Computadores apontam quem foi o compositor mais inovador entre 1700 e 1900
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Computadores apontam quem foi o compositor mais inovador entre 1700 e 1900

Uma nova pesquisa feita a partir de um programa de análise musical desenvolvido por programadores sul-coreanos aponta: Sergei Vasilievich Rachmaninoff (1873-1943), o compositor, pianista e maestro russo, foi o mais inovador da história da música clássica entre os séculos XVIII e XX. A escolha o coloca logo à frente de Bach, Brahms e Mendelssohn. Outro gigante, Beethoven (1770-1827), cuja música veio entre as eras clássica e romântica, é o mais influente do período, claro. Mas o estudo não considerou suas obras tão diferentes do que veio antes.

O texto publicado na revista EPJ Data Science mostrou que a música de Rachmaninoff é a mais inovadora quando comparada às composições dos outros compositores incluídos no período entre 1700 a 1900 os dois séculos decisivos na história da música clássica.

Rachmaninoff em seu piano em 1920: o mais inovador segundo cálculo de um programa de computador. Foto> Getty Images
Rachmaninoff em seu piano em 1920: o mais inovador segundo cálculo de um programa de computador. Foto> Getty Images

O resultado vem de um modelo de programa de computador criado por sul-coreanos, que calculou o resultado a partir de partituras de 900 composições de piano escritas por 19 compositores. As pontuações e classificações foram baseadas em como as composições diferiam de todas as peças anteriores para piano do mesmo compositor. "Nosso modelo nos permite calcular o grau de melodias e harmonias compartilhadas entre obras passadas e futuras e observar a evolução dos estilos musicais ocidentais, demonstrando como compositores proeminentes podem ter sido influenciados", diz o autor Juyong Park.

Os pesquisadores apontam que eles consideraram apenas composições para piano, advertindo que os resultados poderiam ter sido diferentes se outros trabalhos, além dessas composições para piano, tivessem sido incluídos em suas análises. No entanto, os resultados são uma boa base para uma discussão entre os amantes da música clássica.

Significativamente — e não surpreendentemente — a inovação não se correlaciona necessariamente com a influência. Beethoven foi classificado na metade inferior das pontuações de em inovação, por exemplo, mas foi o compositor mais influente durante o período romântico. Da mesma forma, os compositores clássicos Haydn e Mozart foram considerados influentes em seu tempo, mas suas composições não evoluíram significativamente ao longo da vida.

“A novidade mede o quão diferente é uma obra do passado, representando a originalidade e a imprevisibilidade da geração. A influência mede quanto uma obra teve referências no futuro, representando seu sucesso e impacto como uma inspiração para futuras criações”, escrevem os autores do artigo. E exemplificam com Beethoven, Schubert e Liszt, que eram menos inovadores que Mendelssohn e Schumann, mas acabaram exercendo uma maior influência e inspirando mais pianistas.

Rachmaninoff é apontado como uma das maiores influências na linguagem das trilhas orquestrais do cinema, arte desenvolvida ao longo do século XX — até hoje, aliás, nos scores da sétima arte, seu romantismo tardio ainda vigora. Além disso, sua presença e seus ecos na música pop são algo que salta aos ouvidos de tempos em tempos, com casos muito notáveis em hits dos anos 1970 de Eric Carmen. A "Sinfonia Nº 2" em mi menor, escrita entre 1906 e 1907, é fonte de várias derivações, homenagens e pilhagens — involuntárias ou não.

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