Em 17 de abril de 1970, Paul McCartney lança seu primeiro disco solo e acelera o fim dos Beatles
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Em 17 de abril de 1970, Paul McCartney lança seu primeiro disco solo e acelera o fim dos Beatles

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Foi a gota d'água. Ao lançar seu primeiro disco solo no dia 17 de abril de 1970, Paul McCartney praticamente encerrou as possibilidades de os Beatles voltarem a funcionar como uma banda. O clima no grupo já estava tenso, até que o baixista enviou para jornalistas ingleses uma entrevista consigo mesmo em que falava sobre vários assuntos, entre eles sua insegurança em relação ao futuro da banda. 

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A imprensa captou a mensagem e publicou manchetes falando que Paul havia deixado os Beatles, o que irritou especificamente John Lennon, que queria terminar o grupo no fim de 1969, mas foi dissuadido por Paul, para que permanecessem juntos até que pelo menos escolhessem quem os ajudaria a gerir sua carreira.

Após a morte do empresário Brian Epstein, em 1967, os Beatles estavam sem rumo, gastando dinheiro sem planejamento, o que deixava o clima cada vez mais pesado. Primeiro Ringo saiu da banda em 1968, depois foi o produtor George Martin que perdeu interesse no grupo e o “Álbum Branco” nunca teve uma faixa gravada pelos quatro Beatles ao mesmo tempo no estúdio.

As opções que eles tinham eram antagônicas. De um lado, o americano Allen Klein, conhecido por sua mão de ferro nas negociações e por ter transformado os Rolling Stones em uma das principais bandas dos anos 1960. Do outro, pai e filho Lee e John Eastman, da família milionária dona da empresa Kodak, conhecidos por seu estilo firme e sóbrio de negociações. O problema era a rivalidade mais acirrada dos principais advogados pelos dois nomes: John Lennon havia convencido George Harrison e Ringo Starr que sua opção, Allen Klein, era a melhor, enquanto Paul insistia no irmão e pai de sua nova namorada, Linda Eastman, que adotaria seu sobrenome naquela década. 

Paul McCartney e Linda McCartney em foto tirada por volta de 1970 / Foto: Getty Images
Paul McCartney e Linda McCartney em foto tirada por volta de 1970 / Foto: Getty Images

A rusga entre John e Paul parecia ter chegado ao ápice com o gesto de Paul. Ele depois diria ter sido mal interpretado, mas a tal declaração sobre o incerto futuro da banda vir seguida de um lançamento solo lhe daria uma atenção que os discos solos que John e George lançaram antes não tiveram. O álbum sairia após o lançamento do primeiro solo de Ringo, "Sentimental Journey", e dois meses antes do lançamento do pacote multimídia que encerraria o contrato do grupo com o estúdio United Artists. Tratava-se do filme "Let it Be", que seria acompanhado do álbum de mesmo nome, que havia começado a ser gravado com o título de "Get Back".

Batizado apenas de "McCartney", o disco de Paul vinha de encontro com a estética que os Beatles estavam aperfeiçoando no estúdio de Abbey Road. Gravado praticamente em segredo na própria casa de Paul em St. John's Wood, em Londres, o álbum foi registrado em um gravador caseiro de quatro canais com Paul tocando todos os instrumentos e produzindo todas as faixas sozinho. Entre gravações amadoras (inclusive o trecho de uma das primeiras músicas compostas por Paul, "Suicide", feita para Frank Sinatra), belas baladas (como a clássica "Maybe I'm Amazed"), e guitarras pesadas, Paul exorcizava sua persona para além dos Beatles, procurando caminhos que não conseguiria trilhar ao lado dos outros três. 

Na época, o disco foi mal recebido, como um punhado de gravações caseiras pela metade, mas aos poucos foi sendo consolidado como um dos precursores do lo-fi, gênero que se popularizou nos anos 1990 com bandas como Pavement e Sebadoh, que primavam por gravações de baixa fidelidade. 

Quem nasceu

1934 - Don Kirshner, produtor, compositor e descobridor de talentos norte-americano, responsável por lançar as carreiras de Neil Diamond, Carole King, Neil Sedaka e The Archies (m. 2011)

1940 - Billy Fury, cantor inglês (m. 1983)

1943 - Roy Estrada, baixista que tocava com Frank Zappa e fundador do grupo norte-americano of Little Feat

1948 - Jan Hammer, tecladista do grupo norte-americano Mahavishnu Orchestra, qque também tocou com Jeff Beck

1951 - Hyldon, nascido Hyldon de Souza Silva, cantor e compositor baiano

1954 - Michael Sembello, cantor e compositor norte-americano

1955 - Pete Shelley, líder, guitarrista, vocalista e compositor da banda inglesa Buzzcocks (m. 2018)

1964 - James Keenan, vocalista das das bandas norte-americanas Tool, A Perfect Circle e Puscifer

1967 - Liz Phair, cantora e compositora norte-americana

1970 - Redman, nascido Reginald Noble, rapper norte-americano

1974 - Victoria Beckham, também conhecida como "Posh Spice", uma das cantoras do grupo inglês Spice Girls

1980 - Céu, nascida Maria do Céu Whitaker Poças, cantora e compositora paulistana

Quem morreu

1960 - Eddie Cochran, cantor, compositor e guitarrista norte-americano, um dos pioneiros do rock (n. 1938)

1974 - Vinnie Taylor, guitarrista do grupo norte-americano Sha Na Na (n. 1949)

1983 - Felix Pappalardi, baixista e vocalista do grupo inglês Mountain (n. 1939)

1987 - Carlton Barrett, baterista e percussionista do grupo jamaicano The Wailers, que acompanhava Bob Marley (n. 1950)

1998 - Linda McCartney, cantora e compositora, esposa do beatle Paul McCartney (n. 1941)

2003 - Earl King, guitarrista norte-americano (n. 1934)

2008 - Danny Federici, tecladista que tocava com Bruce Springsteen (n. 1950)

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