David Bowie ganha mais dois lançamentos, além de exibição de vídeo holográfico 'perdido'
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David Bowie ganha mais dois lançamentos, além de exibição de vídeo holográfico 'perdido'

Dois novos álbuns de David Bowie serão lançados em 2020, um EP digital com versões inéditas que serão disponibilizadas a cada semana e um ao vivo, que será lançado no Record Store Day. Mas antes tem outra novidade, o "Bowie; Oddity to Mars", um programa imersivo que acontece sexta (10/1) no National Space Center, na cidade de Leicester. Na ocasião, data em que se completam quatro anos de sua partida da Terra, será exibido um vídeo com cenas inéditas de Bowie e alguns hologramas.

A primeira faixa do EP "David Bowie Is It Any Wonder?", "The Man Who Sold The World", foi lançada na quarta (8/1) para marcar o 73º aniversário do cantor. Já "ChangesNowBowie", gravado ao vivo em 1996 durante os ensaios do concerto de 50 anos de Bowie no Madison Square Garden, será lançado no final do ano.

Nem os nomes nem o número de faixas dos discos foram divulgados. A Parlophone Records apenas adiantou que "David Bowie Is It Any Wonder?" terá versões inéditas de músicas gravadas pelo cantor nos anos 1990.

O lucro com o material póstumo de Bowie são astronômicos — já foram lançados seis álbuns ao vivo. Em 2016, as vendas de seus álbuns nos Estados Unidos aumentaram mais de 5.000%, segundo a Nielsen Music, com 682 mil vendidos na semana em que ele morreu. O Spotify informou que os streamings de suas músicas aumentaram 2.700% nas horas após sua morte.

Mas isso nem sempre significa lançamentos caça-niqueis. Muitos são "trabalhos de amor" meticulosos que resgatam músicos esquecidos, incluindo os admirados por Bowie, para um novo público. A Audika Records, por exemplo, foi criada por Steve Knutson, que usou seu próprio dinheiro para criar uma gravadora para lançar trabalhos do músico cult Arthur Russell (1951-1992), cantor, compositor e violoncelista americano de quem Bowie era fã. "Fiz isso por razões egoístas. Eu precisava ouvir essa música e a única maneira era se eu mesmo a divulgasse", conta Knutson. Em cooperação com o parceiro de Russell, Tom Lee — que recebeu os direitos da música — Knutson começou a construir o legado do americano. Morto em 1992, ele era pouco conhecido além da cena underground de Nova York até que o Audika começou a lançar álbuns, começando em 2004 com "Calling Out Of Context" e seguindo com mais 14 títulos — o último, "Iowa Dreams", foi lançado em novembro de 2019.

Há poucos dados sobre lançamentos póstumos e não há estatística oficial para medir seu crescimento mas, desde a década de 1960, os álbuns lançados após a morte de um artista provaram ser incrivelmente populares entre os consumidores. "Dock Of The Bay", de Otis Redding, se tornou o primeiro álbum póstumo a alcançar o número 1 das paradas. Jimi Hendrix, John Lennon, Janis Joplin e Notorious BIG também tiveram essa marca.

Essa popularidade levou a uma indústria póstuma lucrativa, com administração de propriedades, disputas de direitos e turnês com hologramas. Mas o tratamento que o legado de um artista recebe pode ser altamente controverso. A espólio de Prince lutou contra lançamentos de gravações inéditas do artista desde sua morte em 2016. Quando Whitney Houston morreu em 2012, a Sony Music aumentou o valor de seus maiores sucessos no iTunes do Reino Unido de 4,99 para 7,99 Libras - após duras criticas, voltou a reduzir. Os lançamentos de David Bowie são mais descomplicados, pois o espólio do cantor detém os direitos sobre as gravações, que são licenciadas para a Parlophone.

Falando em holograma, Bowie ganha mais um lançamento esta semana, desta vez em vídeo. Durante o evento imersivo "Bowie; Oddity to Mars", no planetário do National Space Center em Leicester, será exibido um material inédito com imagens do cantor. O professor Martin Richardson, uma das principais autoridades de holografia do Reino Unido, trabalhou com Bowie para criar hologramas para promover o álbum "hours...", de 1999. Recentemente, ele descobriu um material "perdido", com sobras daquela filmagem em um filme de 35 mm. Tudo foi reunido para um novo vídeo.

David Bowie na época da turnê de 'hours...'. Foto: Getty Images
David Bowie na época da turnê de 'hours...'. Foto: Getty Images

Os dois se tornaram amigos em 1994 em uma exposição chamada "Minotaur: Myths and Legends", que apresentava alguns trabalhos de Bowie. O próprio não apareceu até 22h30, e o professor Richardson lembra que, àquela altura, todos estavam embriagados, menos ele. "Percebi a vulnerabilidade de Bowie, em pé na frente de suas obras de arte com todas aquelas pessoas ao seu redor. Então fui até ele, me apresentei e imediatamente começamos uma amizade. Lembro-me de que ele estava preocupado com o fato de os trabalhos não estarem sendo exibidos corretamente na galeria, então passamos a ajeitar todas as fotos”, conta.

Depois desse primeiro encontro, o professor Richardson foi para Nova York trabalhar com Bowie no seu próximo projeto, que usaria hologramas. “Ele sempre tinha um caderno com muitos desenhos. Ele também carregava um velho toca-fitas surrado, pois, se surgisse uma ideia, ele registrava no aparelho". lembra.

Eles finalmente gravaram o filme experimental em 3D no verão de 1998. "Duas semanas depois, recebemos o telefonema da Virgin para encomendar 500 mil inserções de holograma para o 'hours...'", diz o professor. Trechos inéditos dessa sessão foram reunidas em um filme como parte da programação de "Bowie; Oddity to Mars", que também contará com um holograma gigante e outras delícias para os fãs do cantor.

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