Em 12  de março de 1967, é lançado o clássico imortal 'The Velvet Underground & Nico'
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Em 12 de março de 1967, é lançado o clássico imortal 'The Velvet Underground & Nico'

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A lenda propagada por Brian Eno não determinava a quantidade de cópias, mas dava a exata importância de sua influência: foram poucas pessoas que compraram o disco de estreia do grupo The Velvet Underground, mas todas que o fizeram montaram uma banda. Um clássico perene, "The Velvet Underground & Nico", mais conhecido como "o disco da banana", foi lançado no dia 12 de março de 1967 e mudou a história da música pop como a conhecemos.

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Porque foi a primeira vez em que artistas pop não se preocuparam em ser pop — e sim em fazer a diferença. O grupo surgiu do encontro de duas das maiores personalidades musicais do século passado. Lou Reed era fissurado em música pop e literatura, equilibrando-se entre os dois mundos de forma peculiar: enquanto estudava letras na faculdade de Syracuse, em Nova York, trabalhava na minúscula gravadora Pickwick compondo músicas que com sorte se tornariam hits passageiros. John Cale, por sua vez, tinha formação erudita, estudara com o papa da música contemporânea John Cage, participou do grupo Fluxus e veio do Reino Unido para Nova York para executar uma obra de piano que durava horas. O encontro dos dois inevitavelmente levou a conversa para a música e em pouco tempo eles estariam comprometidos em compor sem se preocuparem com o resultado ou com o que as pessoas iriam dizer. Música pela música.

Juntaram-se ao guitarrista Sterling Morrison e à baterista Maureen "Mo" Tucker e começaram a fazer shows onde dava, desafiando as expectativas com uma formação inusitada: dois guitarristas barulhentos, que não economizavam na microfonia, um baixista e tecladista que também tocava viola (plugada à eletricidade e com cordas de aço) e uma baterista que tocava de pé com latas de lixo acopladas ao seu instrumento, para fazer ainda mais barulho. As letras de Lou Reed não deixavam por menos e falavam sobre prostituição, drogas pesadas, travestis, paranoia, sexo sadomasoquista, solidão, desilusão. E o grupo se apresentava todo vestido de preto, com óculos escuros mesmo em shows noturnos.

Foi a primeira vez em que artistas pop não se preocuparam em ser pop — e sim em fazer a diferença

Foi desse jeito que a banda conquistou o artista multimídia Andy Warhol, um dos principais nomes da vanguarda nova-iorquina dos anos 1960, que ficou encantado com o conceito do Velvet Underground, a ponto de criar um espetáculo para apresentar o grupo ao seu círculo artístico. "Exploding Plastic Inevitable" misturava dança, performances, comida, projeções e outras experimentos à apresentação do Velvet Underground, que por sua vez vinha acompanhado de outra descoberta de Warhol, a cantora húngara Nico, por quem John Cale e Lou Reed se apaixonaram a ponto de permitir a entrada da modelo vestida de branco no grupo. Nico já era conhecida na Europa: havia gravado com Brian Jones e Jimmy Page, enquanto Bob Dylan e Serge Gainsbourg compuseram músicas para ela, que ainda participou do filme "La Dolce Vita", de Federico Fellini.

"The Velvet Underground & Nico" foi bancado por Warhol, que foi creditado como produtor do álbum no lugar de Tom Wilson — que também produziria a fase elétrica de Bob Dylan e os primeiros discos de Frank Zappa. Trazendo hinos como "Heroin", "Run Run Run", "I'll Be Your Mirror", "Femme Fatale", "All Tomorrow's Parties", "I'm Waiting for the Man" e "Sunday Morning", o álbum também tinha sua capa desenhada por Warhol, o que era a grande expectativa para as vendas, mas isso não aconteceu. O álbum foi um fracasso comercial e praticamente não foi registrado pelos jornais da época. Seu culto surgiu com os anos — puxado primeiro por David Bowie e depois pela geração punk — e hoje é um dos discos mais influentes de todos os tempos, mostrando para gerações posteriores que era possível produzir música pop sem necessariamente almejar o sucesso comercial. Bastava o amor à arte.

Quem nasceu

1917 - Leonard Chess, fundador da gravadora Chess (m. 1969)

1929 - Nelson da Rabeca, instrumentista e compositor alagoano

1940 - Al Jarreau, cantor e compositor norte-americano (m. 2017)

1946 - Liza Minnelli, cantora, atriz e bailarina norte-americana

1948 - James Taylor, cantor e compositor norte-americano

1949 - Mike Gibbins, baterista galês da banda inglesa Badfinger (m. 2005)

1951 - Jack Green, cantor e compositor inglês, que tocou com as bandas T. Rex e The Pretty Things 

1956 - Steve Harris, baixista da banda inglesa Iron Maiden

1957 - Marlon Jackson, integrante do grupo norte-americano The Jackson 5

1969 - Graham Coxon, guitarrista, cantor e compositor do grupo inglês Blur

1977 - Ben Kenny, baixista da banda norte-americana Incubus

1979 - Pete Doherty, guitarrista e vocalista das bandas inglesas The Libertines e Babyshambles

1986 - Danny Jones, guitarrista e vocalista da banda inglesa McFly

Quem morreu

1955 - Charlie Parker, músico e compositor norte-americano (n. 1920)

2011 - Joe Morello, baterista do grupo norte-americano The Dave Brubeck Quintet (n. 1928)

2012 - Michael Hossack, baterista da banda norte-americana Doobie Brothers  (n. 1946)

2013 - Clive Burr, baterista da banda inglesa Iron Maiden (n. 1957)

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