Doc expõe agressões sexuais de Russel Simmons, importante executivo do hip hop
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Doc expõe agressões sexuais de Russel Simmons, importante executivo do hip hop

Filmado em grande parte no auge do #MeToo, o documentário "On the Record" fez parte da seleção do festival de Sundance e agora está na programação da HBO Max. O filme aborda as acusações de agressão sexual e assédio feitas a Russell Simmons, o magnata da música que ajudou a fundar nos anos 1990 a Def Jam, uma das mais importantes gravadoras de hip-hop e da música "urbana", que atualmente distribui material de grandes astros como Justin Bieber e Kanye West. Rihanna foi cria da gravadora, contratada quando Jay-Z era seu CEO.

Dirigido pelos cineastas Amy Ziering e Kirby Dick, o filme deveria circular no festival como se fosse abordar as mulheres na indústria da música, sem fazer referências a Russell. Só que uma foto da produtora musical Drew Dixon, que encabeçou as acusações, acabou vazando e provocando uma campanha de Russel contra o filme — Oprah Winfrey, produtora executiva, saiu do projeto, mas negou que tenha sido por pressão dele.

A produtora musical Drew Dixon entre os diretores do documentário Kirby Dick e Amy Ziering durante o festival Sundance em janeiro. Foto: getty Imaes
A produtora musical Drew Dixon entre os diretores do documentário Kirby Dick e Amy Ziering durante o festival Sundance em janeiro. Foto: getty Imaes

O filme acompanha Drew enquanto ela luta para contar que foi estuprada em 1995 por Russell, época em que era funcionária na Def Jam Recordings. Sil Lai Abrams, compositora e ativista que trabalhou por um curto período na gravadora, e Sheri Sher, pioneira do grupo feminino de hip-hop Mercedes Ladies, também descrevem ter sido agredidas por ele em ocasiões diferentes.

Elas e mais 17 mulheres toparam participar do documentário, mas há muitas outras que falaram nos últimos anos de ataques do produtor. "Éramos todos conhecidas como educadores no Bronx. Assumir ter sido agredida era como ouvir 'Como você se atreve a fazer isso conosco? Já estamos sendo derrotados'", diz Sheri, em entrevista à "Fortune", em relação a mais um aspecto difícil envolvendo suas acusações: são mulheres negras agredidas por um homem negro.

Russell Simmons em um evento em 2017, em Los Angeles. Foto: Getty Images
Russell Simmons em um evento em 2017, em Los Angeles. Foto: Getty Images

Kirby fala que a ideia era que Russell — que deixou a gravadora em 2017 — participasse do filme, mas seus assessores disseram que não havia interesse. Em uma declaração, o executivo escreveu: "Emiti incontáveis negações de falsas acusações contra mim... vivi minha vida como um livro aberto por décadas, desprovido de qualquer tipo de violência contra alguém".

Os traumas que surgem após as agressões não são os únicos pontos tocados no documentário. "Ao longo da produção deste filme — fazendo entrevistas com mulheres de diversos setores por seis, oito meses —, percebi não apenas o quanto esses crimes são traumáticos, emocionalmente e no plano pessoal. Mas também á o capital cultural que perdemos. Isso foi revelador. Não é só que as mulheres — por causa da misoginia, o patriarcado — não se levantam. Também é que elas estão traumatizadas, se sentindo excluídas. Eu nunca havia percebido isso. Vimos gerações de líderes, mentores serem aniquiladas. O que isso significa para a nossa cultura?", questiona Amy em entrevista à "Rolling Stone".

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