Em 21 de maio de 1970, Marvin Gaye lança seu clássico ‘What’s Going On’
Especial

Em 21 de maio de 1970, Marvin Gaye lança seu clássico ‘What’s Going On’

Quando Marvin Gaye lançou seu décimo primeiro disco de estúdio no dia 21 de maio de 1970, ele estava concluindo um lento processo que havia sido iniciado no final da década anterior, que misturava indignação, revolta, dor e autodescoberta. E contrariando as regras do showbusiness, o mercado fonográfico e a expectativa dos fãs, lançou um dos maiores discos da história da música norte-americana ao mostrar "What's Going On" para o resto do mundo.

O cantor era o principal ícone da gravadora Motown, que estabelecera a soul music como o som da juventude nos anos 1960. Embora outros nomes fossem igualmente fortes, como a Diana Ross que liderava o trio Supremes e Smokey Robinson à frente dos Miracles, ele vinha sozinho, era o maior astro solo da gravadora. Seu nome se misturava à sua postura de galã e no final daquela década puxava duetos com outras cantoras, especificamente Tammi Terrell, sua grande amiga, com quem gravou hinos como "Ain't No Mountain High Enough", "Ain't Nothing like the Real Thing", "You're All I Need to Get By", "Good Lovin' Ain't Easy to Come By", entre outras.

Marvin Gaye se apresenta na University of Detroit Fieldhouse, em Detroit, nos EUA, em 1976 / Foto: Getty Images
Marvin Gaye se apresenta na University of Detroit Fieldhouse, em Detroit, nos EUA, em 1976 / Foto: Getty Images

Mas o fim da década trouxe problemas para o cantor, primeiro com o divórcio de sua esposa Anna Gordy (irmã do dono da gravadora Motown, Berry), o tumor que Tammi descobriu no cérebro e que logo tirou sua vida, problemas com impostos, dilemas artísticos com a Motown e vício em cocaína. A vida do cantor estava de pernas para o ar, apesar de ele manter uma carreira estável.

Ele via sua instabilidade emocional sendo refletida também nas convulsões sociais pelo planeta. Protestos, guerras, mortes e outras más notícias soterravam a fase feliz daquela década como uma enorme sombra que pairava sobre todos. As notícias que recebia de um de seus irmãos, que havia sido alistado e foi parar no meio da Guerra do Vietnã, o tornavam ainda mais inquieto com tudo aquilo e sua indignação começou a se refletir externamente: deixou o cabelo e a barba crescer, parou de se vestir bem arrumado e a andar de moletom, uma mudança drástica comparada à imagem de galã cortês que carregava.

A inspiração para a nova fase veio de uma música que um dos integrantes do grupo Four Tops, outro ícone da Motown, veio apresentar para Gaye. Renaldo "Obie" Benson mostrou-lhe a música que batizaria seu futuro disco mas Marvin Gaye achou melhor deixá-la para o grupo que estava produzindo, The Originals. Benson insistiu que havia feito a música para ele e Gaye aceitou gravá-la se ele pudesse mexer na composição e virar co-autor, o que tornou a música ainda mais profunda.

"What's Going On" havia sido inspirada pela reação violenta da polícia aos manifestantes anti guerra no Parque do Povo, na cidade de Berkeley, Califórnia, nos EUA. Os Four Tops passavam de ônibus pelo local indo para uma turnê quando ficaram impressionados com o que assistiram naquele 15 de maio de 1969. A violência policial deu origem ao título da faixa ("O que está acontecendo?"), que foi construída a partir dele.

Aquele novo single daria o rumo que Gaye precisava para o novo trabalho, como escreveu para seu irmão, no Vietnã: "Eu não sabia como lutar, mas acho que agora sei. Tenho que fazer do meu jeito. Não sou pintor. Não sou poeta. Mas posso fazer isso com música", resumiu.

Marvin Gaye toca piano no estúdio por volta de 1974 / Foto: Getty Images
Marvin Gaye toca piano no estúdio por volta de 1974 / Foto: Getty Images

O resultado foi o primeiro disco essencialmente político da carreira de Gaye e um dos primeiros discos de música negra norte-americana a apertar esta ferida. O resto do disco, feito a contragosto por Berry, que achava que Marvin estava indo longe de mais, seguia aquele tom: "What's Happening Brother" era uma materialização musical das cartas que escrevia para o irmão Frankie, "Flyin' High (In the Friendly Sky)" fazia referência ao uso de drogas, "Save the Children" mirava nas jovens vítimas da fome, pobreza e violência e "Mercy Mercy Me (The Ecology)" abordava pela primeira vez o tema da ecologia na música pop.

Um disco único que acertou a veia do inconsciente coletivo, tornando-se o disco mais bem sucedido da carreira de Gaye e vendendo dois milhões de cópias apenas no primeiro ano de lançamento. E reestruturou a carreira de Marvin Gaye não apenas como um ícone pop, mas como um dos principais nomes da música norte-americana de seu tempo. Um clássico.

Quem nasceu

1904 - Fats Waller, pianista norte-americano (m. 1943)

1934 - Sonny Forriest, guitarrista do grupo norte-americao The Coasters (m. 1999)

1940 - Tony Sheridan, cantor, compositor e guitarrista inglês, ficou mais conhecido por cantar na primeira gravação dos Beatles, em 1961 (m. 2013)

1941 - Ronald Isley, do grupo norte-americano The Isley Brothers

1943 - Hilton Valentine, guitarrista do grupo inglês The Animals

1943 - John Dalton, baixista do grupo inglês The Kinks

1943 - Vincent Crane, tecladista dos grupos ingleses The Crazy World of Arthur Brown e Atomic Rooster (m. 1989)

1947 - Bill Champlin, guitarrista, cantor, compositor e tecladista do grupo norte-americano Chicago

1955 - Stan Lynch, compositor, músico e produtor norte-americano, que também tocava bateria no grupo Tom Petty & The Heartbreakers

1962 - Roberto Frejat, cantor e compositor carioca e fundador do grupo Barão Vermelho

1963 - Tim Lever, tecladista do grupo inglês Dead Or Alive

1964 - Martin Blunt, baixista do grupo inglês The Charlatans

1972 - The Notorious B.I.G., também conhecido como Biggie Smalls, nascido Christopher G. Wallace, rapper norte-americano (m. 1997)

1980 - Gotye, nascido Wouter "Wally" De Backer, cantor, compositor e multiinstrumentista belga naturalizado australiano

Quem morreu

2001 - Tommy Eyre, produtor, arranjador e tecladista inglês (n. 1949)

2013 - Trevor Bolder, baixista inglês que tocava na banda de David Bowie Spiders From Mars, que também teve passagem pelo Uriah Heep (n. 1950)

2015 - Louis Johnson, baixista do grupo norte-americano Brothers Johnson (n. 1955)

2016 - Nick Menza, baterista da banda norte-americana Megadeth (n. 1964)

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