Como a rapper americana Dessa usou neurociência para superar o ex
Tecnologia

Como a rapper americana Dessa usou neurociência para superar o ex

0

Publicidade

Existem vários caminhos para se superar um término, e, por mais que não um seja um dos mais procurados, a ciência pode ser um deles. Foi isso que a rapper, cantora e escritora americana Dessa pensou quando voltou suas atenções para a neurociência e decidiu experimentar sessões de neurofeedback - algo como “feedback neural”, em português - para superar o ex-namorado. 

CIÊNCIA EXPLICA: Pesquisadores descobrem relações entre empatia e música

LEIA TAMBÉM: Sim, seu gosto musical diz muito sobre sua personalidade

A ideia surgiu após assistir à palestra da antropóloga biológica e pesquisadora americana Helen Fisher, para o “TED Talks”, sobre o que acontece no cérebro de uma pessoa apaixonada. Com o auxílio de um escaneamento cerebral chamado ressonância magnética funcional (ou RMf), Fisher examinou os cérebros de pessoas afetadas pelo amor e notou que certas partes de seus cérebros estavam extraordinariamente ativas. Isso levou Dessa a pensar: “Se a ciência pode mapear as fontes de amor no cérebro, será que também pode fazer o amor ir embora?”.

Se a ciência pode mapear as fontes de amor no cérebro, será que também pode fazer o amor ir embora?

Foi essa pergunta que a levou a procurar a técnica de terapia do neurofeedback, que utiliza eletroencefalografias (EEG) — ressonância capaz de captar ondas cerebrais e traduzi-las em sinais visuais ou sonoros — para treinar o cérebro a diminuir a atividade cerebral de áreas específicas (relacionadas à paixão) e estimular outras. Ou seja: o método parte do pressuposto de que assistir ao que o seu cérebro está fazendo pode te ajudar a fazê-lo mudar de foco.

Médicos que já usaram o neurofeedback para tentar tratar todos os tipos de problemas de saúde mental — ansiedade, depressão, autismo e TDAH — afirmam ter visto resultados positivos, e pacientes dizem ter se sentido melhor. Mas alguns cientistas discordam e encaram a técnica como representante do “efeito placebo”, de resultado apenas psicológico. Outros profissionais da área apontam ainda que muitas pesquisas sobre o assunto são realizadas por pessoas com participação financeira no setor.

Pesquisas mais rigorosas dos últimos dois anos apoiam a ideia de que, pelo menos em alguns casos, o neurofeedback pode ser usado para treinar o cérebro. Em um estudo publicado no site do jornal científico “Neuron”, os participantes aprenderam a “acender” uma região do cérebro ligada à motivação e foco. Em outro, pacientes com depressão foram capazes de aliviar alguns dos sintomas. De qualquer forma, a maioria dos estudiosos do tema diz que ainda há muito trabalho a ser feito antes da aplicação clínica do método de análise.

No caso de Dessa, que fez nove sessões de neurofeedback para desviar as atenções do amor frustrado, parece ter funcionado. "Antes, eu sentia que estava realmente sob o controle de uma fixação e uma compulsão", diz. "Agora parece que esses sentimentos foram reduzidos”.

Se a rapper alcançou esse resultado realmente por conta do neurofeedback ou se foi por ter passado por todo o processo de documentação e conversa sobre o experimento, a ciência ainda não foi capaz de dizer. O importante é que agora ela se sente mais disposta a seguir em frente. "Eu já escrevi um bando de raps tristes, agora eu gostaria de escrever outros tipos de música", diz.

As informações são do “NPR”.

Publicidade

Tags relacionadas:
TecnologiaCiênciaPesquisa
Background

Relacionados

Canais Especiais