do que a banda representou para gente e para o público. O último show que a gente fez em Brasília teve Gabriel, o Pensador e o Mike Moore, que é um ídolo do Chorão. Algo realmente muito forte. A gente faz isso pensando no quanto ele ficaria feliz com a gente."

Panda, novo vocalista do Charlie Brown Jr., no show da banda no Rock in Rio, no sábado (28)/I Hate Flash/Divulgação
Panda, novo vocalista do Charlie Brown Jr., no show da banda no Rock in Rio, no sábado (28)/I Hate Flash/Divulgação

Neste ano, o segundo disco do grupo, "Preço Curto... Prazo Longo", de 1999, completa 20 anos. Este é outro motivo que faz com que o projeto seja tão emblemático, para poder comemorá-lo. "Posso arriscar que esse foi o álbum mais importante da banda. O disco tem 25 músicas", lembrou Marcão, que também avaliou o papel do filho de Chorão, Alexander Magno Abrão, nessa nova fase do Charlie Brown Jr.

"Ele cuida da parte empresarial, a organização ligada ao gerenciamento, e está sempre com a gente nos shows. Ele trabalha com cinema, então os videos que vão pro telão são editados por ele. Ele tá com a mão na massa. Não é só aquela pessoa que fica na poltrona assistindo tudo acontecer só porque é filho do Chorão", garantiu o guitarrista, que ingressou no grupo lá no início, a convite de Chorão, em 1992.

"Dessa época, lembro de uma das demos que a gente gravou. A gente sequer tinha grana para pagá-la, e foi um passo muito arriscado, porque a gente queria gravar num estúdio bom, mas não tinha como. Ainda assim, queríamos mostrar que a gente podia", falou Marcão. "No fim, acabamos gravando, mas para isso a gente teve que vender tudo. Chorão vendeu a TV do pai dele. O Champ vendeu o baixo. A gente levava tudo isso numa vibe muito bacana, com humor, por isso que a gente dá risada hoje."

Nem tudo foram flores, no entanto. Logo após o lançamento de "Tamo Aí na Atividade", em 2004, Marcão deixou a banda, para voltar anos depois. Ele justificou que, apesar de ter um boa relação com Chorão, "toda sociedade tem suas divergências". "Quem tem banda de rock sabe, é igual autódromo. Você vai para todo tipo de curva em alta velocidade. As vezes acontecem briguinhas, normal. Na minha opinião, tivemos muito mais coisa boa do que qualquer tipo de desentendimento", declarou.

Por fim, para quem não teve a oportunidade de conferir o show do Charlie Brown Jr. no Rock in Rio, Marcão deu detalhes de como tem sido os shows do "Tamo Aí na Atividade". "Tocamos com músicos de todas as fases da banda, temos um repertório extenso, porque o Charlie Brown tem quase 300 músicas. Acho incrível que temos um grande número de fãs fieis, e outros que estão nos descobrindo agora e indo aos shows. Sentir essa vibe é muito bom. Nós somos a banda de rock brasileira mais tocada no streaming. Não quero ser arrogante dizendo isso, só apontando que nossa música fala por si só", finalizou.

Marcão e Panda lembraram Chorão ao longo de quase todo o show/ Divulgação/Rock in Rio
Marcão e Panda lembraram Chorão ao longo de quase todo o show/ Divulgação/Rock in Rio

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