Como o Blackpink virou o maior girl group do mundo
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Como o Blackpink virou o maior girl group do mundo

Elas foram reunidas em 2016 para formar um grupo que, a princípio, ocuparia o lugar do recém-desfeito 2NE1. Mas as rappers Jennie e Lisa e as cantoras Jisoo e Rosé não se contentaram com isso e, em pouco tempo, tornaram o Blackpink uma potência mundial. Elas alcançaram números impressionantes de seguidores e de faturamento, batendo vários recordes, como o do grupo de k-pop com mais inscrições no Youtube atualmente, ocupando o 8º lugar no ranking mundial — para se ter ideia, o BTS está em 15º lugar.

Dos primeiros comentários sobre o surgimento do girl group em 2016 até chegar ao estrelato que ultrapassa os limites da Coreia do Sul não foi necessário muito tempo de estrada. Rapidamente o Blackpink se livrou do apelido de "novo 2NE1", bastando algumas aparições em programas de TV coreanos para um crescente número de fãs perceber que as meninas tinham uma identidade própria.

O Blackpink na apresentação durante o  Gaon Chart K-Pop Awards, em Seul. Foto: Getty Images
O Blackpink na apresentação durante o Gaon Chart K-Pop Awards, em Seul. Foto: Getty Images

Hoje, o Blink (nome do fã-clube do grupo feminino) reúne milhões ao redor do planeta. "Tudo nelas me fez virar fã. A maneira como se apresentam, suas músicas e coreografias icônicas, sua amizade e até a maneira como se vestem. Blackpink esta em um nível totalmente novo", diz uma fã peruana em entrevista à "Vogue" inglesa. "O Blackpink tem esse sentimento carismático e envolvente. Elas são a visualização do puro talento e energia que um grupo feminino de k-pop deve ter. Eles são o pacote inteiro para mim", diz outro admirador das Filipinas.

A revista inglesa tenta desvendar os segredos desse sucesso desmedido do Blackpink apontando bem mais do que o carisma e talento das meninas desde a sua estreia em agosto de 2016 com o single "Square One", que foi um sucesso da noite para o dia com as canções "Whistle" e "Boombayah".

Para começar, a YG Entertainment, que gerencia o Blackpink, decidiu trabalhar de forma diferente. Mesmo tendo lançado o single seguinte três meses depois ("Square Two", com as músicas "Playing With Fire", "Stay" e uma versão acústica de "Whistle"), a empresa passou a "segurar" os novos lançamentos. Enquanto os grupos de k-pop têm em média dois ou três lançamentos — os conhecidos "retornos" — por ano, numa clara tentativa de aumentar e manter os fandoms, o Blackpink trabalha com menos. "As If It Is Your Last", o single de 2017, foi lançado oito meses após o anterior e dele, foi preciso mais um anos para chegar o EP "Square Up". O lançamento, aliás, ganhou disco de platina na Coréia do Sul, alcançou ouro nos EUA e o hit "Ddu-Du Ddu-Du" tornou-se seu primeiro vídeo com mais de 1 bilhão de visualizações.

O que aparenta ser uma alternativa digna para escapar da saturação e consumo rápido, é também uma estratégia para criar expectativa e demanda cada vez maiores. Assim, cada retorno se transforma em um acontecimento mundial. Finalmente, um ano após o último disco ("Blackpink In Your Area"), foi anunciado um novo trabalho para junho. Antes, as meninas vão aparecer na faixa "Sour Candy", do próximo álbum de Lady Gaga, "Chromatica".

Muitos devem imaginar que as integrantes gozam de um bom tempo de folga, mas é justamente o contrário. Aliás, é muito por conta dessas atividades constantes que está mais um segredo do sucesso do Blackpink. Elas costuma falar frequentemente com os fãs pelo Instagram- são quase 130 milhões de seguidores — e estão sempre ligadas ao mundo da moda. Jisoo se tornou o rosto das marcas Kiss Me, Dior e Burberry; Rosé foi convidada por Anthony Vaccarello para ser embaixadora da Saint Laurent; e Jennie está ao lado de Cardi B na Chanel, também como embaixadora. Lisa, que é musa da maison parisiense Celine, viajou a Milão em fevereiro para o desfile outono/inverno 2020 da Prada. E assistiu da primeira fila, é claro.

Lisa, do Blackpink, na primeira fila do desfile da maison Celine durante o Paris Fashion Week de 2019. Foto: Getty Images
Lisa, do Blackpink, na primeira fila do desfile da maison Celine durante o Paris Fashion Week de 2019. Foto: Getty Images

Mesmo que o grupo tente equilibrar a exposição das integrantes — "Eu não acho que um membro específico deva dançar mais ou um membro cantar mais. Eu acho que a harmonia está completa por causa da energia de cada pessoa”, disse Jennie à "Vogue Korea" no início deste ano —, é Lisa quem vem atraindo mais os holofotes. A cantora acaba de assinar contrato com a P&G para divulgar o Downy China, e também com uma das maiores empresas de laticínios daquele país (que ainda não teve o nome revelado). De acordo com a YG Entertainment, "além das duas empresas, vários setores do mercado chinês estão interessados em Lisa". Sua popularidade na China cresceu muito depois que ela participou do programa "Youth With You".

Se o mercado chinês está favorável de forma publicitária — não custa lembrar que o grupo é primeiro formado por mulheres de qualquer país a constar na lista Forbes Asia 30 Under 30 —, outros já a abraçaram musicalmente. O Blackpink assinou com a Interscope Records, nos Estados Unidos, em 2018, algo que nenhum grupo feminino sul-coreano havia feito desde o Girls' Generation em 2012. E foi o primeiro grupo feminino de k-pop a tocar no Coachella.

"Kill This Love", o single-título de seu novo EP, alcançou o top 40 do Reino Unido e o top 50 dos EUA, tornando o Blackpink e o BTS os únicos grupos sul-coreanos a entrar nessas paradas de difícil acesso. Em 2019, o single quebrou três recordes mundiais do Guinness: teve mais de 312 milhões de reproduções no Spotify, mais de 824 milhões de visualizações no YouTube e bancou a turnê de maior sucesso financeiro de um grupo feminino coreano.

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