De hits com Beyoncé e Madonna a doc sobre orangotangos: a história do midas pop que começou compondo para o Milli Vanilli
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De hits com Beyoncé e Madonna a doc sobre orangotangos: a história do midas pop que começou compondo para o Milli Vanilli

Uma carreira que começou com um sucesso mundial mas que, em um curto espaço de tempo, foi envolvida — involuntariamente — em um dos maiores escândalos da indústria da música. No caso, o sucesso era de Toby Gad e de seu irmão Jens, compositores de três músicas do Milli Vanilli — o duo que, depois de vencer um Grammy, virou sinônimo de fraude pop. A confusão não chegou a manchar a reputação do jovem alemão que se tornou parceiro de artistas como Beyoncé, John Legend e Madonna.

“Big Girls Don't Cry”, de Fergie; “All of Me”, de John Legend; “If I Were a Boy”, de Beyoncé; “Skyscraper”, de Demi Lovato; e “Living for Love” , de Madonna, são apenas alguns dos maiores sucessos de Toby, um compositor que impressiona tanto pelo número de sucessos como pelos nomes de peso com quem trabalha (Alicia Keys, Carly Rae Jepsen, Miley Cyrus, Selena Gomez e muitos outros estão na lista). Mas nem sempre sua trajetória foi iluminada.

O alemão Toby Gad, que coleciona hits com os maiores nomes da música pop. Foto: Getty Images
O alemão Toby Gad, que coleciona hits com os maiores nomes da música pop. Foto: Getty Images

Nascido em Munique, na Alemanha, Toby, 51 anos, cresceu ouvindo jazz. Seu pai tocava clarinete e saxofone; a mãe, além de psicoterapeuta, era pianista no grupo The Jazz Kids. “Quando tínhamos cinco ou seis anos, meu irmão e eu começamos a escrever nossas próprias músicas. Montávamos nosso próprio set. Depois, nos intervalos dos shows de nossos pais, nos apresentávamos e passávamos coletando dinheiro na plateia. Foi um bom fluxo de renda inicial", lembra Toby, em entrevista ao "Music Business World Wire".

Com esse background, não tinha muito como os irmãos não seguirem a carreira. "Era 1989 e eu tinha 19 anos quando, com meu irmão, apresentei três de nossas músicas para Frank Farian. Ele amou e tudo foi muito rápido", conta, referindo-se ao compositor e produtor alemão, "armador" do duo Milli Vanilli.

Uma semana depois, o álbum "Girl You Know It's True" já estava nas lojas, iniciando uma arrancada de sucesso e reconhecimento que culminou no Grammy de melhor artista novo. Só que no final do ano seguinte estourou o escândalo: não eram de Fabrice Morvan e Rob Pilatus as vozes ouvidas nas gravações. "Nós fizemos a faixa instrumental e nunca conhecemos os caras. Frank dizia que eles não queriam ninguém no estúdio quando gravavam — agora sabemos o porquê!", brinca.

Toby e Jens chegaram a gravar um álbum e fazer shows, mas nunca se configuraram como uma banda. O compositor seguiu trabalhando com trilhas sonoras e vários artistas europeus até decidir, no final dos anos 1990, que era o momento de se mudar para Nova York.

Mesmo com vários hits e um contrato de publicação da Sony na Alemanha, a temporada inicial na cidade americana foi cruel. "Eu tinha um contêiner que trouxe meu equipamento de estúdio e que quase se perdeu. Eu tinha um quartinho minúsculo na rua 46, entre a 5ª e a 6ª Avenida, em Manhattan, que ainda dividia com um designer de joias. Há meio ano que vivia de sopa instantânea e um pãozinho por dia, colocando anúncios dizendo: ‘Você é cantor? Você quer trabalhar comigo? '. Ia a todos os eventos e nada", lembra o sufoco.

Em 2003 surgiu uma das primeiras chances, quando compôs "A Toast to Men" em parceria com a cantora e apresentadora da MTV Willa Ford. O single ficou entre os Top 40 e entrou para a trilha sonora da comedia "Barbeiragem Total - Um Salão do Barulho 2", com Ice Cube, Queen Latifah e Cedric, The Entertainer no elenco. "Mas, na verdade, havia um editor em Los Angeles, Jim Vellutato que acreditava em mim. Ele convenceu Fergie, que ainda não tinha entrado para o The Black Eyed Peas, a fazer uma música comigo e daí escrevemos 'Big Girls Don't Cry' em 2001. Demorou anos para ser um sucesso, mas foi provavelmente o cartão de visitas mais importante da minha carreira", ressalta, sobre a música lançada em 2007 no álbum solo da cantora, "The Dutchness", número 1 da parada e seis vezes platina nos Estados Unidos. "Foi o quarto single, quase não saiu, mas quando se tornou a maior música dela foi uma das minhas maiores também", diz, feliz.

O sucesso abriu portas valiosas, como a da parceria com Beyoncé. "Eu toquei para ela duas músicas que já havia escrito, e uma delas era 'If I Were A Boy', parceria com BC Jean. De imediato, ela disse que queria. Gravamos e foi um bom sucesso, chegando ao número 3 das paradas em 2008", diz.

Nos dez anos que se seguiram, Toby conta que gravava de duas a três vezes por dia em estúdios e que chegou a fazer 180 músicas por ano. Um período que teve o mega-hit de John Legend, "All of Me", em 2013 — "Nós escrevemos e terminamos a música em três horas; era apenas uma canção de amor muito honesta", define, humilde — e a parceria com Madonna no álbum "Rebel Heart", de 2015, em que oito das 14 faixas são de co-autoria do alemão.

"Neil Jacobson, que trabalhava na Interscope, perguntou se eu queria compor com Madonna. Claro! Então eu fui. Mas Madonna nunca apareceu nos cinco dias em que fiquei no estúdio. Duas semanas depois, Neil pergunta se eu quero participar de outra sessão e eu disse: 'De jeito nenhum'. Acabaram me convencendo, e o resultado foi que eu passei cinco semanas com Madonna no estúdio", relata. Um dos conselhos que dá aos jovens compositores é o de não trabalhar sozinho. "Parceria é a coisa mais importante. Eu nunca escrevi uma música sozinho e provavelmente já trabalhei com 500 compositores e artistas diferentes na minha vida", contabiliza.

Um ritmo alucinante desses até deixou Toby bem de vida, mas também o prejudicou física e mentalmente. Um dia, decidiu se dar férias. "Isso foi há cinco anos. Eu estava gravando o álbum de Leona Lewis, ‘I Am’, de 2015' e olhei para o meu calendário. Vi que os próximos seis meses estavam absolutamente tomados e pensei: isso nunca vai acabar. Eu também faço parte dos 3% da população que é eletrossensível; o wi-fi e a radiação eletromagnética me afetam. Eu tive dois ou três episódios na minha vida que realmente me atingiram gravemente. Faz o seu cérebro embaçar, te deixa irritado, quase como uma alergia", descreve.

O compositor percebeu que precisava dar um tempo. "Eu decidi simplesmente dizer não a tudo para esvaziar minha agenda. Eu aprendi a surfar e fiz outras coisas; foi muito bom", conta ele que, atualmente está fazendo um documentário sobre a doutora Biruté Mary Galdikas e seu trabalho de proteção dos orangotangos em Bornéu, que será lançado no próximo ano.

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