Dua Lipa investe no pop para 'trazer felicidade às pessoas' sem se distanciar do feminismo
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Dua Lipa investe no pop para 'trazer felicidade às pessoas' sem se distanciar do feminismo

Dua Lipa teve algumas decepções nesses últimos tempos, mas está tão disposta a espantar tudo com diversão — "gostaria de proporcionar às pessoas um pouco de felicidade durante esse período" — quanto a mostrar atenção a temas feministas. "Quero que minhas fãs se sintam vistas e ouvidas e saibam que todos nós passamos pelas mesmas coisas", diz. Há cerca de um mês, voltando de viagem, encontrou o apartamento inundado. Seu novo álbum, "Future Nostalgia", vazou online. E, assim como mais da metade da humanidade, se viu trancada em casa — na verdade, em um apartamento alugado, pois o dela estava em obras — por causa da pandemia do coronavírus.

Dua Lipa ficou bem chateada quando descobriu que seu segundo disco havia vazado na internet. "Future Nostalgia" havia sido planejado para ser lançado em abril, mas a cantora resolveu antecipar, em vez de adiar, tal qual muitos artistas estão fazendo — Lady Gaga, Pretenders e Sam Smith, entre eles.

Diante da situação — está em distanciamento social com o namorado e de certo modo gostando, porque "estou fazendo coisas que normalmente não tenho a chance de fazer, apenas dormindo e lendo um livro e assistindo a programas de TV", como disse em entrevista à "BBC" — Dua não se preocupou mais com a estratégia de lançamento. Ela já havia chorado por conta das músicas vazadas, então resolveu liberá-las logo. "Eu fiz este álbum para me livrar de quaisquer pressões, ansiedades e opiniões do mundo exterior. Ele é para ser ouvido nos clubes e festivais e agora vejo que, ao mesmo tempo, eu posso dar às pessoas um pouco de felicidade durante esse período, onde elas não precisam pensar no que está acontecendo e podem simplesmente desligar e dançar. "Talvez tivesse que sair mesmo agora e não mais tarde", percebe Dua.

A expectativa pelo segundo disco da cantora era alta então, talvez uma data de lançamento antecipada só tenha ajudado, tanto sob o aspecto de afago para os fãs quanto comercialmente para a artista. "Future Nostalgia" é o número um no Reino Unido e está entre os cinco primeiros na parada americana.

Quando criou o conceito do disco no início de 2018 — algo que remetesse a uma sonoridade futurista —, Dua começou a trabalhar de trás para frente nas composições. "Eu já havia começado a fazer o disco e sabia que queria que refletisse minhas influências da infância, mas ainda não tinha a direção certa. Daí veio o título, que até pensei que fosse um exagero, mas depois o absorvi e avisei ao meu empresário: 'Eu tenho o título do meu álbum, vou começar a trabalhar de trás para frente'", diz ela.

A cantora destaca que "Levitating" foi a primeira faixa a se encaixar na proposta do novo álbum. "Foi a música que ajudou a moldar o disco", diz ela, que ficou "tão empolgada" no estúdio que a gravação se tornou uma festa improvisada. "Comemos tanto doce que estávamos literalmente levitando porque estávamos com muito açúcar", brinca ela.

Em dois anos de produção, Dua gravou quase 60 músicas e teve a colaboração de nomes como Nile Rodgers, Max Martin, Mark Ronson e Pharrell Williams que, curiosamente, ficaram de fora do resultado final do álbum. As gravações foram encerradas em fevereiro, com um total de 11 faixas, todas compostas por Dua e vários parceiros. "Muitas vezes as pessoas encaram os artistas pop como pré-fabricados. Para mim é importante dizer que eu não estou apenas no crédito nas músicas, eu realmente as escrevi e participei das sessões. Elas são minhas experiências pessoais. Eu estava muito inspirada e sabia exatamente o que queria dizer", afirma.

Entre as experiências, Dua mantém as questões de feminismo e empoderamento que tanto a destacaram no cenário pop em sua estreia com "New Rules", em 2017. A faixa-título traz versos como "Eu sei que você não está acostumado a uma alfa feminina", enquanto "Boys Will Be Boys" expressa os medos cotidianos que as mulheres enfrentam, de ser ignoradas e tratadas como inferiores, algo que os homens nunca precisam se preocupar. "Quero que minhas fãs se sintam vistas e ouvidas e saibam que todos nós passamos pelas mesmas coisas", diz.

Se o álbum de estréia foi adiado três vezes, enquanto ela lutava para ganhar força nas paradas, Dua chegou à fama mundial em fevereiro de 2017, quando já tinha, simultaneamente, três singles no top 15. Além disso, alcançou a proeza de ser a artista feminina mais jovem a atingir um bilhão de visualizações de videoclipes. Visibilidade que ela aproveitou para endurecer o discurso sobre igualdade de gêneros e em defesa das mulheres.

Dentro de sua área, Dua questiona frequentemente como fazer da indústria da música um lugar onde as mulheres tenham oportunidade e respeito e possam realizar todo o seu potencial de carreira. Ano passado, ela criou um plano de cinco pontos para a indústria evoluir, com propostas que incluem um maior número de mulheres em papéis de liderança e estabelecimento de metas inclusivas para contratar mais mulheres para escrever e produzir música. Incentivar as meninas nas escolas a tocar “instrumentos tradicionalmente masculinos", realizar auditorias de diversidade em todos os setores da indústria e garantir que o estúdio seja um espaço seguro e inclusivo para as artistas são os outros pontos propostos por Dua.

A cantora se diz mais segura agora, estando "muito mais em contato com quem sou agora e com uma ideia muito clara do que estou fazendo e do que quero dizer. Coisas das quais não tenho medo". Uma confiança que se reflete em "Future Nostalgia", que demorou a sair propositalmente, para Dua se concentrar no projeto visual e na criação de coreografias. "No meu primeiro disco, eu estava aprendendo tudo. Eu senti que os três primeiros shows de todas as turnês eram meus dias de ensaio, descobrindo qual seria o meu set list e como eu iria falar com a plateia. Desta vez, eu queria terminar o disco mas também precisava garantir que tivesse tempo suficiente para o ensaio para ter performances únicas", explica.

Dua Lipa, já em distanciamento social, participando do Late Show Special de James Corden. Foto: Getty Images
Dua Lipa, já em distanciamento social, participando do Late Show Special de James Corden. Foto: Getty Images

Infelizmente, outro tempo de espera aconteceu, esse fora do controle de Dua. A pandemia do coronavírus cancelou uma turnê mundial, uma participação no Glastonbury e no Saturday Night Live, todos agendados para as próximas semanas. "Oh, fiquei muito chateada, mas é um preço pequeno a se pagar", conforma-se, ressaltando que seu objetivo nesse álbum era criar músicas que durassem muito tempo. "Então, depois que tudo isso acabar, eu realmente espero retomar de onde parei e poder sair, fazer festivais e realizar essas apresentações", diz, esperançosa.

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