Da beatlemania ao 'exército' do BTS, passando pelas 'beliebers': como nascem as bases de fãs femininas?
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Da beatlemania ao 'exército' do BTS, passando pelas 'beliebers': como nascem as bases de fãs femininas?

É difícil acreditar no popularização de astros da música como Beyoncé, Lady Gaga, os Beatles, os Rolling Stones, Led Zeppelin e companhia sem a ajuda de sua leal base de fãs. O investimento de gravadoras e empresários seria totalmente inútil se não existisse um consumidor envolvido na outra ponta do negócio da indústria fonográfica. A mídia, por algum tempo, não entendeu muito bem esse processo, ridicularizando, muitas vezes, alguns admiradores, por dizer, mais "empolgados". Os alvos preferidos dos jornalistas eram totalmente previsíveis: jovens e mulheres.

Foi pensando nesse contexto, que a jornalista e autora Hannah Ewens escreveu o livro "Fangirls: Scenes From Modern Music Culture", lançado em julho de 2019. Através da obra, ela pretende compreender e incitar a reflexão sobre a identidade dos indivíduos que fazem parte deste nicho, constituído, majoritariamente, por jovens moças fãs de astros pop como Justin Bieber, One Direction, BTS, e mais qualquer artista da música extremamente cativante.

Em "Fangirls", Hannah analisa, capítulo após capítulo, a identidade de fãs de estrelas pop do século XXI — Beyoncé, Lady Gaga, One Direction — com breves entrevistas de músicos, fãs e também de artistas que são fãs de outros artistas. Apesar de tratar o assunto com distância em boa parte do livro, a jornalista também abre o jogo sobre seu lado fã: ela foi uma admiradora do movimento punk Riot Grrrl quando mais jovem e, hoje, é uma feminista defensora dos direitos LGBTQ+.

Fãs dos Beatles chorando durante apresentação da banda em Nova York, em 1967/Getty Images
Fãs dos Beatles chorando durante apresentação da banda em Nova York, em 1967/Getty Images

As abordagens da obra são embasadas por estudos de sociólogos, pesquisadores de estudos de gênero e outros jornalistas. Ah, e claro, pelos próprios fãs, que vivem na pele o que é estudado pela comunidade acadêmica. Com tanto material em mãos, Hannah afirmou seu compromisso em humanizar essa galera tão mal interpretada, seja em documentários sobre admiradores enlouquecidos, ou artigos jornalísticos de gente maldosa — como o repórter Paul Johnson, que escreveu para o jornal "New Statesman", em 1964. Na época, ele se referiu às fãs dos Beatles como "estúpidas, ociosas e fracassadas".

Um dos argumentos utilizados por Hannah para explicar tamanha adoração dos fãs por seus ídolos precede a cultura de massas, a indústria fonográfica e tudo o que conhecemos hoje. Afinal, o mesmo acontecia nas sociedades antigas em relação aos deuses, divindades, monarcas e outros símbolos de poder. Enfim, isso parece não ter mudado muito nos dias de hoje...

Outro diferencial do livro é que, além de conversar com as jovens garotas fãs de artistas contemporâneos, Hannah foi atrás de gente mais velha, que perseguia os Beatles e Elvis Presley, para ouvir essa parte da história, quando não havia internet e os fandoms não tinham a voz que têm hoje.

Ficou interessado no livro? Até o momento, ele só está disponível em inglês. Mas, se é o seu caso, vale a pena adquirir. Na Amazon, ele sai por US$ 15,95, o equivalente a R$ 65.

Capa de 'Fangirls', livro da jornalista Hannah Ewens/Divulgação
Capa de 'Fangirls', livro da jornalista Hannah Ewens/Divulgação

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