Vida Dupla: De dia, vigilante de banco; à noite, baixista de banda Tributo ao U2
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Vida Dupla: De dia, vigilante de banco; à noite, baixista de banda Tributo ao U2

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Jonas Ferreira, de Orlândia, no interior de São Paulo, tem 34 anos e já teve tantas profissões que nem lembra mais de todas. Pedreiro, pintor, entregador de pizza, mecânico, técnico em informática. "Eu já fiz de tudo, menos vender drogas ou me prostituir", brinca. Há dez anos, ele trabalha como vigilante, atualmente locado em uma agência bancária. Divide os turnos como segurança com outra carreira: ele é baixista em três projetos musicais diferentes. 

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Como tira tempo para se dedicar a tudo, nem ele sabe. Mas a responsabilidade, ele conta, desde cedo o acompanha. "Eu sempre fui muito responsável, mesmo jovem. Isso ajudou a formar o meu caráter", diz. A vida como vigilante começou aos 22 anos. Depois de passar por treinamentos e por uma série de avaliações exigidas pela Polícia Federal, órgão que rege a categoria, Jonas começou a carreira como segurança de uma família em São Paulo. Depois de ser realocado diversas vezes, está há cinco anos no setor bancário. 

"Apesar dos pesares, a gente ainda tem um salário bom. Não é o ideal, por conta do risco e das situações de estresse, mas pensando nos compromissos e na família, a gente põe na balança", diz sobre a profissão formal. 

Entre os projetos musicais, Jonas é baixista em uma banda tributo ao U2, a U2 Cover Ribeirão, de Ribeirão Preto, grupo que começou por acaso. Em 2011, Jonas foi a São Paulo assistir a um show da banda de Bono e conheceu o amigo Wellington, que sempre teve o sonho de tocar covers dos músicos irlandeses. Anos depois, Wellington, baterista, convidou Jonas para "fazer um som" e o projeto surgiu daquele reencontro.  

"Eu nem ensaiei no primeiro show que eu fiz com eles, em São José do Rio Preto. Tenho as músicas praticamente decoradas", conta. 

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Quem vê Jonas participando de uma banda tributo ao U2 pode até pensar que o vigilante sempre foi fã de Bono e companhia. Nada disso. 

  Acho que minha mulher pegou uma foto minha colocou no pé de Jesus Cristo e falou 'toma, eu sei que o Senhor vai cuidar porque eu não estou dando conta'  

"Eu detestava o U2. Comecei no metal e o que me fez entrar na música foi o ‘A Real Dead One’, do Iron Maiden. Eu fiquei louco naquelas guitarras gêmeas, na voz do Bruce Dickinson. O Steve Harris, baixista do Iron, é inacreditável e foi ele que me fez prestar atenção nos graves da música".

A virada aconteceu quando Jonas viu músicos que admirava tocando faixas do U2. A partir dali, ele ficou impressionado com a composição das canções. "O que os caras fazem nas harmonias é fabuloso. Quando parei para prestar atenção e abri um pouco a mente, me encantei", conta. 

O U2 também faz parte de outro projeto musical de Jonas, que tem um nome curioso: Agora Vai. Ele e mais dois amigos sempre tentavam colocar a ideia de tocar covers de artistas nacionais e internacionais para frente, mas o projeto nunca saía do papel. “Quando finalmente decidimos, chamamos de 'Agora Vai'", diz, aos risos. A banda se apresenta em bares na noite da cidade. 

Encaro a música como um trabalho, não é só diversão

Casado e pai de uma menina, Jonas ainda cursa a faculdade de Administração e dá aulas em uma escola de música. Com tantas atribuições, ele brinca sobre a impressão da mulher a respeito da vida de duas profissões. "Eu acho que minha mulher pegou uma foto minha colocou no pé de Jesus Cristo e falou 'toma, eu sei que o Senhor vai cuidar porque eu não estou dando conta'", brinca. "Ela viu que realmente eu encaro a música como um trabalho, não é só diversão. Meu foco é esse. Eu saio para ir trabalhar", diz. 

Para 2019, Jonas pretende lançar o Reserva do Samba, grupo que terá o repertório composto por músicas da bossa nova tocadas em ritmo de samba. Na lista de atividades do vigilante-baixista, havia ainda um quarto projeto, que ele decidiu encerrar para conseguir dar conta de outras áreas da vida. "Eu estava com dois alunos na escola de música, trabalho, faculdade, família e mais três bandas. Não sei como dei conta". 

Todos os dias, quando sai do banco, Jonas tenta deixar por trás das portas giratórias tudo o que passou durante o expediente. Uma das formas que o ajuda a aliviar a tensão é a música. “Eu saio de lá e já começo a pensar nos projetos, que eu tenho que mandar e-mail para as casas de show para fazer as negociações, a produção... A música como uma outra ocupação consegue absorver todo esse estresse da profissão. Eu chego em casa e nem lembro que isso existe. Eu saio de lá e vou me preocupar com o que eu realmente gosto de fazer e isso ajuda muito para dar essa equalizada”.  

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