Como a realidade virtual começa a transformar a experiência de acompanhar música ao vivo
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Como a realidade virtual começa a transformar a experiência de acompanhar música ao vivo

A turnê de sua banda favorita vai passar bem longe de sua cidade. Aquele show aguardado já está com os ingressos esgotados. Você simplesmente não está com disposição de ficar horas em pé espremido por uma multidão para assistir um espetáculo. Pois já há uma solução para qualquer caso parecido: a realidade virtualque recria experiências musicais ao vivo.

A realidade virtual não é novidade na indústria da música. Vários artistas já transmitiram seus shows através de headsets, permitindo que os fãs apreciassem o espetáculo virtualmente de suas casas. Agora, algumas plataformas estão dando vários passos adiante ao recriar experiências ao vivo, com pontos de vista e interações que ninguém conseguiria se estivesse no local, como público "normal".

As plataformas já oferecem serviços que recriam experiências ao vivo. Foto: Unsplash
As plataformas já oferecem serviços que recriam experiências ao vivo. Foto: Unsplash

Lançada em 2018, a MelodyVR diz ter um acervo de shows ao vivo com mais de 850 artistas, gravados para streaming em headsets ou dispositivos iPhone e Android por meio de seu aplicativo. Além de poder assistir como se estivesse na plateia, os usuários têm a opção de assistir os shows com visão dos bastidores, atrás da cabine de som ou mesmo no palco com a banda. A empresa também criou outras experiências. Em uma performance em realidade virtual da cantora britânica Emeli Sandé, pode-se acompanhar simultaneamente duas imagens dela, uma tocando piano e a outra cantando.

Com um valor atual de mercado de US$ 288 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhão), a MelodyVR pertence à EVR Holdings e tem licenças globais de distribuição de realidade virtual (RV) com gravadoras como Universal Music, Sony Music e Warner Music. Há planos de incrementar seu serviço que, atualmente, é oferecido como pay-per-view de US $ 1,99 para uma música a US$ 10 para um show inteiro — nos headsets e no aplicativo. A ideia é lançar uma assinatura mensal, ainda sem valor divulgado, que dará acesso ilimitado a shows e sessões exclusivas.

"Nossa empresa pretende fazer a transição para um modelo de assinatura que fornecerá acesso ilimitado à nossa biblioteca de conteúdo sob demanda em troca de uma taxa mensal e proporcionará receitas recorrentes aos negócios. Também pretendemos disponibilizar assinaturas para os consumidores por meio de vários parceiros, que serão anunciados nos próximos meses", diz o presidente executivo e CEO Anthony Matchett ao "Musically".

Este ano, a MelodyVR planeja também oferecer transmissão ao vivo através de um ingresso virtual pago e, para isso, projetou suas próprias câmeras. "Precisávamos criar câmeras de realidade virtual que não atrapalhassem a produção, mas também que superem a variedade de elementos que surgem com uma performance musical, sejam artistas pulando ao lado da câmera, líquidos ou fogos de artifício bem na frente deles ", diz Steven Hancock, co-fundador da MelodyVR, à "CNN Business".

Se os serviços dentro da realidade virtual para o mercado musical estão bem desenvolvidos, a eficiência dos equipamentos não estão acompanhando essa evolução. O fato do mercado de headsets continuar limitado é um verdadeiro desafio para as empresas que transmitem shows. “Até agora, bilhões de dólares foram gastos em pesquisa e desenvolvimento em RV, mas os dispositivos dedicados foram mais lentos do que o esperado para alcançar os consumidores”, avalia Matchett. É por isso que a MelodyVR ainda dá mais atenção para os smartphones como plataforma de distribuição de seu conteúdo. “Somente nos dois primeiros meses de lançamento, as instalações do aplicativo MelodyVR para smartphones ultrapassaram os aplicativos de RV criados para todas as outras plataformas em um ano", contabiliza o presidente.

A MelodyVR diz que criará um headset proprio, parecido com o Google Daydream. Foto: Getty Images
A MelodyVR diz que criará um headset proprio, parecido com o Google Daydream. Foto: Getty Images

Mas a MelodyVR quer se antecipar e diz que lançará este ano seu próprio headset, estilo Google Daydream, para ser usado com o aplicativo de telefone. "O dispositivo oferece uma experiência comparável ou melhor que o Oculus Go, mas estará disponível para os consumidores por cerca de 10% do custo de um dispositivo RV", afirma Matchett. Só por curiosidade, o fone multifuncional Oculus Quest custa US$ 399 (cerca de R$ 1785), enquanto um Oculus Go básico custa em torno de US$ 199 (R$ 890). Ou seja, terá um preço de cerca de US$ 20 (R$ 89) e acompanhará com funções de tela e alto-falante.

O MelodyVR não é a única empresa a oferecer apresentações musicais em RV. O Oculus Venues do Facebook oferece experiências ao vivo de eventos esportivos e espetáculos de comédia. No ano passado transmitiu ao vivo um show de Billie Eilish em Madri. O NextVR oferece, além de eventos esportivos e shows — como um do Imagine Dragons em 2017 em Los Angeles — "experiências musicais imersivas" filmadas em boates e estúdios.

Uma convidada do show do Umagine Dragns, que foi transmitido virtualmente pelo  NextVR . Foto: Getty Images
Uma convidada do show do Umagine Dragns, que foi transmitido virtualmente pelo NextVR . Foto: Getty Images

A ABI Research, que realiza pesquisas na área tecnológica, prevê que o mercado de RV ultrapassará US$ 24,5 bilhões em receitas até 2024. Mesmo diante de tal crescimento, ninguém espera que o público "comum" de shows vá diminuir. Hancock, por exemplo, descarta a possibilidade de que shows ao vivo em RV poderiam significar que os fãs não vão mais comparecer às apresentações reais. "Se alguém pode ir a um show, ele sempre irá! Mas há as limitações, sejam restrições geográficas, de idade, custos... É quando percebemos que pode haver uma oportunidade de quebrar todas essas barreiras e globalizar verdadeiramente a música", observa.

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