Crítico diz que rock só vai sobreviver se der voz às mulheres
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Crítico diz que rock só vai sobreviver se der voz às mulheres

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O jornalista e crítico de música John Harris é incisivo: para que o rock não morra, o gênero precisa cortar um parte de sua testosterona. Ou seja, nada mais justo que dar às mulheres lugar ao sol e representatividade num estilo por décadas tão masculinizado. Ele justifica a afirmação ao citar que o melhor disco de rock lançado em 2018 foi “Tell Me How You Really Feel”, de Courtney Barnett. A cantora australiana, de 30 anos, é considerada como a “voz paradoxal dos millennials”, e Harris a classifica como uma artista eloquente, com uma escrita atual e cheia de surpresas. Coisa que, convenhamos, muitas bandas de rock repletas de homens não representam desde… insira aqui seu palpite. 

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O autor do artigo para o "Guardian" diz que uma das melhores canções do álbum de Courtney é “Nameless, Faceless”, de clara inspiração no título da música do Nirvana, “Endless, Nameless” — Kurt Cobain, aliás, é um dos ídolos da artista. Harris observa que a letra da faixa é endereçada a um troll da internet, e que o refrão da canção parafraseia a autora de “O Conto da Aia”, Margaret Atwood. “I wanna walk through the park in the dark/Men are scared that women will laugh at them … Women are scared that men will kill them”, canta a jovem. 

Certa vez, Cobain escreveu que se sentia bem ao saber que o futuro do rock estava nas mãos das mulheres. E o líder do Nirvana parece estar mais correto do que nunca. Aos fatos, sublinhados no artigo de Harris: o prestigiado Mercury Prize deste ano, que aconteceu em setembro, foi dado ao grupo Wolf Alice, liderado pela jovem Ellie Rowsell. Todos os nomes mais interessantes do rock na atualidade envolvem mulheres: Courtney, Ellie, St. Vincent, a banda Savages e Goat Girl. E, como bem lembrou, a Fender declarou que 50% dos jovens que começam a tocar guitarra no Reino Unido e nos EUA são mulheres.  

Ok, muito otimismo até o parágrafo acima, mas Harris lembra como o mercado de shows mundo afora ainda é injusto quando se trata da representação feminina. Uma pesquisa do “Guardian” revelou que dos 370 shows realizados em apenas uma noite, e contabilizados pelo site Ents24.com, apenas 9% tinha presença 100% feminina em cima do palco, e apenas metade desse número representava artistas solo mulheres. 69% eram de bandas formadas apenas por homens. O restante, 22%, eram de grupos “mistos”.

Harris finaliza dizendo que, mesmo assim, sua filha frequenta aulas de bateria, e que mulheres estão indo cada vez mais às lojas de instrumentos. Quem sabe, daqui para frente, elas não salvem o rock de vez?

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