Coronavírus: shows em streaming, solução chinesa, podem virar tendência mundial
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Coronavírus: shows em streaming, solução chinesa, podem virar tendência mundial

As cidades chinesas com maior número de incidência do coronavírus estão em quarentena. O isolamento faz com que tudo passe a ser on-line, da entrega do supermercado às aulas. Todas as atividades diárias foram afetadas e até mesmo a capital Pequim está com as ruas vazias. E a indústria do entretenimento, como fica? A "Billboard", em página atualizada várias vezes ao longo do dia, calcula que pelo menos 20 mil shows agendados entre janeiro e março foram cancelados ou adiados. A solução foi transportar as apresentações musicais e culturais para dentro da casa das pessoas via streaming.

Segundo o site de música e tecnologia "CDM", o streaming já criava uma convergência popular entre músicos e artistas chineses em toda a região antes mesmo do fechamento dos espaços públicos. A diferença é que agora a interação online na China tornou-se essencial porque as pessoas estão isoladas em casa. Isso pode vir a ser a solução para países mais afetados pela epidemia, como a Itália, onde a indústria cultural sofre com um número galopante de eventos cancelados.

Um estudo do site "Hyperallergic" revela como os músicos da China se voltaram para a transmissão ao vivo e que bandas e DJs estão transformando suas casas em espaços de atuação. Os clubes, que estão até considerando apresentações on-line com ingressos, têm organizado noites de boate "stay at home". Os clubes ALL e Elevator, de Xangai, apresentaram sets de seus DJs residentes, como Kilo Vee, do coletivo Genome 6.66Mbp, e Michael Cignarale, na festa queer Medusa. Gravadoras como a Ruby Eyes e a Modern Sky, por sua vez, estão exibindo "vitrines" para artistas em sua lista.

O Vox Livehouse, grupo de punk rock de Wuhan, a cidade no coração do surto do coronavírus, foi um dos primeiros a usar o recurso. Agora, festivais de música por streaming viraram mania nacional, com gêneros variando de pop e hardcore punk a improvisação techno e experimental, como a série "em casa" do músico Zhao Cong.

Como o Facebook é bloqueado no país, assim como o YouTube e até o Google — o governo chinês faz uso de um firewall poderoso para bloquear os sites, mas muitos conseguem contornar a proibição usando VPNs que criptografam os dados pessoais - a maioria das apresentações acontece no BiliBili, um site chinês de compartilhamento de vídeos.

Esse é um serviço que possui dezenas de milhões de usuários, com um recurso de bate-papo com marcadores. A função, chamada Bullet Comments, é uma mistura de fóruns de discussão, bate-papo ao vivo e arte participativa que permitem uma aproximação on-line da vida real e uma vibração que se assemelha à uma festa. Dependendo da quantidade de comentários, a tela de texto chega a sobrecarregar o vídeo, enquanto piadas e memes podem criar uma "trilha paralela" de comentário a ser seguida, criando um público específico. "É como ir a uma sala de karaokê ou estar em um mosh pit sem sair de casa", disse o cantor He Fan, da banda Birdstriking, de Beijing, pioneira da cena underground chinesa. os músicos fizeram uma transmissão recentemente de "Strawberry Z", num set acústico ao vivo. O nome da música homenageia o Strawberry, um dos maiores festivais de música ao ar livre do país.

Os festivais e apresentações transmitidos on line podem ser temporários — a previsão é que as coisas voltem ao normal em maio — mas são conexões que estão se tornando profundamente enraizadas. Afinal, são eventos que mantêm a cena viva e animam as zonas de quarentena isoladas.

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