Clara Luciani: o pop francês atual mostra sua força e charme
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Clara Luciani: o pop francês atual mostra sua força e charme

Clara Luciani é o novo nome da música pop francesa. Ela ainda colhe frutos do sucesso de "Sainte-Victoire", seu primeiro disco lançado em 2018 e que vendeu 200 mil cópias. Depois de ganhar o troféu de revelação em 2019, a jovem de 27 anos venceu neste ano como melhor cantora no prestigioso prêmio Victoires de la Musique.

Lançado em abril de 2018, é como se "Sainte-Victoire" tivesse, um ano depois, um renascimento. Sua vitória como revelação no ano passado já havia sido considerada aconsagração de uma jornada iniciada um ano antes. No entanto, percebe-se que o álbum foi ganhando cada vez mais fôlego desde então, tanto que foi relançado com quatro faixas bônus, incluindo "Nue", indicada como melhor canção (mas preterida por um duo meloso de Vitaa & Slimane). "Tenho uma lembrança maravilhosa da cerimônia no ano passado, que foi um dos momentos mais felizes desde o início da minha carreira. Apesar da pressão, finalmente fiquei satisfeita com uma apresentação na TV — algo que geralmente temo e que raramente acontece sem estresse. Ganhar foi ainda mais inesperado", disse.

Mas Clara acha que tudo tem seu tempo certo e que esse é o ritmo que ela quer para sua vida profissional. "Este álbum se parece comigo porque está caminhando lentamente. Na vida, dedico tempo para fazer as coisas bem. Isso explica por que esperei até os 25 anos para lançar um álbum, quando escrevo músicas desde os 11 anos de idade", disse em recente entrevista à "Les Inrockuptibles". "Um single como 'Grenade' levou quase um ano para chegar às rádios. As pessoas ainda sabiam pouco ou nada sobre o álbum e ainda estávamos tocando para pequenos públicos. Foi uma aventura prolongada, mas tudo aconteceu muito naturalmente. De qualquer forma, eu não estava preparada para experimentar um sucesso imediato", contou ela sobre a música que acabou sendo trilha de um anúncio do relógio J12 da Chanel. Pouco depois, Clara foi convidada a integrar o time de amigas da maison, com direito a presença na primeira fila dos desfiles.

Clara Luciani em um desfile da Chanel em Seul em 2019. Foto: Getty Images
Clara Luciani em um desfile da Chanel em Seul em 2019. Foto: Getty Images

Falando em "La Grenade", Clara gosta de dizer que a música se tornou um hino para ela. "Recebi mensagens de pessoas que estão vivendo e a entendem como eu, é realmente emocionante. 'La Grenade' é um hino feminino. Muitas vezes me dizem que 'Sainte Victoire' é um álbum feminista, mas eu sempre respondo que é mais importante como um álbum feminino. Diz a você o que é ser mulher e que não estamos aqui para procurar o nosso melhor, mas para sermos ouvidas tanto quanto os homens", disse na época do lançamento do disco à "Metal Magazine".

Clara foi uma das cantoras do grupo de punk La Femme em 2011, com quem chegou a gravar um álbum ("Psycho Tropical Berlin", de 2013). "Nós nos conhecemos em Cannes. Elas estavam tocando em um festival e eu fui vê-las. Sem saber com quem eu estava conversando, acabei por encontrar uma das integrantes da banda que me disse que, se eu fosse a Paris, poderíamos tentar uma colaboração. É engraçado pensar que todas essas coincidências me levaram aonde estou hoje. Acho surreal ao olhar para trás, é quase como se eu tivesse um anjo da guarda me guiando através desses encontros e da perseverança que tive ao longo do caminho", contou ela, que saiu aos 19 anos da pequena Martigues, subúrbio de Marselha, rumo a Paris.

Logo depois da passagem pelo La Femme, ela formou o duo Hologram com Maxime Sokolinski e, em 2017, lançou um EP solo chamado "Monstre d'amour". "Esse trabalho veio do final de um relacionamento. Quando escrevi os agradecimentos no final do EP, agradeci ao homem que quebrou meu coração e me fez escrever essas músicas. Uma das melhores coisas que me aconteceu foi ter o coração partido, acredito", contou.

Já "Sainte-Victoire" é despido de mágoas, mais aberto a diferentes tópicos, como a feminilidade. "Eu queria que ele fosse luminoso e livre em sua essência, em oposição ao EP, que traduzia uma dor que eu estava sofrendo e precisava desesperadamente expressar. Eu queria levar esse álbum para outro lugar", comparou a cantora.

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