Elton John, mestre de canções e superstar que escolheu fazer a diferença
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Elton John, mestre de canções e superstar que escolheu fazer a diferença

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Reza a lenda que desde o primeiro encontro entre Elton John e seu parceiro musical Bernie Taupin, até hoje, o processo é praticamente o mesmo: Taupin escreve a letra, envia para Elton onde ele estiver. Elton compõe a música para o poema original, e, em seguida, a dupla se encontra, corações nas mãos, para enfim ouvir finalizada a canção. Foi assim em 1967, quando fizeram “Scarecrow”, a primeira parceria e, passados mais de 50 anos, 30 e tantos discos lançados e cerca de 300 milhões de álbuns vendidos, ainda hoje é assim.

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As canções foram o ponto de partida da carreira de Elton John, e seguem sendo seu ponto de chegada — debaixo dos óculos imensos, das roupas coloridas, da personalidade extravagante e de seu gigantesco sucesso, antes de tudo Elton John é um compositor de canções, dos maiores que a música pop já viu.

Elton John começou a tocar piano aos quatro anos de idade / Foto: Getty Images
Elton John começou a tocar piano aos quatro anos de idade / Foto: Getty Images

Nascido Reginald Kenneth Dwight na Inglaterra em 1947, quando lançou seu primeiro sucesso, a até hoje incontornável “Your Song”, Elton John tinha somente 23 anos. Começava ali uma carreira que colocaria 27 canções entre as 40 mais tocadas nas paradas dos EUA, 28 canções entre as 10 mais, e 9 em primeiro lugar — é, segundo a "Billboard", o terceiro artista mais bem-sucedido da história da música popular, atrás somente da Madonna e dos Beatles. Desde o início dos anos 1970 e até hoje, as canções de Elton John são parte do imaginário popular em todo o planeta. Somente Paul McCartney parece oferecer o mesmo calibre de melodias e letras imortais em tanta quantidade quanto Elton — que, assim como Paul, também se tornou “Sir” pela espada da rainha da Inglaterra. 

O próprio Elton admite que a personalidade extravagante e a atitude maior que a própria vida que marcam sua presença nos palcos foram uma maneira de fugir da timidez. Para se tornar quem de fato era, Reginald precisou morrer e dar espaço para Elton John nascer. E se hoje é ele um dos artistas mais amados e admirados por tantas gerações, a admiração começa pelo repertório áureo do compositor, mas definitivamente não se resume a isso: Elton se tornou um desses artistas importantes, que fizeram toda a diferença não só em nossos ouvidos, mas na própria sociedade em que vivemos. 

David Furnish, Elton John e Bernie Taupin na cerimônia do Grammy, em 2018 / Foto: Getty Images
David Furnish, Elton John e Bernie Taupin na cerimônia do Grammy, em 2018 / Foto: Getty Images

Quando, em 1976, pela primeira vez afirmou ser bissexual, ele já era em muitos sentidos um ícone da comunidade LGBT — a coragem com que vestia os figurinos e a personalidade de seu personagem o colocou junto de outros gigantes como David Bowie, Lou Reed e Freddie Mercury na libertação sexual e de gênero que a música da década de 1970 ajudou a realizar. Passava não só a ser permitido, como ser legal tudo aquilo que antes era considerado esquisito, pecado, proibido. Somente em 1992, porém, é que o cantor e compositor viria a se afirmar efetivamente como homossexual. No ano seguinte Elton começaria seu relacionamento com o cineasta canadense David Furnish, com quem tem tem dois filhos e segue casado até hoje. 

No mesmo ano em que abriu o jogo sobre sua sexualidade, Elton iniciaria o que provavelmente é seu mais importante trabalho longe dos palcos e de um piano: a Elton John Aids Foundation, uma organização sem fins lucrativos que realiza programas de prevenção ao HIV, projetos educacionais, além de suporte, ajuda e serviços para pessoas que vivem com o vírus. Com atuação em mais de 55 países, a EJAF já levantou mais de 400 milhões dólares em programas diversos ao redor do HIV. 

O primeiro sucesso de Elton John, “Your Song”, foi lançado quando ele tinha somente 23 anos / Foto: Getty Images
O primeiro sucesso de Elton John, “Your Song”, foi lançado quando ele tinha somente 23 anos / Foto: Getty Images

Se hoje é Furnish quem preside a fundação, o amor é também a base de sua origem — ainda que em uma nota especialmente triste na vida de Elton: a inspiração para começar esse imenso trabalho veio da perda de Ryan White em 1990, um jovem americano hemofílico que faleceu aos 18 anos por conta do vírus, contraído em uma transfusão de sangue. White se tornou um dos primeiros a lutar contra o preconceito contra quem contraiu o vírus, como também a ajudar a retirar o estigma do HIV sobre a comunidade gay, visto que a contaminação do jovem nada teve a ver sequer com sexo. Outra morte determinante para que ele enfim iniciasse sua fundação foi do cantor e seu amigo Freddie Mercury, em 1991. O próprio Elton admite que por sorte não contraiu o vírus na década de 1980, e o impacto de tais perdas fez com que ele não só mudasse sua visão sobre sua própria saúde e proteção, como também que iniciasse o projeto da fundação para ajudar a vida e a causa em escala global.

Até hoje, as canções de Elton John são parte do imaginário popular em todo o planeta / Foto: Getty Images
Até hoje, as canções de Elton John são parte do imaginário popular em todo o planeta / Foto: Getty Images

Em janeiro do ano passado Elton anunciou que iria começar uma turnê de despedida — com três anos de duração e mais de 300 shows a serem realizados em todo o mundo até 2021. “Dez anos atrás, se você me perguntasse se eu iria parar de sair em turnês, eu diria que não. Mas agora nós temos filhos e isso mudou nossas vidas”, disse Elton em entrevista recente. “Eu tive uma vida e uma carreira incríveis, mas minhas prioridades agora são meus filhos, meu marido e minha família.” Não há, porém, escassez alguma para se lamentar: além do filme “Rocketman, contando a vida de Elton, temos a imensa coleção de sucessos que jamais nos deixarão sós. “Your Song”, “Tiny Dancer”,  “Bennie and the Jets”, “Goodbye Yellow Brick Road”, “Don’t Let The Sun Go Down on Me”, “Daniel”, “Crocodile Rock”, “Rocket Man”, “I Guess That’s Why They Call It The Blues”, “Candle In The Wind”, “The Circle Of Life”, “Levon”, “Don’t Go Breaking My Heart” e tantas mais que fazem desse jovem artista de 72 anos a própria definição do compositor de canções capaz de moldar o imaginário, a vida e mesmo o futuro de nossas vidas. 

Elton John e seu marido David Furnish, com quem tem dois filhos / Foto: Getty Images
Elton John e seu marido David Furnish, com quem tem dois filhos / Foto: Getty Images
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