Com equipe 100% preta, Taslim lança clipe sobre 'amor real' entre mulheres: 'Para uma pessoa negra, amar também é uma revolução'
Inspiração

Com equipe 100% preta, Taslim lança clipe sobre 'amor real' entre mulheres: 'Para uma pessoa negra, amar também é uma revolução'

“'Pretinha' é sobre um amor real", diz a cantora carioca Taslim, de 28 anos, em entrevista ao Reverb, sobre a música autoral que virou clipe para contar a história de um relacionamento amoroso entre duas mulheres pretas. Lançado nesta sexta-feira (12) em comemoração ao Dia dos Namorados (ou Dia das Namoradas), o vídeo foi gravado no Maranhão e juntou uma equipe de nove mulheres negras das regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil. Fruto do autodescobrimento, das viagens e do amor de Taslim pelas raízes africanas, a faixa e o clipe são parte do conceito de "pretambular", criado pela própria artista para descrever o constante caminhar e movimentação de populações negras pelo mundo.

Nascida e criada na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, Tassia Menezes — nome de batismo de Taslim — sempre gostou de música e, desde jovem, cantava em missas da igreja católica de sua região. Jornalista formada pela PUC-Rio, Taslim conseguiu ter acesso ao estudo musical já adulta, quando pagou pelas próprias aulas na Escola de Música Villa-Lobos. Apesar de escrever pequenas canções sobre disciplinas escolares e dividir as faixas de estudo com amigos, ela demorou a se entender como artista e compositora.

Tassia conheceu o nome "Taslim" durante conversas com um vendedor na Cidade do Cabo, na África do Sul, onde passou três meses em um intercâmbio para aprender inglês aos 21 anos. Segundo o senhor, que veio do Malaui, país do leste africano, Taslim era o nome de sua mãe e quer dizer "felicidade" — significado ideal para o que a cantora gostaria de comunicar. “Eu falo sobre coisas pesadas, mas eu tento trazer uma leveza, uma alegria. Tento trazer uma forma de não ser só dor, senão não dá. A gente fica muito duro, não consegue caminhar”, diz.

Existem as profissionais, elas estão aí. É só querer

A estadia na África do Sul abriu novos horizontes musicais, culturais e identitários para Taslim. “Foi uma sensação de pertencimento muito grande. Eu me sentia muito feliz ali. Tudo me tocava, eu me sentia muito em casa”, conta. Criadora do conceito de "pretambular", a cantora baseia grande parte da arte que produz nos ensinamentos que aprendeu quando esteve em solo africano. “Eu sou preta, eu estou perambulando por aí, então estou ‘pretambulando’. Na verdade, o povo preto está sempre pretambulando. A gente está aqui pela diáspora, a gente está aqui ao mesmo tempo em que a gente está na Angola, nos Estados Unidos, na Jamaica", explica. "O povo preto é movimento.”

Única música de Taslim sobre amor no álbum "Pretambulando", ainda sem data de lançamento, "Pretinha" ilustra reflexões da carioca não só sobre questões raciais, mas também problematiza sobre gênero e sexualidade. “Quando você vê duas mulheres (dentro de um contexto romântico), muitas vezes elas estão em uma coisa muito sensual e sexy, que é um fetiche do olhar masculino”, reflete a artista, que se identifica como bissexual. “Para mim e para as outras mulheres que são lésbicas ou bi, elas não se veem assim. Elas veem as mulheres que elas amam e só. No meu clipe, elas estão na feira, estão vivendo de uma forma normal. Elas saem com as amigas, se divertem, vão para a praia, dançam. Só estão vivendo.”

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“A música ('Pretinha') traz o 'pretambulando' dentro, traz a minha experiência com viagens. É como se a relação também fosse uma viagem, porque você vai vivenciando cada percurso, cada curva, cada momento”, explica Taslim. "Eu tenho uma amiga que fala que amar, para uma pessoa negra, também é revolução. A própria Bell Hooks (autora negra americana e referência em estudos de questões raciais) trazia isso, para gente buscar a liberdade pelo amor.”

Para formar a equipe de nove pessoas que fez o clipe acontecer em apenas dois dias de gravação na cidade de São Luís — capital do Maranhão e também conhecida como “Ilha do Amor” —, Taslim contou com a ajuda da cineasta e atriz Nádia D’Cássia e da produtora cultural Simone Braz. Juntas, elas conseguiram colocar em prática o que era a prioridade: reunir apenas profissionais mulheres e negras do audiovisual. “Isso mostra que, quando você prioriza isso, é possível", diz a cantora. "Existem as profissionais, elas estão aí, é preciso procurar por elas. É só querer.”

“Nos dias das gravações, a gente se sentia muito feliz, porque a gente estava contando a história de duas mulheres pretas, só com mulheres pretas no set”, finaliza a artista, que tem publicado vídeos de versões covers em seu canal do YouTube e mantido frequente comunicação pelo Instagram durante o período de quarentena.

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