Como a música pode ajudar adolescentes a aprenderem matemática
Inspiração

Como a música pode ajudar adolescentes a aprenderem matemática

0

Publicidade

Um projeto criado na Grécia, e apoiado por uma comissão educacional da União Européia, quer acabar com as fronteiras entre a arte e a ciência. Utilizando o método conhecido como STEM — sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática —, pesquisadores do Instituto de Linguagem e Processamento da Fala, de Atenas, acreditam que crianças e adolescentes, de 11 a 16 anos, compreendem conceitos complexos da galera de exatas quando relacionados com a música, fotografia e pintura. 

LEIA MAIS: Estudante de 15 anos vence concurso nacional de cartas escrevendo sobre música

VEJA TAMBÉM: Aprender música melhora atenção e diminui a ansiedade em crianças, diz estudo

O método, totalmente interdisciplinar, é normalmente utilizado no ambiente acadêmico, onde um estudante de filosofia pode aprender música e física ao mesmo tempo. No âmbito do ensino fundamental, no entanto, esse tipo de aprendizado não é muito estimulado. Mas as coisas estão mudando, como explicou o professor grego Vassilis Katsouros. Ele é coordenador do projeto batizado de iMuSciCA.

Um dos exemplos do que está sendo feito nas escolas europeias é pedir aos estudantes que criem um instrumento musical no computador e, de acordo com alterações de suas propriedades, entendam como funciona o estudo das ondas em física. Não é legal?

"Se você mudar o tipo de metal em uma corda de violão, a vibração irá mudar completamente e o som que instrumento produzirá será diferente", disse Vassilis ao blog "Horizon". Ele ainda explicou que os alunos podem compreender sobre frequência e amplitude usando esse método.

Quem disse que aprender física precisa ser entediante? Projetos criados na Europa provam o contrário/JESHOOTS.COM/Unsplash
Quem disse que aprender física precisa ser entediante? Projetos criados na Europa provam o contrário/JESHOOTS.COM/Unsplash

Sobre a eficácia do projeto, Vassilis explicou que os pesquisadores ainda estão avaliando seus impactos. Mas, em sala de aula, professores já perceberam que a motivação de seus estudantes aumentou. "Os jovens de 11 a 16 anos são muito interessados em música e por isso se conectam com tanta facilidade com o assunto", admitiu. 

A neurocientista Monica Gori, do Instituto Tecnológico de Génova, na Itália, é uma das pesquisadoras que trabalha com o método STEAM, mas em outro projeto, o WeDraw. Diferente de Vassilis, ela acredita que nem todos têm a capacidade "visual" de aprender. Outros alunos têm facilidade com diferentes tipos de estímulos, como por exemplo, o toque. 

Por isso, ela desenvolveu, junto de seus estudantes com menos de 8 anos, um jogo chamado RobotAngle, que utiliza câmeras de detecção de movimento para registrar quando os alunos mexem os braços ou as pernas. A cada movimento, o programa detecta os ângulos — se são superiores à 90 graus, formam um tom mais agudo no violino; se são inferiores, formam um som mais grave.

No projeto de Monica, com aplicações em escolas da Itália, Reino Unido e Irlanda, mais de 200 crianças testaram jogos desse tipo em dez turmas diferentes. Durante as aulas, professores utilizam o método STEAM em cerca de 15 minutos por semana e afirmaram que os alunos estão de desenvolvendo com mais facilidade. 

Aprender física ou matemática de uma forma mais dinâmica é, com certeza, o futuro da educação — além de ser uma mão na roda para a galera de humanas. Esperamos que, no Brasil, iniciativas assim sejam criadas. 

Crianças em sala de aula: música pode ajudar no ensino de matemática / Foto: NeONBRAND/Unsplass
Crianças em sala de aula: música pode ajudar no ensino de matemática / Foto: NeONBRAND/Unsplass

Publicidade

Background

Relacionados

Canais Especiais