Elton John, aos 72 anos, revê altos e baixos em autobiografia: 'Tenho orgulho de ser quem eu sou'
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Elton John, aos 72 anos, revê altos e baixos em autobiografia: 'Tenho orgulho de ser quem eu sou'

Elton John lança, nesta terça-feira (15), sua primeira autobiografia, "Me". A obra adentra detalhes ainda mais interessantes sobre a vida do artista de 72 anos, que neste ano ganhou a cinebiografia "Rocketman". Em entrevista à rádio americana "NPR", ele fala sobre alguns capítulos do livro, cuja narrativa foca em sua trajetória musical rumo ao estrelato. "Meu pai odiava o fato de eu querer ser uma estrela do rock", revelou ele, que mesmo sem nenhum apoio dos pais, seguiu seu sonho e se tornou o homem da qual tanto se orgulha hoje.

"Me" também fala sobre os diversos problemas pessoais do cantor, como sua dificuldade em lidar com a sexualidade e o vício em drogas. "Eu odiava a forma como eu me comportava. Odiava como tratava as pessoas. Odiei o que eu me tornei", disse ele ao repórter Terry Gross. "Mas me sinto agradecido por isso, já que foi o motor para me transformar no que sou hoje."

O jornalista pediu que Elton comentasse algumas passagens do livro, como a que fala sobre o casamento falido de seus pais. Ele reagiu, a princípio, com a seguinte frase: "Meu pai e minha mãe jamais deveriam ter se casado".

"O casamento dos dois aconteceu muito rápido, logo após a guerra. Eles sequer se conheciam bem. Os anos 1950 foram especialmente terríveis, porque era uma época conservadora, e as pessoas que se separavam eram mal vistas. Lembro do meu tio reagindo ao divórcio dos meus pais. Ele disse: 'Vocês não podem se separar. O que os vizinhos vão dizer?'.", comentou Elton.

Capa de 'Me: Elton John Official Autobiography'/Divulgação
Capa de 'Me: Elton John Official Autobiography'/Divulgação

Recordando sua infância, Elton relevou que cresceu ouvindo Nat King Cole (1919-1965), Frank Sinatra (1915-1998) e George Shearing (1919-2011). "Eu amava George. Ele era um jazzista, um pianista cego que se tornou famoso nos anos 1970. Fui até Nova York e encontrei com ele. Nesse dia, contei que cresci ouvindo suas músicas e que elas eram fantásticas", contou. "'Tinha entre 6 e 7 anos quando ouvi suas canções pela primeira vez. 'Eu as amava tanto que fiquei obcecado em tocar piano como você', foi o que falei para ele."

Elton ainda falou sobre a questão da sexualidade, e confirmou que foi virgem até os 23 anos de idade. "Não sabia nada sobre sexo antes disso. O que sabia era que os caras levavam as garotas ao cinema e depois tentavam a sorte. Nunca deu certo comigo. Então, a música ocupou esse espaço. A música era o sexo para mim", observou.

Ao fim, o cantor fez algumas citações marcantes sobre o uso de cocaína, os momentos mais tensos do vício e sua ida à reabilitação. "A cocaína me deixava excitado", apontou Elton. "Era como um afrodisíaco. Por outro lado, esse afrodisíaco não me deixava tocar. Eu não conseguia fazer nada sem usar cocaína. Acho que foi por isso que não contraí HIV nos anos 1980. Eu não ligava muito para o sexo, só para a droga. A cocaína quase me matou, mas também me salvou de certa forma."

Antes de se afastar totalmente das drogas, Elton ficou 9 meses sem usá-las. Mas voltou mais forte do que nunca. "A cada vez que você volta, volta pior. Cheguei a ter convulsões no meio da noite. As pessoas me encontravam no chão e me colocavam na cama. Depois eu usava mais cocaína. Era um horror", disse ele, que foi uma das primeiras celebridades a passarem por uma reabilitação.

"Lá era como um campo de treinamento. Acordava às 6h. Compartilhava quarto, arrumava a cama, trabalhava numa lavanderia, e eu nem sabia direito o que fazer. Trabalhei muito duro. Foi muito complicado ficar sóbrio, pois para isso você precisa ser humilde. E escutar outras pessoas. Isso me ajudou muito", finalizou.

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