Debbie Harry, do Blondie, lança autobiografia com relatos de estupro, falência e vício, mas sem espaço para vulnerabilidade
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Debbie Harry, do Blondie, lança autobiografia com relatos de estupro, falência e vício, mas sem espaço para vulnerabilidade

A cantora do Blondie, Debbie Harry, lançou, em 1º de outubro, sua primeira autobiografia, batizada de "Face It". A esperar pelo título ("Encare"), o livro seria repleto de declarações bombásticas. E, de fato, é exatamente isso que a cantora de 74 anos entrega para seus fãs e admiradores. Afinal, ela viu de tudo nessa vida. Debbie narra com um humor peculiar e sem maiores arroubos emocionais o estupro que sofreu, quando um bandido a fez refém na frente de seu prédio e invadiu o apartamento que dividia com o companheiro de banda e marido (por 13 anos), Chris Stein. "Ainda bem que aconteceu numa era pré-aids, caso contrário eu poderia ter surtado. No fim de contas, as guitarras roubadas me machucaram mais que violação", conta. Na autobiografia de Debbie, não há espaço para vulnerabilidade, melancolia ou mimimi.

Em "Face It", ela descreve quase tudo: como foi entregue para adoção por sua mãe biológica, aos três meses, a infância e adolescência em Nova Jérsei, a mudança para Nova York, a ascensão de sua banda, o vício em heroína, a falência, no fim dos anos 1980, e o retorno triunfal de seu grupo às paradas de sucesso em 1999. No site da Amazon, é possível visualizar trechos de "Face It" em inglês. Para ver, clique aqui. Debbie contou com uma ajuda preciosa para redigir suas memórias: a jornalista e escritora inglesa Sylvie Simmons, autora da melhor biografia de Leonard Cohen, "I'm Your Man".

A capa de 'Face It', primeiro livro autobiográfico de Debbie Harry/Divulgação
A capa de 'Face It', primeiro livro autobiográfico de Debbie Harry/Divulgação

Não falta sinceridade no livro, como se pode notar no capítulo em que ela contou que um ex-namorado invadiu seu quarto com uma arma — e isso inspirou a música "One Way or Another". Em outra passagem, Debbie revelou que sua casa pegou fogo por conta de um líder de uma gangue de motoqueiros que vivia no apartamento acima do dela. O cara foi amarrado, torturado e incendiado. A cantora também conta como quase foi sequestrada por alguém que muito provavelmente era o assassino em série Ted Bundy (1946-1989).

Entre roubadas e passagens realmente dramáticas, há sempre humor. Como na passagem em que lembra uma turnê que fez com Iggy Pop, que na época tinha como músico de sua banda um certo David Bowie."Certa vez, David e Iggy (Pop) estavam procurando cocaína. O contato deles em Nova York havia morrido do nada e eles estavam sem. Um amigo meu me deu um grama, mas eu mal a toquei. Eu não ligava muito para cocaína. Ela me fazia tremer e me deixava neurótica, além de afetar minha garganta", escreve. "Então eu subi as escadas com minha quantidade de cocaína, e eles a cheiraram em segundos. Depois disso, David tirou seu pau pra fora, como se eu fosse uma avaliadora oficial ou algo assim. Já que eu estava em uma banda só de homens, talvez eles achassem que eu fosse a avaliadora de paus. O tamanho do David era famoso, e ele adorava mostrá-lo tanto para homens quanto para mulheres. Era muito engraçado, adorável e sexy."Debbie aproveita para zoar e escreve que não sabe por qual motivo, mas Iggy Pop nunca quis lhe exibir o pênis dele.

Debbie Harry tocando com o Blondie em Amsterdã, na Holanda, em 1997/Getty Images
Debbie Harry tocando com o Blondie em Amsterdã, na Holanda, em 1997/Getty Images

Debbie demorou a estourar com o Blondie. Por muito tempo, sonhou ser atriz de cinema. Enquanto isso não acontecia, foi encarando trabalhos como garçonete e modelo — foi coelhinha do "Playboy Club em Nova York por quase cinco anos — e até secretária do escritório da BBC. Ela conta que usou na música um truque de sua inspiração como atriz: Marilyn Monroe (1926-1962) encarnava um personagem, a loura burra com voz de garotinha e corpo de mulherão, um suposto ideal masculino de feminilidade. Debbie, com cabelo descolorido e roupas de brechó, fazia uma pin-up com lado subversivo. Em suas próprias palavras, "era uma boneca inflável com um lado sombrio e provocador".

O relacionamento com Chris Stein, que durou 13 anos como marido, seguiu adiante depois. Eles se consideram melhores amigos até hoje. Debbie, ao que sinaliza no livro, só se ressente de algo de que não se lembra de forma alguma: ter sido entregue para adoção pela mãe biológica quando tinha três meses de vida. "O sentimento de abandono sempre me perseguiu, até quando eu me separava de minha banda no aeroporto", compara.

"Face It" está disponível por US$ 25,67 e ainda não tem previsão de ser lançado em português.

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