Dez grandes canções para lembrar Ric Ocasek, líder do influente grupo The Cars, morto aos 75 anos
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Dez grandes canções para lembrar Ric Ocasek, líder do influente grupo The Cars, morto aos 75 anos

Ric Ocasek, compositor, guitarrista e vocalista da banda The Cars, foi encontrado morto no domingo em sua casa em Manhattan. Ele tinha 75 anos, conforme apontado em jornais como "The New York Times", e morreu de causas naturais, de acordo com familiares. Relacionado aos anos 1980, ele começou a mudar a história do rock ainda no fim da década anterior, e influenciou fãs de importância na música da década seguinte, a de 1990: Nirvana e Smashing Pumpkins tocaram covers de suas músicas.

De 1978 a 1988, Ocasek e The Cars fundiram uma visão de romance, perigo e intrigas com a profundidade e engenhosidade sonora do rock que tocava nas rádios. A banda conseguiu agradar tanto os fãs de punk rock quanto um público pop muito mais amplo, entrando para a história do rock enquanto criava extensões novas dentro dele. Alguns chamaram isso de new wave.

O compositor, cantor e guitarrista Ric Ocasek. Getty Images
O compositor, cantor e guitarrista Ric Ocasek. Getty Images

The Cars surgiu de uma amizade no final dos anos 60 em Ohio entre Ocasek — Richard Theodore Otcasek — e Benjamin Orr, que morreu em 2000. Eles trabalharam juntos em várias bandas antes de se mudarem para Boston e formarem The Cars no final dos anos 1970: Elliot Easton na guitarra, Greg Hawkes no teclado e David Robinson na bateria. Era o começo da era punk, mas a banda fez seus primeiros álbuns com o produtor do Queen, Roy Thomas Baker, criando músicas concisas, eventualmente mal-humoradas e sacanas, mas impecavelmente polidas.

Os vocais principais de Ocasek misturaram um ritmo sombrio e agudo com toques de angústia e emoções reprimidas, enquanto suas músicas remetiam ao rock básico de três acordes, ao punk, ao surf-rock e ao pop. Os cinco álbuns lançados de 1978 a 1984 tiveram singles como "Just What I Needed" em 1978, "Shake It Up" em 1981, "You Might Think" em 1984 e "Drive" em 1984 - canções que até hoje tocam sem parar nas rádios de todo o mundo. Embora Ocasek seja o compositor, "Just What I Needed" e "Drive" tinham vocais de Orr.

Easton, Orr e Ocasek. Getty Images
Easton, Orr e Ocasek. Getty Images

Richard Theodore Otcasek nasceu em Baltimore. Seu pai era analista de sistemas da Nasa. Ele dizia que sua avó o fazia cantar quando criança e lhe comprou seu primeiro violão aos 14 anos. A família se mudou para Cleveland quando ele era adolescente e conheceu Ben Orr em Ohio. Mais tarde, com Easton, Hawkes e Robinson, formaram The Cars em 1976 e assinaram com a Elektra Records para o primeiro álbum que foi feito em 21 dias — 12 para gravação e nove para mixagem.

Com 6 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos, a banda se tornou figura fixa nas rádios FM no final da década de 1970 e da MTV na década de 1980, brincando com texturas e ironias, mas mantendo estruturas puras. As músicas de Ocasek eram invariavelmente concisas e cativantes, sempre marcadas pelas grandes linhas de guitarra de Easton e os teclados de Hawkes. As letras, que inicialmente pareciam canções de amor pop, eram invariavelmente ambíguas.

A separação veio em 1988 e Ocasek, que já fazia música sozinho enquanto ainda estava no grupo, acabaria lançando sete álbuns solo de 1982 a 2005, embora sem a popularidade que alcançou com The Cars.

Em 2003, ele se tornou vice-presidente sênior de artistas e repertório, encarregado de encontrar novos hitmakers, para a Elektra. Mas a gravadora rejeitou suas escolhas e ele ficou menos de um ano no cargo. Enquanto estava no Cars, ele havia produzido álbuns para os pioneiros do punk que admirava: Bad Brains and Suicide. E depois que a banda se separou, ele produziu músicas para Weezer, Bad Religion e No Doubt.

Após dois casamentos, Ocasek se uniu à modelo e atriz Paulina Porizkova em 1989 - eles se conheceram em 1984 durante a produção do videoclipe de "Drive" - e a separação veio em 2017. Ele deixa seis filhos.

Ocasek costumava dizer que não gostava das turnês, e Easton e Hawkes se apresentaram sem ele — acompanhados por Todd Rundgren como vocalista — como os New Cars entre 2005 e 2007. Em 2011, Ocasek reagrupou os membros para um álbum final, "Move Like This", e uma turnê. "Eu não acho que sou um artista", disse ele ao The New York Times em 2011. "Eu nunca penso 'uau, mal posso esperar para animar a multidão'". Em 2018, a banda finalmente entrou para o Rock & Roll Hall of Fame.

Em um mundo pop cheio de "pavões", Ocasek sempre se apresentava como um artesão introvertido, dedicado muito mais à composição das músicas que à exibição. Em 1987, ele disse ao The New York Times: "Canções pop podem ser surpreendentes, quando estou escrevendo, nunca sei como vai terminar. Eu leio muita poesia, e isso me dá uma ampla gama de oportunidades para dizer qualquer coisa em uma música — elas são mais imprevisíveis e estranhas do que eu jamais serei”.

Abaixo, uma lista com as 10 músicas mais importantes do The Cars:

'Just What I Needed' (The Cars, 1978)

The Cars escreveu várias canções pop perfeitas, mas há aquelas que, de tão boas, mereciam um Nobel, como "Just What I Needed". Introdução simples e brilhante, um sintetizador viciante e dois versos iniciais que resumem um romance melhor do que qualquer música inteira. É incrível terem acertado assim de cara: foi o primeiro single da banda.

'My Best Friend's Girl' (The Cars, 1978)

Você sabe que as coisas estão indo bem para o seu álbum de estreia quando você faz de "My Best Friend's Girl" o segundo single. Bandas inteiras surgiram da introdução da música e do coro de gritos e inúmeras outras canções existem essencialmente como permutações aprimoradas de seu DNA temático. A história da namoradinha de um amigo meu ganha um plot twist incrível e doloroso depois que o narrador canta que "ela é a namorada do meu melhor amigo/ e antes foi a minha". Foi a cover de abertura que Kurt Cobain (um fã de The Cars, não dava para esconder) escolheu para o que viria a ser o último show do Nirvana, em 1994.

'You Might Think' (Heartbeat City, 1984)

O videoclipe marcou época e foi o vencedor do primeiro Video Music Awards. A música é uma joia que combina a energia pop dos anos 70 com o classicismo pop dos anos 60 e ainda hoje soa estranha, se equilibrando na linha entre o perigosamente insidioso e o ridículo absurdo.

'Drive' (Heartbeat City, 1984)

A primeira grande balada de The Cars cantada por Orr, para a qual alguns fãs antigos torceram o nariz. Porém, não há como negar que "Drive" permanece singular na música pop da época, com sua intensidade emocional e intimidade lírica que a faz parecer uma canção de amor, embora a letra não a revele dessa forma. Aliás, é uma música em que todos parecem encontrar sua própria verdade.

'Since You're Gone'(Shake It Up, 1981)

"Gone" tem uma ressonância que poucas outras músicas do Cars têm: há um peso emocional que parece muito real, com Ocasek absolutamente perdido quando canta "Since you're gone, I missed the peak sensation/ Since you're gone, I took the big vacation", e depois, aparentemente, se recuperando enquanto destila fel sobre a ex. A violenta guitarra de Elliot Easton sustenta tudo.

'Moving In Stereo' (The Cars, 1978)

"Moving In Stereo" tornou eterna uma sequência do filme adolescente "Picardias estudantis" com seu ritmo descontraído e uma letra zen, incomum para Ocasek.

'Heartbeat City' (Heartbeat City, 1984)

O grupo teve tanto sucesso ao tocar singles de "Heartbeat City" que quase não divulgaram a faixa-título, uma das composições mais inabaláveis de Ocasek. A música foi lançada sem entusiasmo como um single no Reino Unido.

'Let's Go' (Candy-O, 1979)

As preocupações com qualquer queda no segundo ano do The Cars após a estreia de sucesso provavelmente duraram só até os sintetizadores começarem a soar dez segundos no single "Let's Go". A música é uma mistura desajeitada de coisas efêmeras pop mas ainda assim seu ritmo simplificado é irresistível.

'You're All I've Got Tonight' (The Cars, 1978)

The Cars não era uma banda conhecida por sua fúria, mas Ric Ocasek às vezes deixava que a luxúria o vencesse. Essa sede foi a inspiração lírica para a faixa em que Ocasek geme por cima de violões sobre todas as coisas que sua amante pode fazer com ele, contanto que ela atenda à sua demanda urgente: "Preciso de você ... esta noite!".

'Shake It Up' (Shake It Up, 1981)

Apesar de terem dominado as rádios FM com os hits de seus dois primeiros álbuns, The Cars só chegou ao Top 10 da Billboard com esta faixa do quarto LP (que atingiu o número 4 na parada). Ocasek disse depois que se arrependia pela banalidade da letra, mas o animado groove da canção dispensava qualquer necessidade de explicações intelectualizadas.

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