Elliot Roberts, empresário do rock sem traços de vilão, recebe homenagem emocionada de Neil Young
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Elliot Roberts, empresário do rock sem traços de vilão, recebe homenagem emocionada de Neil Young

Retratado como vilão em muitos filmes sobre ídolos do rock, como aconteceu nos recentes "Rocketman" e "Bohemian Rhapsody", o empresário de astros de rock costuma ser um personagem mais rico do que mostram as adaptações para a tela. Um belo exemplo de profissional da categoria Elliot Roberts morreu na sexta-feira (21), de causa não divulgada, em Los Angeles, deixando uma bela legião de respeitáveis "viúvas" no meio musical.

Tendo iniciado sua carreira em 1967, Elliot trabalhou principalmente com músicos da cena que surgiu fundindo psicodelia hippie e tradição folk rock, como Joni Mitchell e Crosby, Stills & Nash. Posteriormente, também foi empresário Jackson Browne, Tom Petty e Tracy Chapman, entre outros.

Elliot Roberts Jonathan Demme Neil Young    Gabe Ginsberg Getty Images
Elliot Roberts Jonathan Demme Neil Young Gabe Ginsberg Getty Images

Sua parceria mais marcante, porém, foi com o canadense Neil Young, com quem estabeleceu uma relação de forte amizade, além do lado profissional. Na imagem acima, eles aparecem juntos, com o cineasta Jonathan Demme, que dirigiu um filme sobre Neil Young, o documentário “Heart Of Gold”, de 2006, e aparece no centro. Elliot Roberts é o último, à direita.

“Nunca pensava antes em si mesmo, ele sempre colocava todos os outros em primeiro lugar. Foi o que ele fez por mim por mais de 50 anos de amizade, amor e gargalhadas, administrando minha vida, protegendo nossa arte no negócio da música. Foi o que ele fez”, lembrou, em seu site pessoal, Neil Young, que, em 1968, pediu pessoalmente a Elliot Roberts que cuidasse de sua carreira solo, após sair da banda Buffalo Springfield.

Curiosamente, quase ao mesmo tempo, Elliot Roberts passaria a gerenciar a sequência da carreira de outro integrante do Buffalo Springfield: o também cantor e guitarrista Stephen Stills, que fundava o trio Crosby, Stills & Nash, com outros dois cantores que também deixavam seus grupos originais - Graham Nash, egresso da banda inglesa The Hollies; e David Crosby, que deixava os Byrds, com os quais gravara quatro discos. No sentido oposto, em 1969, Neil Young viria a se juntar ao trio, formando o quarteto Crosby, Stills, Nash & Young.

No mesmo ano de 1968, David Crosby participou, como produtor musical, do álbum pelo qual Elliot Roberts se convenceu a entrar de vez na carreira musical, “Song To A Seagull”, de Joni Mitchell, a quem assistira em 1967, no Greenwich Village, em Nova York. “Fui até ela depois do show e disse: 'Sou um jovem empresário e sou capaz de matar para trabalhar contigo'”.

Elliot Roberts e Joni Mitchell  Gijsbert Hanekroot  Redferns, via Getty Images
Elliot Roberts e Joni Mitchell Gijsbert Hanekroot Redferns, via Getty Images

Elliot Roberts passou a cuidar da carreira de Joni Mitchell, ao lado de outro empresário que viria a se consagrar na cena do rock americano, David Geffen (futuro presidente da Geffen Records), e fundou sua companhia, Lookout Management, que ainda permanecia em atividade.

“Quando se tratava de nossos negócios, Elliot me guiava em cada movimento. Nós conversávamos todos os dias. Muitas vezes, eu o chamava várias vezes por dia, discutindo, discutindo, planejando e compartilhando. Ele estava lá por mim e protegeu minha música com uma força enorme”, elogiou Neil Young.

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