Com 007, cada balada é uma bala
Na Trilha do LEÃO

Com 007, cada balada é uma bala

Com a divulgação do trailer do novo filme de James Bond, “No Time to Die” (“Sem Tempo para Morrer”, mas já conhecido nas rodas da galhofa como “Sem tempo, irmão!”), me lembrei de uma fala do Tom Jones, num documentário que celebrava os 50 anos da série, quando abordavam a parte das trilhas e canções-tema. Ele dizia lá que até hoje não tem a menor ideia do que significava “Thunderball”, canção-tema de “007 Contra a Chantagem Atômica” (1965). Foi lá e cantou, com a maior cara de WTF?!?

Sempre lembro disso (e rio) a cada novo Bond anunciado. O novo, que será o de número 25 (e o último com Daniel Craig no papel do agente secreto), ainda não tem artista e canção escalados. O marcante tema original, criado pelo escocês Monty Norman, ainda vivo, com 91 anos, e arranjado pelo maestro inglês John Barry (1933-2011), nunca fica de fora. Mas os produtores sempre catam um nome pop do momento para a canção-tema da vez. Nem sempre dá certo. O anterior, “Spectre”, foi defendido por Sam Smith, e ninguém recorda. Já o que veio antes deste, “Skyfall”, teve boa representação por Adele, que lembrou o estilo de cantar das divas dos anos 1960 e 70. Como Shirley Bassey, que mandou ‘benzão’ em “Goldfinger” (1964).

Shirley Bassey com o maestro John Barry à esquerda/ Foto: Evening Standard/Getty
Shirley Bassey com o maestro John Barry à esquerda/ Foto: Evening Standard/Getty

Tanto que foi chamada pra repetir a tarefa em “Diamonds Are Forever” (“007 - Os Diamantes São Eternos”, 1971), o último com Sean Connery. Bassey foi a única artista a defender várias trilhas Bond até hoje. Ela ainda voltaria a soltar a voz em “Moonraker” (“007 Contra o Foguete da Morte”, 1979), aquele em que Bond (então feito por Roger Moore), vinha ao Brasil.

Até os anos 80, as bond songs eram quase todas com vozes femininas. Ora fortes, como Bassey, ora suaves, como Carly Simon. Esta, cantou “Nobody Does it Better”, para “007: O Espião Que Me Amava” (“The Spy Who Loves Me”, 1977). Curiosamente, um dos raros temas de Bond que não tinha o nome do filme. A outra assim, foi “All Time High”, para “007 Contra Octopussy” (1983), por Rita Coolidge.

Depois, mais para os anos 80/90, começaram a abrir o leque para bandas mais pop/rock. Embora, ainda nos anos 70, Paul McCartney & Wings tenham defendido o marcante tema para “Live And Let Die” (“Com 007 Viva e Deixe Morrer”, 1973), uma das mais marcantes trilhas de abertura da série, que foi até regravada (com sucesso) pelo Guns N' Roses, nos 90s.

O tecno-pop inglês do Duran Duran, por exemplo, mandou bem com “A View To A Kill”, de “007 Na Mira Dos Assassinos” (1985). Na sequência, veio uma canção meio parecida com a do DD, feita pelo norueguês A-ha, para “The Living Daylights” (“007 Marcado Para a Morte”, 1987), quando Bond era vivido por Timothy Dalton. Dava até para mixar as duas. Já o Garbage passou meio batido com “The World Is Not Enough”, de “007 – O Mundo Não é o Bastante”, 1999), apesar de suas qualidades.

Contudo, as divas, nunca foram esquecidas. A grande Gladys Knight soltou a voz em “Licence to Kill” (“007 – Permissão Para Matar”, 1989) e Tina Turner teve a sua vez em “GoldenEye” (“007 Contra GoldenEye”, 1995), já na ‘gestão’ Pierce Brosnan, numa pegada bem anos 60. Não ia demorar até que Madonna fosse convocada, para a dançante “Die Another Day” (“007 – Um Novo Dia Para Morrer”, 2002).

O último tema forte com um cantor foi o de Chris Cornell, “You Know My Name” para “007: Casino Royale” (2006). Resta saber quem vai pegar a pistola em “No Time To Die”, que estreia em abril de 2020. Façam suas apostas!

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