Como foi o ano de ouro do Motörhead, em 1979, há quatro décadas
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Como foi o ano de ouro do Motörhead, em 1979, há quatro décadas

O Motörhead foi fundado em 1975 pelo baixista e vocalista Lemmy Kilmister (1945-2015), um "exilado" do grupo Hawkwind supostamente por usar drogas pesadas demais. Apenas dois anos depois, em 1977, a banda conseguiu lançar seu disco de estreia, autointitulado, que até teve bons resultados e fez com que o Motörhead pudesse ter uma carreira. Mas foi somente quatro anos após a criação do grupo que os integrantes começaram a colher tudo o que plantaram. E isso só foi possível graças aos álbuns "Overkill e "Bomber", verdadeiros marcos da história do rock pesado, e lançandos no mesmo ano da graça, 1979.

Há quatro décadas, portanto, o Motörhead vivia seu "ano de ouro", e o mesmo acontecia com outros atos da cena de rock n' roll pesado. Em 1979, o AC/DC lançou o "Highway to Hell" e o Judas Priest divulgou o disco ao vivo "Unleashed In The East". O único que se deu mal nesse período foi Ozzy Osbourne, "demitido" do Black Sabbath.

Mas vamos voltar a 1975, ano em que o Motörhead foi fundado. Naquela época, o grupo chegou a gravar um disco, batizado de "On Parole", mas o material foi considerado tão mais ou menos que sequer saiu da gaveta. Ele só viu a luz do sol em 1979. Por conta do fracasso, alguns integrantes saíram, outros entraram na banda, e uma gravadora, a Chiswick Records, acreditando no potencial do Motörhead, ofereceu três dias de estúdio para que os músicos realizassem um single de "despedida". Em tempo recorde, eles gravaram o primeiro álbum para valer e decidiram seguir juntos.

Se não fosse por essa "segunda chance", a banda sequer teria continuado e feito os bem-sucedidos discos "Overkill", lançado em março de 1979, e "Bomber", divulgado em outubro. Valeu a insistência, né?

O site "Louder Sound" descreveu exatamente como cada um destes álbuns foi elaborado. "Overkill", por exemplo, começou a ser feito em 1978 e e foi a primeira vez em que os integrantes do grupo entraram em uma gravação de estúdio realmente profissional. "Antes, os álbuns do Motörhead eram gravados ao vivo", disse Lemmy, há alguns anos.

Entre dezembro de 1978 e janeiro de 1979, a banda se dividiu por dois estúdios, o Roundhouse e o Sound Development, ambos em Londres. "Estivemos por lá umas seis semanas", declarou o líder da banda. "Tivemos muito tempo em relação ao disco anterior, que gravamos em três dias. Mas, paralelamente, também estávamos fazendo shows. Então foi um bom termômetro para ver se aquele material estava dando certo."

Uma das faixas de "Overkill", "Metropolis", foi feita às pressas para que o disco fosse finalizado. Afinal, horas e horas no estúdio custam caro. E os músicos não eram ricos. A canção foi inspirada no filme de mesmo título do alemão Fritz Lang (1890-1976). "Tive que criar algo do dia para a noite. E lembro que fui no cinema em Portobello Road naquela noite. Assisti a 'Metropolis' e isso me deu a criatividade que faltava para criar uma música", descreveu Lemmy.

"Overkill" fez com que o Motörhead conquistasse mais fãs e bons números de alcance nas rádios da Inglaterra. O disco provou ao mundo a força do grupo. Mas ainda era pouco. Em outubro, veio o "Bomber", e a coisa ficou ainda mais séria.

Como "Overkill" foi um dos 30 discos mais tocados na Inglaterra, o Motörhead foi convidado — duas vezes! — para tocar no programa "Top Of The Pops". Isso já era o suficiente para considerar o grupo como um dos mais legais daquele tempo, mas Lemmy não estava satisfeito. Principalmente, porque todos continuavam "pobres", ganhando "apenas" 40 libras por semana.

"Foi uma época complicada, e a gravadora achava que aquilo que conquistamos foi por sorte. Então, eles pediram um novo álbum até o fim do ano. Tivemos que correr, mas, quer saber, fodam-se eles", bradou Lemmy.

Lemmy Kilmister em sua casa em Londres, em agosto de 1980/Getty Images
Lemmy Kilmister em sua casa em Londres, em agosto de 1980/Getty Images

Antes de começar a desenvolver "Bomber", o Motörhead ficou três dias preso na Finlândia, sob a acusação de que a banda teria "destruído todo o palco" do festival Punkaroka Midnight Sun. "Ao menos, fazer o novo disco nos afastou de confusões", disse o líder do grupo. Mas, bem, isso não é inteiramente verdade, pois as drogas utilizadas pela equipe de produção e pelos músicos causaram alguns problemas até a conclusão do álbum.

"Eu só usava speed (anfetamina) porque me ajudava a fazer bem meu trabalho", garantiu Lemmy. "Mas no caso de Jimmy Miller, a heroína acabou com ele. O cara se atrasava demais para as gravações e dava as piores desculpas."

Ao menos, essa situação constrangedora do com produtor Jimmy, que foi demitido pelos Rolling Stones por conta de seu vício, inspirou a faixa "Dead Men Tell No Tales", cuja letra é totalmente anti-heroína. Isso pode soar como hipocrisia, uma vez que Lemmy era uma "farmácia ambulante", mas ele não admitia que as drogas atrapalhassem seu trabalho.

Graças a essa "ética profissional" de Lemmy, o Motörhead conseguiu lançar o seu disco mais clássico, e um dos mais bem recebidos pelo público. Eles até poderiam ser amedrontadores, grosseiros, drogados e mal-encarados, mas faziam música boa e estavam, a partir desse álbum, realmente fazendo dinheiro.

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