Conheça DMG, a parceira 'invisível' que corre atrás da liberação de samples para Drake, Eminem e Jay-Z
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Conheça DMG, a parceira 'invisível' que corre atrás da liberação de samples para Drake, Eminem e Jay-Z

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Quando Drake, Kendrick Lamar, DJ Khaled, Dr. Dre e outros tantos astros do hip-hop e da eletrônica querem usar um sample de uma canção alheia sem se meter em problemas legais, eles têm uma arma secreta. Deborah Mannis-Gardner, a "Rainha da liberação musical", fundou a empresa DMG Clearances em 1996 para ajudar artistas a "limpar" samples — ou seja, garantir que um compositor e/ou produtor possa samplear trechos de outras músicas sem temer processos por plágio ou uso indevido. 

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Deborah, mais conhecida apenas como DMG, negocia os termos de uso de composições já existentes em novas canções, ou a inclusão de canções em trilhas sonoras de filmes e videogames. Ela já prestou este tipo de serviço para inúmeros artistas, de Run-DMC a Eminem; também é responsável pelo licenciamento do catálogo do Led Zeppelin, banda conhecida por raramente liberar suas faixas. 

O trabalho que profissionais como DMG começaram a fazer há mais de 20 anos contribuiu para prestar reconhecimento — e royalties — a incontáveis artistas sampleados em sucessos do hip hop. "Se você é um artista e outros músicos querem samplear sua voz, creio que você deveria deixá-los fazer isso. Mas não de graça. Música tem emoção, tem significado, tem valor. Por que deveria ser de graça? Os artistas e compositores dependem disso para continuar a criar mais música", diz ela.

"Nos anos 80, o ato de samplear era simplesmente considerado um roubo", conta DMG hoje, refletindo sobre as mudanças (legais e artísticas) que se desenrolaram no hip-hop desde então. "As pessoas diziam que os artistas de hip-hop não tinham talento, não tocavam instrumentos, que aquilo tudo não iria durar muito tempo. Hoje, é muito bom ver o gênero ser reconhecido pela indústria. O hip-hop domina as paradas." Mas segundo ela, advogada de formação, ainda é necessário mais entendimento sobre o papel do sampling na criação musical e os limites para seu uso. "Samplear é um talento. É uma habilidade musical reconhecida até pela Berklee School of Music. Precisamos esclarecer e entender mais ainda todo esse processo."

Deborah acredita que as muitas polêmicas envolvendo o uso de samples por artistas de hip-hop têm um componente de discriminação racial. "Quando escuto música country ou rock alternativo, ouço muitas canções 'similares' a outras... mas quando se trata de hip hip, a questão imediatamente se transforma em uma ação judicial. Me diga: isso não é preconceito? Ainda vivemos num mundo muito racista, e definitivamente a indústria musical trata esse tema usando dois pesos e duas medidas." 

Isso não quer dizer que o artista que sampleia seja isento de responsabilidades. "Sempre aconselho a todos os produtores: nunca lance uma música que contenha samples que não foram devidamente liberados. Se você é um artista e não tem dinheiro para pagar esse trabalho, há sites como o TrackLib (www.tracklib.com) ou o Spice (www.spice.com) que fazem o trabalho por você, oferecendo samples já liberados com os quais se pode trabalhar sem problemas."  

Mesmo com o reconhecimento (e os potenciais lucros) obtidos pelo hip-hop contemporâneo, DMG conta que alguns obstáculos ainda são intransponíveis. "Quando Prince era vivo, ele não permitia a ninguém samplear suas músicas. Kendrick Lamar o procurou para liberar um sample; ele ouviu a música e disse: 'Ei, cara, adorei o som, mas não posso permitir.' Nem tudo é feito para ser sampleado".


Kendrick Lamar não conseguiu samplear uma música do Prince
Kendrick Lamar não conseguiu samplear uma música do Prince

Recentemente, a advogada supervisionou a trilha sonora da série documental "The Defiant Ones", que conta a história da parceria entre o produtor e rapper Dr. Dre e o executivo da indústria musical Jimmy Iovine. "Dre queria usar um trecho de uma canção que não estava disponível. Negociamos por dois anos, mas acabou não acontecendo. Na verdade, o detentor dos direitos tinha dito 'sim', mas não assinou o contrato e desistiu na última hora. Fiquei muito triste... e nem posso contar qual foi a música em questão." 

Dr. Dre e Jimmy Iovine: desistência de última hora. Crédito: Getty
Dr. Dre e Jimmy Iovine: desistência de última hora. Crédito: Getty

Em uma indústria musical que passa por uma fase de grandes transformações, Deborah afirma que seu trabalho mudou diante dos avanços do mercado. "Tudo vai convergir para o streaming. Há cinco anos, eu previ que o iTunes iria acabar e que ninguém mais baixaria música. Então, aqui na DMG nós reformulamos todo o nosso processo de negociação. Não há mais direitos autorais sobre a venda de discos. Os artistas vão se sustentar fazendo shows, divulgando sua imagem, fazendo merchandising. A receita não virá mais da música em si, e sim da forma como a música é usada."

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