Chester Bennington ressurge com vocais inéditos em álbum da Grey Daze: ‘Ele nunca se sentiu suficiente’, diz baterista
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Chester Bennington ressurge com vocais inéditos em álbum da Grey Daze: ‘Ele nunca se sentiu suficiente’, diz baterista

A morte de Chester Bennington (1976-2017), do Linkin Park, em 2017, deixou fãs em choque. Mas agora vem um presente: gravações inéditas feitas há 20 anos. O álbum “Amends” (algo como “reparação”, em tradução livre) é um compilado de músicas do cantor para a sua antiga banda, a Grey Daze. Ele seria lançado neste mês mas, por conta da pandemia de coronavírus, foi adiado para 26 de junho. Ao todo, são 11 músicas, mas apenas três delas, como “Sometimes”, já estão disponíveis nas plataformas de streaming. Amigos e familiares do artista reforçam nos vocais e na banda das gravações.

“Parece que isso me ajudou a encerrar esse processo de luto por perdê-lo. Foram dois anos trabalhando por isso. Sinto que honrei meu amigo, sabe?”, diz Sean Dowdell, baterista da Grey Daze, em entrevista a “Radio 1 Newsbeat”. O amigo ainda conta que a ideia de produzir o material para levá-lo ao público partiu do próprio Chester.

Chester Bennington e Sean Dowdell dão entrevista juntos, em 2013 / Foto: Getty Images
Chester Bennington e Sean Dowdell dão entrevista juntos, em 2013 / Foto: Getty Images

“Em 2016, nós decidimos que queríamos que as pessoas pudessem ouvir essas músicas”, explica. Embora a ideia tenha surgido antes da morte do cantor, Chester nunca regravou os vocais originais. Mesmo assim, Sean seguiu com o propósito de lançar as músicas.

Todo o instrumental das faixas foi refeito, apenas a voz original de Chester se manteve. Amigos de bandas como Korn e Breaking Benjamin, além dos filhos do cantor participaram das gravações.

“Mais ou menos na metade das gravações, nós percebemos que poderíamos fazer algo a mais pelo Chester. Nós pensamos que poderíamos colocar os filhos dele para cantar com ele, algo que ele nunca fez enquanto era vivo”, explica. Jaime, 23, um dos seis filhos do cantor, participa nos backing vocals da faixa “Soul Song”. “Acho que o pai dele ficaria orgulhoso do que ele fez”, reflete. “Acho que fizemos um bom trabalho e criamos uma obra-prima”, completou Sean. As músicas foram escritas quando Chester tinha cerca de 18 anos. A faixa “Sometimes” já ganhou um lyric video, publicado no YouTube no começo de abril.

“Às vezes tudo parece desabar quando você menos espera. Às vezes, você quer arrumar suas coisas e deixar todo mundo e todos aqueles sorrisos para trás”, dizem os primeiros versos da música. “Nós escrevemos todas as letras juntos e, enquanto eu escrevia de um ponto de vista mais filosófico, eu vejo agora que ele se foi, que essas eram perspectivas reais do sofrimento que ele estava vivendo em sua vida”, reflete Sean. “Quando você compõe, aquilo tem um significado. Mas, depois que você perde seu amigo e olha para trás, a música assume outra interpretação. Chester não era um astro do rock para mim. Ele era um dos meus melhores amigos”, lamenta o baterista.

Chester Bennington estourou para o mundo por ser a voz do Linkin Park. Ao longo da carreira, o grupo vendeu milhões de álbuns e teve entre seus maiores sucessos uma versão da música “Numb” com o rapper Jay-Z, “Numb (Encore)”. “Uma das coisas mais tristes sobre o Chester é que ele se doava tanto pelas outras pessoas e colocava todas elas sempre à frente dele mesmo que nunca chegou ao ponto de ter apreço por si e se amar de verdade. Chester nunca sentiu de verdade que ele era o suficiente para alguém e acho que isso foi um dos motivos que intensificou sua depressão.”

Jaime Bennington, filho mais velho de Chester, em foto de 2019 / Foto: Getty Images
Jaime Bennington, filho mais velho de Chester, em foto de 2019 / Foto: Getty Images

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