Dave Grohl lembra as canções mais marcantes da carreira: 'Não sabia que um dia seria Freddie Mercury'
Rock in Rio 2019

Dave Grohl lembra as canções mais marcantes da carreira: 'Não sabia que um dia seria Freddie Mercury'

O "quartel general" dos Foo Fighters no Vale de São Fernando, em Los Angeles, é uma espécie de armazém e um templo para o líder do grupo, Dave Grohl. Cada corredor do local é decorado com prêmios e discos de sua banda e de outras com quem trabalhou: Nirvana, Queens of Stone Age, Tenacious D, entre outros projetos "menores". Ele guarda todo tipo de honraria adquirida nos anos de carreira como músico, inclusive uma prancha de surf customizada especialmente para ele, feita na Austrália.

No fundo do armazém, fica um galpão onde estão os presentes dos fãs recebidos ao redor do mundo. Há sempre uma máquina de pinball por perto, e a rede de wi-fi do lugar se chama "Suck It" ("chupe", no bom português). O sofá do estabelecimento tem um design único, desenvolvido pela mãe de Dave, que fez almofadas fofas a partir de antigas camisetas de bandas.

"Minha mãe me perguntou certo dia: 'O que você vai fazer com todas aquelas t-shits que estão no sótão? Posso fazer almofadas com elas?'", lembrou-se o artista, em entrevista ao "Guardian", enquanto segurava uma com a estampa do Led Zeppelin. "Pensei: 'Mãe, essa é sua segunda carreira'. Pode imaginar isso?".

Dave, agora com 50 anos, passou sua juventude no estado de Virginia, nos EUA, antes de "fazer seu nome" como um dos grandes músicos do rock da história. Depois, ele viveu na capital do país, Washington, e, na sequência, em Los Angeles com a banda de hardcore Scream. Passou um tempo em Olympia e Seattle antes de entrar para o Nirvana. Mas se assentou mesmo em Los Angeles, onde vive e toca o projeto Foo Fighters. Foi lá, no headquarter do grupo, que o músico concedeu uma entrevista para o jornal britânico, sentado em frente à mesa de som onde foi feito o disco lendário do Nirvana, "Nevermind" (1991).

"Essa parafernália vai sobreviver mais tempo do que nós", disse ele. O console está autografado por Stevie Nicks, do Fleetwood Mac, Joan Jett, ex-Runaways, e Paul McCartney.

Dave Grohl em novembro de 1991, tocando no Hilversum Studios, na Holanda/Getty Images
Dave Grohl em novembro de 1991, tocando no Hilversum Studios, na Holanda/Getty Images

No canto esquerdo da sala onde estava Dave e a repórter Eve Barlow, fica uma fotografia do músico quando jovem, tocando bateria para o Nirvana. "Olhe", apontou ele, que se apresenta no Rock in Rio no dia 28 de setembro. "Essa é a única imagem que tenho de quando gravamos 'Nevermind'. Não é engraçado? É tudo o que eu tenho desse tempo.". Dave estava claramente brincando, uma vez que o álbum em questão lhe deu o mundo e mais um pouco... Pensando nisso, veja abaixo quais os frutos favoritos que nasceram a partir desse grande momento da carreira de Dave.

'Smells Like Teen Spirit', de 1991

"Nada mudou minha vida como essa música", revelou o líder dos Foo Fighters e ex-baterista do Nirvana. "Ainda te digo mais. Quando o Foo Fighters aprendeu a tocar 'Never Gonna Give You Up', de Rick Astley, percebemos que essa música tem o mesmo arranjo de 'Smells Like a Teen Spirit'. Kurt tinha inspirações incríveis de composição a partir de coisas simples e profundas."

Apesar de "Smells" ter mudado para sempre a carreira de Dave, ele sequer imaginava que a canção tinha potencial para ser um hino. Ele preferia, em vez dela, "Lithium" e "In Bloom".

'You Know You’re Right', de 1994

Essa foi a última música que o Nirvana gravou com Kurt Cobain (1967-1994). "Juro que não escutava essa música há dez anos", desabafou Dave. "Meu Deus, é difícil ouvi-la novamente.". "You Know You’re Right" foi escrita durante passagens de som da última turnê do grupo. "Não era uma época boa para a banda. Kurt estava mal. Depois, ficou bem. E novamente, mal. O último ano do Nirvana foi muito complicado", contou ele.

'Friend Of A Friend', de 1990

Dave sempre escreveu canções para si próprio, tocando todos os instrumentos ao gravar em demo. "Frind Of A Friend" é uma dessas músicas, composta no sofá de Kurt Cobain. Ela fala sobre seus novos parceiros de banda. "Minha experiência com a música era: turnês em vans, ficar acampado no palco de um clube dentro de um saco de dormir, ter pessoas para cozinhar nosso macarrão, e ir para outra cidade em seguida", disse ele. "Lembro que comecei a criá-la sussurrando, mal fazia barulho com o violão. Não queria acordar Kurt."

'Alone + Easy Target', de 1995

Após o suicídio de Kurt, Dave recebeu convites para integrar bandas como o Peal Jam, mas não aceitou a gentileza. Em vez disso, ele lançou o primeiro disco dos Foo Fighters, tocando todos os instrumentos, como costumava fazer antes da morte de seu parceiro de banda.

"Nunca imaginei que seria o cantor de uma banda", admitiu Dave. "Quando o Nirvana acabou, eu não queria mais fazer música. Também não queria mais tocar bateria para alguém. Sabia que isso me lembraria do Nirvana. Sabe... sou muito orgulhoso. O Nirvana mudou a minha vida, mas havia momentos em que queria fugir dali. Pegar nos instrumentos ou escutar ao rádio me deixava muito triste. Mas percebi que para limpar meu coração eu precisaria voltar a tocar. E foi o que fiz."

"Alone + Easy Target" foi escrita em 1992 no porão de Dave, ao fim da turnê de "Nevermind".

"Nunca imaginei que continuaria a tocar com o fim do Nirvana. Não sabia que seria o Freddie Mercury", brincou o músico. "Gravei 100 fitas k7 e entreguei para amigos. Chamei-as de Foo Fighters porque não queria que as pessoas pensassem que eu estava tentando ser o Tom Petty (1950-2017)."

'Everlong', de 1997

"Everlong" é o carro-chefe do álbum "The Colour and the Shape", o mais vendido da carreira do Foo Fighters. A música foi escrita durante o natal de 1996, em Virginia, logo após o casamento de Dave com a fotógrafa Jennifer Youngblood terminar. Na época, ele estava apaixonado por Louise Post, da banda Veruca Salt.

"Eu sequer me sentia como um líder de banda nesse tempo", declarou ele. "Ainda via o Foo Fighters como um experimento. Não sabia o que estava fazendo direito. Acho que fiz o segundo disco para as pessoas não pensarem que o primeiro foi bom por sorte."

Nesse período, assim como no começo do Nirvana, ele estava "duro" e dormindo no sofá de alguém. "Detesto essa ideia de que músicas boas nascem de períodos ruins. Mas, bem, nessa época escrevi ótimas canções", destacou.

'No One Knows', de 2002

Desde o fim dos anos 1990 Dave demonstrava sua vontade de colaborar com o Queens of Stone Age. O convite veio finalmente em 2002, quando a banda ficou sem baterista. O vocalista do grupo, Josh Homme, pediu para Dave ajudá-los a terminar o disco "Songs for the Deaf". Mais tarde, em 2013, ele voltaria a tocar com a banda, no álbum "...Like Clockwork". Novamente, porque outro baterista havia saído. "Josh é um dos meus melhores amigos", disse Dave. "Somos como irmãos. Saímos para comer waffles juntos. Andamos de moto. Amo tocar bateria na presença dele. Ele é o cara."

Além de tocar com Josh no QOTSA, Dave e seu amigo formaram um supergrupo com John Paul Jones, o Them Crooked Vultures.

'Best of You', de 2005

Em 2004, Dave estava empenhado em ajudar na campanha do democrata John Kerry pela presidência dos EUA. Ao fim da eleição, ele voltou a escrever para os Foo Fighters com um novo gás, inspirado pela "resistência" anti-republicana. E daí nasceu "Best of You".

"Sei que as pessoas hoje não buscam um meio termo na política", afirmou ele. "Acho que o problema é que as pessoas mal saem para tomar drinks. Vão beber, pessoal. Hoje. É necessário, temo que as pessoas parem de fazer isso. É mais perigoso do que o Twitter."

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