David Gilmour toca canções de Syd Barrett e trabalha em livro com letras 'nunca devidamente transcritas' do líder inicial do Pink Floyd
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David Gilmour toca canções de Syd Barrett e trabalha em livro com letras 'nunca devidamente transcritas' do líder inicial do Pink Floyd

David Gilmour aproveitou a última edição de sua live em família para tocar duas músicas de Syd Barrett (1946-2006), seu amigo e primeiro líder do Pink Floyd: "Octopus", canção do primeiro álbum solo de Syd, "The Madcap Laughs", e "Dominoes", do segundo álbum solo, "Barrett". Ele tem trabalhado em um livro com letras de toda a carreira de Syd Barrett: "Essas letras nunca foram impressas direito, nunca foram transcritas apropriadamente. Lembro que ele chegava com coisas rabiscadas em pedaços de papel no estúdio, muito similar ao jeito que ele falava — e que era uma luta para entender! Eu tive que reouvir tudo", comentou David Gilmour.

O guitarrista do Pink Floyd lembrou que conheceu Syd "em algum parquinho de Cambridge", onde os dois chegaram a estudar juntos, antes dos 11 anos. Depois, aos 16, se reconectaram e ficaram amigos de verdade. David Gilmour e Syd Barrett chegaram a tocar, segundo lembrou David, em cinco shows, em cinco universidades inglesas, no começo de 1968. Até "a banda decidir que ter Syd era um fardo pesado demais", nas condições psicológicas em que estava. "Quem decidiu?", provocou o filho Charlie Gilmour. Mas David diz que realmente não se lembra: "Foi na van, antes de ir para o show. Alguém falou: 'Vamos pegar o Syd?'. E um outro disse: 'Ah, não vamos nos dar esse trabalho'."

O encontro semanal em sua residência, com o bem humorado nome de "Von Trapped Family" (trocadilho com a família austríaca Von Trapp, famosa nas décadas de 1940 e 1950 — e que viria a servir de inspiração para "A Noviça Rebelde"), começou no início de abril como uma alternativa à turnê que David faria com a mulher Polly Samson para divulgar o novo livro dela, "A Theatre For Dreamers", que foi cancelada por causa da pandemia.

As transmissões, feitas pelo facebook do guitarrista, registram agradáveis bate-papos e números musicais com ele, a mulher, filhos, neta e animais de estimação. As chamadas para os encontros são igualmente informais: "Ensaios em andamento para a transmissão ao vivo da noite de amanhã da Família Von Trapped... não tenho certeza se David Gilmour já tocou com um pintinho na cabeça antes". No vídeo publicado dia 6/5, o filho Charlie brinca colocando um pintinho cinza na cabeça do pai, que continua tocando enquanto o bichinho passeia por sua careca.

David Gilmour tem a companhia de um pintinho durante um ensaio. Foto: Reprodução Facebook
David Gilmour tem a companhia de um pintinho durante um ensaio. Foto: Reprodução Facebook

A música "Octopus" tem o verso "well, the madcap laughed at the man on the border", que deu origem ao título do álbum. David Gilmour, que foi coprodutor do disco, lembra que Syd lhe pediu para sugerir um título, e "The Madcap Laughs" foi o que lhe pareceu melhor na ocasião. "Syd era um pouco... um pouco doido. Mas a palavra 'madcap' não era no sentido de maluco. Era mais para biruta, engraçado; acho que descreve o lado mais adorável do Syd", lembrou David. O guitarrista contou que recentemente leu que a letra dizia originalmente "the mad cat" ("o gato louco") e que ele, Gilmour, teria errado na transcrição em 1969. Ele esclareceu: "Eu prefiro 'madcap laughs'. Tem três gravações com vocais dele na faixa. Uma soa mais como 'madcap', e duas soam como 'madcat'. Mas não dá para dizer 100%".

David explicou que, para decifrar todos os versos direitinho, mergulhou na audição dos multitracks originais dos dois álbuns solo de Syd (ele foi coprodutor de ambos). Ainda assim, vai ter a colaboração de Peter Barnes, que desde aquela época era responsável pela edição das canções do Pink Floyd: "Ele e sua mulher conheciam bem Syd, é a melhor ajuda que posso ter".

Sobre "Dominoes", David Gilmour lembrou que realmente tocou bateria na gravação original. "Está ruim o suficiente para ter sido eu mesmo", brinca. Ele conta que foi registrada no estúdio 2 de Abbey Road, "um dos momentos incomuns que deixamos fora do primeiro disco". "Eu o levava pro estúdio e deixava de volta em casa. Nós éramos vizinhos", recorda, com alguma melancolia. "É uma canção sobre pessoas sentadas, presas, sem muito pra fazer", descreve, comparando com a situação atual. Porém, quando o filho Charlie pergunta qual a sua canção favorita de Syd Barrett, David Gilmour responde: "Dominoes".

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