Chris Barber, que abriu a cabeça de Paul McCartney, Mick Jagger e Eric Clapton, pendura o trombone aos 89
Entretenimento

Chris Barber, que abriu a cabeça de Paul McCartney, Mick Jagger e Eric Clapton, pendura o trombone aos 89

Aos 89 anos, o trombonista Chris Barber anunciou sua aposentadoria dos palcos e dos estúdios. O britânico, conhecido como o "padrinho do jazz" em seu país, é um músico brilhante e um recordista. Há 65 anos, ele esteve à frente de sua big band, a The Big Chris Barber Band, mais tempo do que o americano Duke Ellington comandou a dele — por "apenas" 50 anos. Esta não é a única virtude de Chris. Ele também foi um dos responsáveis por "ligar" o ex-beatle Paul McCartney,Mick Jagger (dos Rolling Stones), e Eric Clapton no jazz e no blues.

De acordo com o jornal "Daily Echo", a aposentadoria integral do trompetista não impedirá a continuidade de seu legado, nem o de sua banda, que continuará a se apresentar ao vivo. Uma delas está marcada para o dia 4 de dezembro, no Concorde Club, em Southampton, fundada em 1957. A casa, considerada como o clube de jazz mais antigo do mundo, teve um papel crucial na carreira de 70 anos de Chris, que já tocou por diversas vezes lá.

No site do Concorde Club, há um anúncio que diz: "Chris Barber se aposentou dos palcos. Mas sua banda continuará sua turnê para homenageá-lo". Aos 19 anos, em 1949, o trompetista montou a própria banda e, anos depois, se apresentaria no Concorde Club, que nos anos 1950 não ficava no mesmo local onde funciona hoje. Seu primeiro show na casa foi em 1966.

Cole Mathieson, gerente do Concorde Club, disse que está ansioso pela apresentação da banda de Chris no dia 4 de dezembro. "Ele inspirou muitas pessoas a adotarem o jazz, principalmente o de Nova Orleans. Ele também trouxe muitas estrelas do gênero e do blues para cá, como Muddy Waters e Sister Rosetta Tharpe", contou. "Ele sempre soube escolher muito bem os músicos que tocavam com ele."

Antes de montar a banda que levaria seu nome, Chris participava de um trio chamado Three Bs. Junto dele, tocavam o clarinetistas Acker Bilk (1929-2014) e o trompetista Kenny Ball (1930-2013). Eles chegaram a realizar turnês pelo Reino Unido e EUA, mas logo cada um dos músicos seguiram seus caminhos separados.

Chris Barber e seu trombone em uma apresentação de 1959/Getty Images
Chris Barber e seu trombone em uma apresentação de 1959/Getty Images

Após anunciar sua aposentadoria, Chris Barber não para de receber elogios de grandes músicos, como Paul Jones, estrela do blues e da banda The Manfreds. "Chris é uma figura paterna para mim. Aprecio os momentos em que ele me convidou para tocar com sua banda. Ele é uma inspiração e um modelo de músico", considerou Paul.

Entenda a história de Chris Barber e Paul McCartney

Enquanto nos Beatles, Paul McCartney compôs uma música instrumental de jazz chamada "Catswalk". Ela, no entanto, nunca foi gravada pela banda em um estúdio. Há, no entanto, uma gravação da faixa durante um ensaio no Cavern Club em 1962.

Como os Beatles não usariam a canção, Paul a ofereceu para Chris Barber. A proposta foi aceita, e ele e sua banda gravaram uma versão de "Catswalk" no Marquee Club, em Londres, em julho de 1967. Paul, no entanto, não ficou muito satisfeito.

Por isso, Chris, sua banda, Paul e Jane Asher regravaram a faixa no dia 20 de julho de 1967, com um novo título, "Cat Call", e, desta vez, em um estúdio, o Chappell Recording Studios. A voz do ex-Beatle pode ser ouvida durante a faixa. Ele fala: "Please, play it slow", ou "por favor, toque mais devagar". Acredita-se que Paul tenha tocado órgão nesta gravação.

"Cat Call" saiu como um single no Reino Unido em 20 de outubro de 1967. Não emplacou, mas mostrou a todos que o Sir. Paul McCartney tinha talento para além do rock e do pop.

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest