Conheça Fatou Seidi Ghali, a primeira mulher tuaregue a seguir carreira como guitarrista
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Conheça Fatou Seidi Ghali, a primeira mulher tuaregue a seguir carreira como guitarrista

Fatou Seidi Ghali é considerada a primeira mulher tuaregue da história a seguir a carreira profissional como guitarrista. Desde 2016, ela faz parte do grupo Les Filles de Illighadad (em tradução livre, "Filhas de Illighadad", um pequeno vilarejo no deserto do Saara, localizado no lado ocidental do Níger), banda que ajudou a fundar com sua prima, Alamnou Akroun, uma percussionista que a acompanha nos vocais.

A região de onde vem a jovem Fatou, que sequer sabe sua verdadeira idade — ela chuta em torno de 20 e poucos anos, já que não tem certidão de nascimento —, é conhecida por produzir alguns guitarristas homens celebrados, como Bombino, Mdou Moctar e Ibrahim Ag Alhabib, da banda Tinariwen. Mas mulheres, até agora, apenas ela e mais uma garota, sua pupila Fatimata Ahmadelher.

A segunda guitarrista tuareg da história conhecida, Fatimata, também toca na banda Les Filles de Illighadad junto de Alamnou e Abdoulaye Madassan, irmão de Fatou. Todos, assim como a líder do grupo, têm 20 e poucos anos, mas desconhecem a data exata do nascimento.

Fatou Seidi Ghali, a primeira guitarrista do tuareg/Getty Images
Fatou Seidi Ghali, a primeira guitarrista do tuareg/Getty Images

Ao "Guardian", Fatou disse que foi apresentada ao instrumento graças a seu outro irmão, Ahmoudou. Ele trouxe uma guitarra da Líbia quando viajou ao país. Nessa época, a jovem já sabia tocar ngoni, um instrumento de cordas originário da África Ocidental, e começou a dedilhar a guitarra em segredo, sempre que seu irmão saia de casa. "Meu pai me dizia para parar de perder tempo", contou ela. "Ele me mandava ir olhar as vacas em vez de me dedicar à guitarra."

Apesar da falta de apoio dos familiares mais próximos, Fatou persistiu. Montou sua própria banda e começou a chamar a atenção de algumas pessoas, como Christopher Kirkley, um entusiasta da música que vive em Portland, nos EUA.

O Níger é um país com maioria da população islâmica, mas a cultura da etnia tuaregue, que é milenar, tem várias diferenças positivas na situação da mulher. As linhagens familiares são definidas pelas matriarcas, todas as mulheres têm direito a divórcio quando decidem se separar, e elas costumam ser as donas dos bens "fixos" (é um povo nômade). Apesar da participação na política ser muito desigual, não há na vida cotididana das mulheres submissão semelhante à vivenciada em outras sociedades islâmicas.

Em 2010, Christopher começou uma gravadora, a Sahel Sounds. Interessado em lançar artistas de origem bem distantes da sua, ele acabou conhecendo Fatou e sua banda. Foi até o vilarejo onde ela vivia e ficou apaixonado pelo o que ouviu — um som com forte influência dos gêneros musicais tendé, takamba e housa. Dessa experiência, nasceu o primeiro disco da banda — que na época era um duo —, "Les Filles de Illighadad", de 2016.

O trabalho de estreia da dupla Alamnou (no tendé, nome também usado para caracterizar um tambor tradicional tuaregue feito de pele de cabra) e Fatou (no violão), remete à sua vida e cultura seminômade dos tuaregues. As músicas do álbum são canções folclóricas que conheceram toda a vida. Abaixo, você pode escutá-las:

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