Eles transformam armas em instrumentos musicais: conheça a ONG fundada por Richard Gibbs, ex-Oingo Boingo
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Eles transformam armas em instrumentos musicais: conheça a ONG fundada por Richard Gibbs, ex-Oingo Boingo

Quando o assunto é violência armada, passar de "o que podemos fazer?" para "esta é uma maneira de fazer uma diferença real" é muito difícil. Várias questões políticas e éticas estão envolvidas no porte e no comércio de armas de fogo, em especial nos Estados Unidos, uma das nações mais armamentistas do mundo. Criado por Richard Gibbs, ex-integrante do Oingo Boingo (banda de sucesso nos anos 1980) e compositor de trilhas de cinema e TV, o Armory of Harmony está, aos poucos, conseguindo fazer sua parte dentro dessa realidade. A instituição transforma armas desativadas em instrumentos musicais e apoia o estudo de música em escolas e instituições.

Estima-se que existam mais de 390 milhões de armas nas mãos de civis americanos, em um país com 328 milhões de habitantes. Diretamente relacionados a esses números estão os tiroteios em escolas e outros locais públicos, preocupação imensa nos Estados Unidos.

A Ong recolhe armas desativadas para transformá-las em instrumentos musicais. Foto: Reprodução
A Ong recolhe armas desativadas para transformá-las em instrumentos musicais. Foto: Reprodução

Depois de ouvir mais uma dessas terríveis notícias — a do caso Parkland, Flórida, que deixou 17 mortos e 14 feridos em fevereiro de 2018 — Richard Gibbs se uniu a um grupo de músicos e ativistas. Com Mystic Marley (neta de Bob), DJ Spooky, o trio Running Lights, Jon Batiste and Stay Human, o pianista Kris Bowers e muitos outros, formou o Armory of Harmony. A organização sem fins lucrativos reúne armas desativadas e faz parcerias com fabricantes para fundi-las e transformá-las em trompetes e outros instrumentos musicais. Depois de prontos, são distribuídos para programas de música do ensino médio.

O DJ Spooky é um dos artistas que abraçaram a causa do Armory of Harmony. Foto: Getty Images
O DJ Spooky é um dos artistas que abraçaram a causa do Armory of Harmony. Foto: Getty Images

"A essência da mensagem do Armory of Harmony denota força através da cooperação e da criação de harmonia entre pessoas de diversas crenças. As pessoas podem trabalhar juntas como notas diferentes em um acorde", diz Gibbs ao "Malibu Mag".

Compositor, músico que tocou com Robert Palmer e Aretha Franklin, diretor musical de diversos filmes e programas de TV e produtor de nomes como Korn, Gibbs deixa claro que a ong é apolítica. Sem assumir posição oficial em relação ao controle de armas, algo que divide opiniões nos EUA, o Armory of Harmony concentra esforços em algo que todos concordam — a necessidade de segurança para os cidadãos.

“Há verdade em todos os lados e nenhuma solução única vai cuidar dessa bagunça. Não queremos escrever leis sobre armas. Estamos empenhados em mudar o comportamento e as atitudes em relação às armas. Saúde mental, acesso fácil, exaltação generalizada das armas em nossa arte, esses são apenas alguns dos fatores que devem ser abordados simultaneamente”, destaca Gibbs.

Falando em leis, vale lembrar que depois dos seguidos tiroteios de 2018 — foram 14 só em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro — 25 estados americanos revisaram sua regulação de armas, reforçando pontos como pesquisa de antecedentes mais completa.

Em um programa piloto que eles esperam que se torne permanente, foi adquirido recentemente um primeiro lote de metal proveniente de armas do programa de recompra de armas da prefeitura de Los Angeles. Dele já saiu um protótipo de trompete e kalimbas africanas.

Instrumento feito de metal reciclado originário de armas. Foto: Reprodução
Instrumento feito de metal reciclado originário de armas. Foto: Reprodução

“Estamos reimaginando e gravando músicas famosas sobre armas, sem nos posicionar, como 'I Shot the Sheriff', 'Happiness Is a Warm Gun' e '16 Shots'. É a nossa maneira de demonstrar como as armas estão profundamente enraizadas em nossa música e cultura", cita o produtor, lembrando, no entanto, que os artistas são apenas parte da solução da violência armada. "Não há como resolver o problema das armas na América sem a participação dos os proprietários de armas. Todos devemos trabalhar juntos", apela.

O professor Doug Kmiec, ex-embaixador e acadêmico, aponta que o Armory of Harmony evita a desarmonia do debate partidário. "É um incentivo para que pessoas de todos os pontos de vista entendam que o metal de uma arma manuseada ou abandonada de maneira inadequada pode ser transformado numa performance musical, que agrega muito mais alegria e beleza à vida”, ressalta.

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