Como um disco do King Crimson levou uma geração até 'The Dark Side of The Moon',  do Pink Floyd
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Como um disco do King Crimson levou uma geração até 'The Dark Side of The Moon', do Pink Floyd

Há 50 anos, mais precisamente no dia 10 de outubro de 1969, o King Crimson lançava seu celebrado álbum de estreia, "In the Court of the Crimson King". Este disco é emblemático por sua sonoridade e experimentação, partindo do que até então se entendia por rock psicodélico, e se valendo de letras poéticas, que influenciaram, e muito, outras bandas surgidas nos anos 1960, como Pink Floyd, Yes e Genesis. Na verdade, a obra é tão importante que é considerada como pioneira do gênero rock progressivo.

Ian Macdonald, membro fundador do King Crimson e multi-instrumentista (tocou flauta, sax e teclados no disco de estreia do grupo), contou ao jornal "The Independent" que o álbum "mudou completamente o jogo" da época. "Eu sequer conseguia definir o que havíamos acabado de criar", disse ele, que compôs boa parte das oito faixas de "In the Court of the Crimson King". "Nunca pensamos nesse disco como rock progressivo. Esse termo me faz rir, porque ele sequer estava sendo usado na época."

Para além do King Crimson, outras bandas estavam abandonando elementos do blues que inspiravam o rock no fim dos anos 1960. O Deep Purple em setembro de 1969 apresentou seu "Concerto For Group And Orchestra" no Royal Albert Hall, em Londres; Moody Blues e Procol Harum lançaram discos impressionantes acenando para essa tendência naquele mesmo ano. E o Yes passou a trabalhar diferente depois de ouvir a estreia do King Crimson. Genesis, Yes, Pink Floyd e outros já estavam na ativa. Mas nenhum desses grupos conseguiu o mesmo que o grupo de Robert Fripp em 1969. "Eles criaram uma obra-prima misteriosa", como definiu Pete Townshend, do Who.

Para falar sobre "In the Court of the Crimson King", e todos os outros trabalhos do King Crimson, não há como deixar de destacar a visão musical do mago da guitarra Robert Fripp. Ele deixaria sua marca também em outros trabalhos do pop rock, como "Heroes", de David Bowie. Outro nome que precisa ser exaltado é o de Greg Lake (1947-2016), baixista e vocalista da banda, que depois migrou para o Emerson, Lake & Palmer. Mas fez na estreia do KC vocais memoráveis, em estilos variados, não só no registro mais doce com que se tornou conhecido.

Alguns elementos chaves fazem de "In the Court of the Crimson King" o disco que definiu para sempre o gênero rock progressivo. A começar pelo formato das composições, do sinfônico às explorações livres jazzísticas, experimentos nas texturas e liberdade na escolha de instrumentos, com o Mellotron de Ian McDonald dando um template para vários sucessores no prog. E algo que ficou marcado até no imaginário de quem nunca ouviu uma faixa sequer da banda é a capa do disco, pintada, com cores para lá de vibrantes, por Barry Godber.

Graças ao disco de estreia do King Crimson, os álbuns de rock progressivo que o sucederam passaram a ter apoio das gravadoras não só nos gastos de produção, mas também nos gastos de promoção. Até que viesse o clássico blockbuster conceitual "The Dark Side of the Moon", do Pink Floyd, lançado em 1973 e até hoje um imenso sucesso, seja em vendas ou streaming. O progressivo reinou até a chegada do punk rock, com sua característica minimalista e crua, o total aposto. "O King Crimson foi inteligente ao anunciar um hiato em 1974", avaliou Robert Fripp. "Assim, não ficamos associados aos idiotas que estragaram o gênero."

A banda, ao longo dos anos, foi e voltou muitas vezes, mas permanece intacta e 100% verdadeira ao seu som característico, que ficou eternizada no coração dos fãs. Um pouco disso foi visto no Rock in Rio deste ano, em apresentação compacta, no Palco Sunset, que incluiu no encerramento o tour de force "21st Century Schizoid Man", uma das principais faixas de "In the Court of the Crimson King".

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