Conheça a banda que faz shows embaixo d’água com instrumentos especiais
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Conheça a banda que faz shows embaixo d’água com instrumentos especiais

Uma sala silenciosa e um público que mal se mexe na cadeira para evitar qualquer tipo de ruído. Pouquíssimos focos de luz. No palco, cinco músicos fazem uma apresentação cuja melodia tocada é, ao mesmo tempo, soturna e apaziguadora. O cenário poderia ser bastante usual se a apresentação em questão não acontecesse completamente embaixo d'água. Todos os músicos, instrumentos e a captação de som, tudo, está submerso em cinco tanques dispostos lado a lado que, juntos, usam nove mil litros de água e pesam mais de 11 toneladas.

O espetáculo “Aquasonic” é uma produção inovadora de uma banda aquática criada pela organização dinamarquesa Between Music. Fundada por Robert Karlsson, violista e violinista profissional, e pela cantora e compositora Laila Skovmand, a companhia desenvolve projetos musicais que misturam artes visuais, performances ao vivo e novas tecnologias: três características presentes no espetáculo, que usa instrumentos desenvolvidos especialmente para funcionar embaixo d’água.

“O ‘AquaSonic’ é a primeira parte de quatro obras inspiradas na evolução humana. Como a vida começou na água e nós, como seres humanos, também começamos a nossa vida na água, o espetáculo explora o que todos nós temos em comum. Nossa relação com a água, que vai além de quaisquer diferenças culturais ou religiosas”, contou Robert Karlsson, em entrevista ao Reverb. A primeira apresentação completa da produção foi realizada na Holanda em 2016 e, em 2017, a companhia fez sua estreia na Dinamarca, ainda maior do que havia sido a do ano anterior.

Até a produção ficar pronta, os músicos passaram dias em um processo de treinamento e ensaios subaquáticos. Em determinados momentos, chegaram a ficar até sete horas dentro dos tanques. Karlsson conta que, para permanecerem submersos, os artistas usam cintos com pesos que ajudam a manter o equilíbrio. O espetáculo é resultado de uma série de experiências em colaboração com mergulhadores, fabricantes de instrumentos e cientistas.

“A acústica sob a água é muito diferente da do ar. E a densidade na água cria uma resistência que interrompe as vibrações muito rapidamente. Por isso, tem sido um processo muito longo para criar instrumentos que soem bem na água e, ainda mais, descobrir maneiras de fazê-los soar da mesma forma o tempo todo. Descobrimos que, por exemplo, se você mover um instrumento apenas 10 centímetros dentro do tanque, o som será muito diferente. Ou se a água estiver muito quente ou muito fria. Muitos fatores são essenciais para criarmos, para que possamos fazer a música e os sons que queremos", diz Robert.

A Rotacorda, instrumento encomendado pelo Between Music / Charlotta de Miranda / Divulgação
A Rotacorda, instrumento encomendado pelo Between Music / Charlotta de Miranda / Divulgação

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