Drake se mostra em paz até com 'inimigos' e se defende: 'Dar oportunidades a artistas não é apropriação cultural'
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Drake se mostra em paz até com 'inimigos' e se defende: 'Dar oportunidades a artistas não é apropriação cultural'

A longa entrevista que Drake deu recentemente ao "Rap Radar" está cheia de revelações interessantes para os fãs e mostra um artista em paz com a carreira, a vida pessoal e mesmo as tretas. Suas rixas com Pusha-T e Kanye West, elogios a Jay-Z e assuntos polêmicos como apropriação cultural e uso de ghost-writers, teve de tudo um pouco no bate-papo do rapper com os jornalistas Elliott Wilson e Brian "B.Dot" Miller.

O site Complex fez um resumo dos trechos mais interessantes da entrevista que Drake deu de sua casa em Toronto "Rap Radar". A começar por sua preocupação em dar crédito aos rappers que o inspiram em seu trabalho. Quando perguntado sobre suas influências, Drake cita, de cara, pessoas como T-Pain, Kanye West e Lil Wayne. "Há muitas pessoas que contribuíram para o meu trabalho e me inspiraram. Obviamente, 50 Cent. '21 Questions' é provavelmente o maior exemplo de inspiração para um cara que não deveria estar cantando, mas quer cantar", citou.

Drake cita T-Pain, Kanye West, Lil Waynee 50 Cent como suas maiores influências. Foto: Getty Images
Drake cita T-Pain, Kanye West, Lil Waynee 50 Cent como suas maiores influências. Foto: Getty Images

Drake também elogiou West por suas contribuições musicais. "Outro exemplo importante ... o '808s & Heartbreak' (quarto álbum de West). 'College Dropout' e 'Late Registration' são faixas de um álbum que tem gêneros e músicas que talvez o pessoal do rap nunca tivesse ouvido falar", ressalta, reforçando que não se nega a dar crédito quando é preciso. "Acho que fui eu quem levou mais longe a ideia de fazer canções totalmente no estilo R&B", completa.

Drake reconhece também a nova safra de rappers que está surgindo. "Muita música boa está saindo agora, essas crianças estão cantando de forma emocionante. Há tantos, como o garoto YNW Melly, que tem as melodias loucas e carrega uma profunda dor em sua voz", elogia.

Entre tantas controvérsias em que Drake já foi envolvido, está a de que ele teria se apropriado de uma variedade de culturas e estilos musicais ao longo de sua carreira. "Apoiar uma cultura, cantando músicas e dando oportunidades a pessoas profundamente enraizadas nela não significa apropriar-se de uma cultura. Apropriação é tomar isso para seu próprio ganho pessoal e negar que alguma vez tenha sido inspirado por isso. Esse é o verdadeiro desserviço que alguém poderia fazer ao dancehall, ao afrobeat. Eu garanto que não apenas respeito como faço questão de dar oportunidade a esses artistas", afirma.

Outra questão levantada dentro da carreira de Drake é a de que ele usaria ghost-writers para escrever suas canções, algo que sempre vem à tona em entrevistas. "Qualquer um que me conhece sabe que meu maior talento é escrever ... É por isso que as pessoas me pedem para escrever músicas para elas", garante.

Um dos que acusou Drake de usar ghost-writers foi o rapper Meek Mill. Em 2015, os dois brigaram porque Meek falou que Drake tinha usado o recurso em algumas músicas. Serena Williams, a tenista, foi quem o aconselhou a encerrar a briga, de forma que todo mundo à sua volta ficasse sabendo.

Drake em um jogo de Serena Williams em 2011: tenista o aconselhou a encerrar uma briga. Foto: Getty Images
Drake em um jogo de Serena Williams em 2011: tenista o aconselhou a encerrar uma briga. Foto: Getty Images

Outra famosa rivalidade de Drake foi com o rapper Pusha-T. "Algumas pessoas gostam da música dele, eu pessoalmente não, porque não acredito em nada daquilo. Eu gosto de ouvir os caras em que acredito." Ele não disfarça em nada sua rixa, dizendo que "não deseja consertar nada com essa pessoa porque não há como voltar atrás". Pusha-T contou que Drake teria um filho não-assumido com uma modelo francesa. "Eu durmo bem à noite, não tenho problemas. Ele construiu sua carreira em cima dessa treta", diz Drake.

Mais um desafeto de Drake é ninguém menos que Kanye West que, segundo ele, é a raiz de seus problemas com Pusha-T. "Está tudo enraizado nessa situação, sim. Acho que ele definitivamente recrutou um cara com uma antipatia semelhante por mim, não importa o que ele diga em entrevistas. Eu sei que ... Há algo lá que o incomoda profundamente mas eu não posso consertar isso", diz.

Quando B.Dot perguntou se ele estaria aberto a conversar com West, Drake respondeu: Na verdade não, porque isso não acontece só comigo. Não tenho coisa alguma contra esses caras, nem sequer os conheço", desconversou, confirmando, porém, que a letra de "Sicko Mode" realmente foi dirigida a West. "Desde muito cedo nunca me esquivei de me defender. Mas se eu sinto que estou muito ansioso ou para evitar ofensas de bastidores, posso optar por abordar isso na música. Foi assim que acabei com a situação de Pusha", conta.

Mas quando se trata de Jay-Z, com quem também teve alguns desentendimentos no passado, a história parece ter se resolvido melhor: "Acho que Jay tem respeito por mim e ele está ciente do enorme respeito que eu tenho por ele", afirma.

Drake e Jay-Z: respeito mútuo. Foto: Getty Images
Drake e Jay-Z: respeito mútuo. Foto: Getty Images

Respeito que ele tem também por Rihanna — apesar de nunca terem assumido publicamente um relacionamento, o casal foi alvo permanente da imprensa de fofocas —, pois chegou a hesitar em trabalhar com Chris Brown na época do lançamento do single , "No Guidance", do álbum "Indigo". Brown, como todos sabem, é o ex que agrediu fisicamente a cantora. "Essa pessoa que estava no meio de nós não faz mais parte de nossas vidas. Eu tenho o maior amor e respeito por Rihanna. Penso nela como uma família mais do que qualquer coisa e não queria que ela se sentisse desrespeitada por causa dessa minha ligação como Brown", conta.

Drake e Rihanna durante o MTV Video Music Awards de 2016. Foto: Getty Images.
Drake e Rihanna durante o MTV Video Music Awards de 2016. Foto: Getty Images.

Sobre relacionamentos amorosos, Drake fala apenas que está aberto a novas experiências, mas nos seus próprios termos. “Amo meu espaço, amo meu trabalho e amo minha rotina. E para eu quebrar isso para alguém, seria apenas com uma pessoa realmente especial que se encaixasse nesse quebra-cabeça. Tem que ser alguém que tenha bom gosto musical, com quem eu me desse muito bem, a ponto de, quando nos separarmos, sentir que não posso funcionar corretamente sem a presença dela. Espero encontrar alguém que possa ficar ao meu lado e que me ajude a dirigir nessa jornada, em vez de ter que parar porque essa pessoa está ficando enjoada”, diz.

Embora Drake não tenha entrado em muitos detalhes em relação ao próximo álbum, ele mencionou uma colaboração com Chris Brown e deu algumas dicas de como está abordando o projeto. "Estou gostando de viver, sair com as pessoas. Investindo em conexões pessoais, eu melhoro minha música", diz o rapper, que assinou contrato com a Universal. Os jornalistas perguntaram a Drake se ele considera algum de seus álbuns um clássico. "É difícil falar de clássicos, ainda estamos vivendo uma carreira. Tenho dificuldade em definir o que é mais um clássico. Para mim, um clássico seria algo que teve um enorme impacto na música que está sendo feita, na cultura. Então, nesse sentido, sim, acho que tenho álbuns clássicos: 'So Far Gone' e 'Take Care'. Eu não gosto de me elogiar... eu preciso de mais alguém para dizer isso!", disfarça, com falsa modéstia.

"Estou num ponto ótimo da vida. Minha vida é paz, beber expressos e vinho. Estou tentando fazer este novo álbum, gostando de ser pai, aproveitando minha casa", contou. Por enquanto, os fãs têm "War", presente de Natal recém-lançado.

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