Dia Mundial do Rock: 8 guitarristas mulheres que abalam novas e antigas estruturas
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Dia Mundial do Rock: 8 guitarristas mulheres que abalam novas e antigas estruturas

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Em outubro de 2018, o CEO da Fender, Andy Mooney, confirmou: mulheres jovens formam metade do mercado consumidor de guitarras no Reino Unido e nos Estados Unidos, e a tendência é o fenômeno se repetir em todo o mundo. Basta uma simples busca pela internet para confirmar esses dados e encontrar centenas de artistas do sexo feminino — independentes ou não — que mestram e inventam possiblidades a partir do uso e da experimentação musical com guitarras, pedais e equipamentos afins. Nada mais justo, então, do que uma lista recheada de guitarristas mulheres (de todas as idades!) para lembrar da importância e da relevância delas para o Dia do Rock.

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Consolidada desde os anos 1940, a guitarra já era tocada (e muito bem) por mulheres como Sister Rosetta Tharpe — guitarrista negra conhecida pela enorme influência no que viria a se chamar rock nas décadas seguintes. Aos 20 e poucos anos, a musicista americana criou uma mistura de gospel, country e blues apontada como grande referência para nomes como Chuck Berry, Little Richard e Elvis Presley. Talvez sem saber, ela transformou um mero instrumento de madeira maciça em símbolo de pioneirismo feminino na música.

Sister Rosetta abriu caminho para que gerações seguintes de mulheres instrumentistas — como as citadas nesta lista — continuassem a fazer história.

Sister Rosetta Tharpe conquistou grandes públicos com sua mistura de gospel, country e blues nos anos 1940. Tudo isso aliado a solos de guitarra que viriam a contribuir para o surgimento do rock, no futuro / Foto: Getty Images
Sister Rosetta Tharpe conquistou grandes públicos com sua mistura de gospel, country e blues nos anos 1940. Tudo isso aliado a solos de guitarra que viriam a contribuir para o surgimento do rock, no futuro / Foto: Getty Images

Janelle Monáe

Indicada ao Grammy 2019 de álbum do ano por “Dirty Computer”, a cantora de “Make Me Feel” costuma mesclar solos de guitarra a performances de dança durante suas apresentações ao vivo. Com uma vibe meio Prince — que ficou conhecido por colaborar constantemente com mulheres instrumentistas —, Janelle (abertamente bi) traz a fluidez sexual junto à maleabilidade de gêneros musicais desde os riffs das composições, até a escolha estética de seus clipes e figurinos.

O trabalho inteiro da artista parece dizer o mesmo que a letra de “Django Jane”: “Let the vagina have a monologue”.

St. Vincent 

Nome de destaque em festivais espalhados pelo planeta, Annie Clark (conhecida pelo nome artístico St. Vicent) é cantora, guitarrista, compositora e produtora musical. Aos 36 anos, a artista une música eletrônica, rock e performance visual-conceitual a sonoridades características e provocantes. Foi ela quem, em 2017, colaborou com a marca americana de instrumentos musicais Ernie Ball Music Man na elaboração de um modelo de guitarra feito para se ajustar à anatomia do corpo feminino, deixando espaço para os seios e a cintura à mostra.

H.E.R.

Headliner do Rock in Rio 2019, curadora do próprio festival de R&B e ganhadora de dois Grammys, H.E.R também chama atenção pela habilidade como guitarrista. Apesar do uso comum de riffs envolventes junto aos graves do R&B, o uso da guitarra feito por Gabi Wilson remete a solos do rock clássico e do blues. Nas apresentações ao vivo da canção "Hard Place" isso fica ainda mais perceptível.

Lucinha Turnbull

Primeira mulher a tocar guitarra no Brasil (!), Lúcia Maria Turnbull tem como principais trabalhos a dupla Cilibrinas do Éden, formada com Rita Lee em 1973, e a atuação no grupo Tutti Frutti, também ao lado da ex-vocalista dos Mutantes. Entusiasta de guitarras-base, mas também talentosa como guitarrista-solo, a musicista coleciona parcerias com Caetano Veloso, Moraes Moreira, Guilherme Arantes, Gilberto Gil e outras figuras renomadas da MPB. Hoje, aos 66 anos e ainda ativa, Lucinha continua uma importante figura para o rock nacional.

Lucinha Turnbull abrindo show de Rita Lee, em 1981, no Maracanãzinho, localizado no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução Facebook
Lucinha Turnbull abrindo show de Rita Lee, em 1981, no Maracanãzinho, localizado no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução Facebook

Tash Sultana 

Popular por ser uma "banda-de-uma-mulher-só", a australiana Tash Sultana talvez seja a melhor ilustração do poder e da naturalidade das experimentações feitas pelas guitarristas das novas gerações. Multi-instrumentista de apenas 24 anos, ela utiliza a voz junto a variações de pedais, distorções e diferentes equipamentos de som para criar canções de múltiplas atmosferas.

O que era impensável há algumas décadas se torna palpável nas mãos de cada vez mais artistas mulheres descobertas na internet, como Tash.

Danielle Haim

Irmã do meio da banda americana HAIM, Danielle, 30, é a principal responsável pelos ótimos solos de guitarra do grupo. Ora mais pop e dançante, ora puro rock anos 1970, o som das três multi-instrumentistas — que tocam juntas desde crianças — já é referência e fonte de inspiração para meninas mais jovens.

Durante a entrega do prêmio de melhor banda internacional no NME Awards de 2018, Este (a Haim mais velha) fez questão de ratificar esse apoio às mulheres musicistas. “A qualquer um que se identifique como garota: sempre que você entrar em uma loja de guitarras, fizer uma passagem de som ou for a um estúdio de gravação, não permita que ninguém presente te intimide ou faça você se sentir como se não pertencesse a esse lugar, porque você pertence”, disse a baixista.

Brittany Howard

Vocalista e guitarrista da banda de blues rock Alabama Shakes, Brittany traz uma força que é só dela para a liderança do grupo. Quebrando estereótipos físicos esperados de mulheres no showbiz, a frontwoman também é voz e guitarra no grupo Thunderbitch e anunciou recentemente o lançamento do álbum solo "Jamie", previsto para setembro deste ano.

Malina Moye

Rainha da mistura de rock, funk americano, blues e soul a musicista de 34 anos foi escolhida pela Fender como uma das primeiras guitarristas negras e canhotas a fazer parte da "família Fender". Destaque recorrente nos rankings internacionais de blues, Malina também é modelo, atriz e empreendedora. Mas além dos numerosos elogios da crítica e de ocupar espaço em um gênero musical majoritariamente masculino, a guitarrista ainda coleciona parcerias importantes como a do single "K-yotic", gravado com o astro do funk dos anos 1970 Bootsy Collins — atração do Rock in Rio 2019.

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