‘Día de Los Muertos’: como a tradição mexicana usa a música para relembrar aqueles que já se foram
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‘Día de Los Muertos’: como a tradição mexicana usa a música para relembrar aqueles que já se foram

A data, em tese, não é para celebrações alegres. O dia 2 de novembro, conhecido popularmente como "dia dos mortos", é separado no calendário como uma forma de prestar homenagens àqueles que já se foram. Apesar de soar pouco propícia para festas, a tradição mexicana do Dia de Los Muertos prova justamente o contrário. Todos os anos, a data é marcada como um momento de alegria e preservação da memória. Tempo de se reunir junto aos túmulos de entes queridos para comer, beber, dançar e, é claro, cantar.

Cemitérios e ruas no México — e em outros lugares fora do país com a presença forte da comunidade mexicana — ficam tomadas por pessoas fantasiadas de caveiras. A presença de músicos em desfiles, praças e principalmente ao lado dos túmulos é essencial para manter o real sentido da festividade. Através das canções que entoam, mariachis e outros grupos musicais ajudam a mostrar que a alegria e a saudade podem — e devem — caminhar juntas. Desde o primeiro dia do mês e durante todo o dia 2, familiares e amigos vão até onde seus entes queridos estão enterrados para decorar seus túmulos e fazer uma verdadeira festa para eles.

A tradição indígena diz que, no dia dos mortos, aqueles que já se foram voltam à terra para estar com suas famílias. Quem gosta de cinema, deve lembrar disso. A história serviu como pano de fundo para o filme “Viva — A Vida é uma Festa!”, da Disney, que conta a história da família de um garoto cujo sonho era se tornar mariachi. No dia 1º de novembro, se comemora o dia de todos os santos, uma homenagem aos que tiveram uma vida exemplar. Mas é no segundo dia do mês que todos aqueles que já se foram são lembrados e celebrados.

José Alfredo Jiménez Silva é conhecido pelo nome artístico de “El Güero”. Ele aprendeu a tocar violão sozinho e há 15 anos se apresenta em cemitérios. Em entrevista ao “Chicago Tribune”, ele contou que as músicas “Amor Eterno”, de Juan Gabriel, e “Un Puño de Tierra”, de Antonio Aguilar estão entre as mais pedidas, assim como “Mi Último Deseo”, da banda Los Recoditos. Entretanto, certa vez a mulher de um homem morto pediu para que ele tocasse “Rata de Dos Patas” (“Rato de duas patas”, em tradução livre). A letra diz: "Desumano, espectro do inferno, maldita merda, quanto mal você me fez".

Por conta dos últimos anos, a tecnologia tem feito os músicos ocuparem menos espaços por entre as sepulturas. Os visitantes que chegam para passar o dia próximos aos sepulcros daqueles que amam têm optado por levar a música em seus próprios telefones celulares.

A tradição milenar do “Día de Los Muertos” é considerada patrimônio imaterial da Humanidade pela Unesco desde 2003. Segundo estudiosos, sua origem vem da cultura asteca e de outras civilizações pré-hispânicas, que consideram a morte como parte natural da vida.

Veja algumas fotos da celebração:

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