Daryl Hall & John Oates, perto dos 50 anos de carreira, querem festejar com álbum novo
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Daryl Hall & John Oates, perto dos 50 anos de carreira, querem festejar com álbum novo

Daryl Hall & John Oates vão passar a maior parte do primeiro semestre na estrada com uma turnê ao lado da banda Squeeze e da cantora KT Tunstall. Assim que os shows terminarem, eles pretendem parar e dar atenção para a primeira leva de músicas novas desde "Do It for Love", de 2003. "Estou no processo agora de apresentar algumas ideias. Tenho trabalhado com alguns parceiros, sobre os quais não quero falar ainda", disse Hall à "Rolling Stone". Sobre uma possível comemoração dos 50 anos de carreira, ele é categórico: "Não gosto de comemorações, marcos, prêmios... nada dessas porcarias".

Por enquanto, Hall está trabalhando independentemente de Oates. "Daryl mudou seu foco para Hall & Oates, o que é ótimo. Eu vou pular a bordo, com certeza, mas estamos apenas nas preliminares. Ele está muito empolgado e está passando um tempo na Europa, onde tem encontrado com alguns jovens produtores. Ele iniciará o processo rapidamente e, claro, eu entrarei mais tarde", promete Oates.

Daryl Hall & John Oates em uma apresentação no Kentucky, em 2019. Foto: Getty Images
Daryl Hall & John Oates em uma apresentação no Kentucky, em 2019. Foto: Getty Images

Hall logo explica que esse método de começar um álbum sozinho e trazer Oates depois está longe de ser incomum. "Nós não escrevemos muito juntos, nunca foi assim. Nós trilhamos caminhos separados de forma criativa pois precisamos ter esse espaço separado”, conta.

Duplas são notoriamente instáveis na história do rock. Dos Everly Brothers a Simon & Garfunkel, Kinks, Oasis e os Black Crowes, todos lutaram para permanecer juntos e em algum momento brigaram para se separar. De alguma forma, Hall e Oates conseguiram evitar o fim. "A diferença é que não somos uma dupla, tipo Simon & Garfunkel. Somos duas pessoas que dirigem uma banda. É mais como Mick Jagger e Keith Richards", esclarece Hall.

Este ano marca o 50º aniversário de sua parceria, mas eles não estão aliando a turnê atual à data e nem têm planos de comemorá-la. "É o mesmo motivo pelo qual não vou a reuniões de escola. Não gosto de comemorações, marcos ou prêmios... de nada disso. É tudo trabalho para mim". avisa Hall. Também está fora de questão um show especial, onde eles tocariam um de seus álbuns clássicos, como "Private Eyes" ou "H20". "Não gosto dessa ideia. Eu já recebi propostas, mas não é algo que eu pense muito, para ser honesto", diz Oates.

Eles se conheceram na Temple University em 1967, onde foram colegas de quarto, mas não reuniram seus talentos até 1970. "Nós éramos hippies andando pela Filadélfia. A coisa toda foi baseada em 'Ei, cara, eu tenho algumas músicas. Você tem algumas músicas. Não estou feliz com o que estou fazendo e você está insatisfeito também. Por que não fazemos algo juntos e apenas vemos o que acontece? Foi casual”, conta Oates.

Hall e Oates no início de carreira, nos anos 1970: parceria casual. Foto: Getty Images
Hall e Oates no início de carreira, nos anos 1970: parceria casual. Foto: Getty Images

Um dos primeiros shows aconteceu em uma galeria de arte no centro da Filadélfia. Sem uma banda, subiram ao palco com apenas um bandolim, piano e violão. "Percebemos naquela noite que as pessoas na plateia não eram da nossa idade. Havia pessoas nos seus 20 e poucos anos, mas também nos seus 40 e 50. Isso ainda é assim até hoje, pois nossa música dialoga com uma grande variedade de pessoas. Muitos que vêm aos nossos shows agora são jovens o suficiente para serem nossos netos”, observa Oates.

A popularidade da banda atingiu o auge nos anos 1980, quando hits como "Out of Touch", "Maneater" e "Kiss on My List" eram inevitáveis na MTV e nas rádios. Isso acabou atrelando a imagem deles, pelo menos para fãs casuais, a uma era de roupas bregas, mullets e bigodinho. "Todo mundo tem álbuns de fotos escondidos em seus armários com cortes de cabelo terríveis e más escolhas de roupas. Só que as minhas estão na TV pelo resto da minha vida. Não há nada que eu possa fazer. Se eu me arrependo da era MTV, tinha que ter tido mais discernimento na hora de escolher os diretores e os conceitos que usamos em nossos vídeos”, reconhece Oates.

O visual anos 1980 de Hall e Oates, com mullets, roupas extravagantes e o famoso bigodinho. Foto: Getty Images
O visual anos 1980 de Hall e Oates, com mullets, roupas extravagantes e o famoso bigodinho. Foto: Getty Images

Mas nenhuma fase, digamos, visualmente equivocada, abalou o sucesso dos dois, que continuam lotando arenas e casas de shows ano após ano. O único problema - se isso pode ser chamado de problema - é que eles têm muitos hits para compor um show. "Nós gostamos de alterná-los. No ano passado, lançamos 'Is It a Star', do álbum 'War Babies', que provavelmente não tocávamos desde 1975. Os hits dos anos 1980 são tão onipresentes que gostamos de fazer alguns cortes dos anos 1970 para dar uma visão mais equilibrada de nossa carreira”, explica Oates.

E apesar de Hall agora ter 73 anos e Oates ter 71 anos, a ideia de uma turnê de despedida nunca esteve em questão. "Acho que nunca faríamos uma turnê de despedida. Todas que eu já ouvi não acabaram sendo uma despedida, então não sei o que diabos isso significa. Claro, se é uma jogada de marketing, por que não? Todo mundo precisa de um gancho, um truque", opina Oates.

No momento, Oates concentra sua energia criativa em seu trabalho solo. Ele lançou quatro álbuns por conta própria nos últimos 12 anos e os divulga em turnês em pequenos espaços. "Isso me mantém equilibrado. Eu apareço com meu violão na mão e coloco o amplificador na parte de trás do meu carro. É real e eu amo isso. Então, eu vou lá com Daryl e estamos voando em aviões particulares, tocando no Garden e fazendo tudo isso. É maior que a vida. Eu amo isso", diz ele.

Enquanto isso, Hall apresentou o programa "Live From Daryl's House" de 2007 a 2017. Em 2014, ele fez o Daryl’s Restoration Over-Hall" na DIY Network. Para poder ter tempo para tocar suas atividades solo, os dois fecham uma agenda de 40 a 50 shows juntos por ano (no ano passado, fizeram sua estreia em Brasil, em São Paulo). "Chegamos a um ponto em que ambos temos que cuidar de nossas próprias vidas. Isso significa que temos que fazer menos shows, mas cada show é muito importante”, diz Hall.

E é o prazer em tocar que ainda move a dupla. "Ainda há um sentimento exaltado quando estou cantando e tudo está funcionando da maneira que deveria funcionar. É um sentimento muito prazeroso. A única razão pela qual ainda faço isso é esse sentimento, essa realização”, afirma Hall.

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