‘Dentro de Você’: Filipe Ret fala sobre parceria com Kevin O Chris e fala do papel da música na quarentena: ‘O rap é um universo de salvação'
Entrevista

‘Dentro de Você’: Filipe Ret fala sobre parceria com Kevin O Chris e fala do papel da música na quarentena: ‘O rap é um universo de salvação'

A rotina de Filipe Ret tem sido simples: cuidar do filho, Théo, fazer comida e estudar sobre tudo que está acontecendo no mundo. Nos intervalos, o rapper carioca de 34 anos ainda assiste algumas séries e filmes. A pandemia de coronavírus cancelou todos os shows que o artista tinha agendado para os próximos meses, o que inclui a participação no Lollapalooza, adiado para dezembro. A ordem é uma só: ficar dentro de casa.

“A gente já perdeu as esperanças de fazer shows até o fim do ano. Eu tenho conversado com a minha família e minha equipe, além dos meus amigos mais chegados. A gente não está com esperança de voltar a ter shows neste ano. Tomara que volte, mas é uma sinuca de bico entre a saúde e a economia, né? Até que ponto as coisas se interdependem? Mas você tem que controlar a epidemia e manter as pessoas em casa. A saúde física é a minha primeira preocupação”, reflete.

Kevin O Chris e Filipe Ret no clipe de ‘Dentro de Você’ / Foto: Divulgação
Kevin O Chris e Filipe Ret no clipe de ‘Dentro de Você’ / Foto: Divulgação

No fim de março, Filipe lançou uma parceria com Kevin O Chris, a música “Dentro de Você”. O vídeo, produzido pelo parceiro Dallass, já tem quase dois milhões de visualizações. Com esse título, a faixa soa até como incentivo à quarentena, mas fala, na verdade, sobre um encontro apaixonado.

“Muita gente estava fazendo a mistura do trap com o funk, que era algo óbvio nessa mistura entre nós dois, mas eu quis apostar em uma parada mais na contramão, mais improvável”, conta Filipe. A faixa buscou alternativa no dance hall, com influências mais tropicais e batidas eletrônica. “Acho que a gente tem que explorar esse universo musical da música latina. Eu fiz isso com ‘A Libertina’, que era bem dance hall, e agora de novo.”

A aproximação entre Filipe e Kevin aconteceu no ano passado, depois de Ret se impressionar com a visceralidade no som de 150 BPM. “Todo show que eu fazia, tocava Kevin O Chris antes e depois e eu ficava ‘quem é esse moleque ‘explodidaço’?’. Eu me identifico muito com o jeito singular dele. A gente é desestimulado a seguir a nossa singularidade mas, na vida, a gente tem que dar o nosso jeito de resolver as coisas. O Kevin, do jeito dele, é assim. As pessoas têm que valorizar o que elas são. Quanto mais ímpar, mais especial. E eu estava com essa música e decidi chamá-lo.”

Uma piscininha montada na varanda do apartamento que Filipe divide com a mulher, a empresária Anna Estrella, tem entretido o pequeno Théo. Para passar o tempo, Filipe tem visto séries e filmes também, mas os anúncios que aparecem na Netflix não tem agradado muito. Por isso, ele usou as redes sociais para pedir indicações. “Eu nunca me identifico com os dez mais vistos e aí pedi sugestão. Mas acabou que não vi nada do que tinham indicado”, conta, achando graça. A escolha acabou sendo “Cuba e o Cameraman”, documentário de 2017.

Rapper Filipe Ret brinca com seu filho, Théo, de 2 anos, fruto do relacionamento com a empresária Anna Estrella.
Rapper Filipe Ret brinca com seu filho, Théo, de 2 anos, fruto do relacionamento com a empresária Anna Estrella.

Do apartamento na Glória, bairro entre o Centro e a Zona Sul do Rio de Janeiro, Filipe reflete sobre o papel que o rap tem de confortar as pessoas em um momento como o atual. Para ele, o gênero é um universo de salvação. “Eu não sei o que seria de boa parte da juventude da cidade se não fosse o rap chegando com força”, diz.

Sentado em casa, Filipe consegue ouvir os barulhos vindos das várias janelas ao redor. Dia desses, já durante a quarentena, percebeu que algum vizinho ouvia a sua própria música. “Provavelmente a pessoa nem sabe que eu moro aqui e eu entro no clima. Eu acabo ouvindo a minha música de uma outra forma. É um exercício observar as pessoas ouvindo a sua música e tentar sentir o que elas estão sentindo sem saberem que você está ali. E ela ainda escolher ‘Ilusão’ e ‘Abençoado’, duas músicas com o astral para cima.”

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