Em 5 de abril de 1994, Kurt Cobain, do Nirvana, tira a própria vida
Especial

Em 5 de abril de 1994, Kurt Cobain, do Nirvana, tira a própria vida

Um dos grandes acontecimentos da música pop no final do século vinte tornou-se público após o encontro do corpo sem vida do ídolo suicida, no dia 8 de março de 1994. Três dias antes, Kurt Cobain tirou a própria vida na estufa que ficava sobre a garagem de sua casa em Lake Washington Boulevard, no subúrbio da cidade que ajudou a colocar no mapa, Seattle, nos EUA.

Fundador e principal nome do Nirvana, Kurt Cobain encarnava uma personalidade que misturava o mito do artista sofredor com o arquétipo do nerd fã de rock - uma mistura de poeta romântico com a caricatura feita por Mike Myers no quadro "Wayne's World" (que deu origem ao filme "Quanto Mais Idiota Melhor"), na mesma época em que o Nirvana começou a dar seus primeiros passos, no início dos anos 1990.

O primeiro disco, "Bleach", marcava território como uma banda particular da barulhenta cena daquela cidade ao noroeste dos EUA, mas foi a partir de "Nevermind", lançado em 1991, que o Nirvana mudou a história da música pop. Sua mistura de heavy metal com hardcore aliada às doces melodias e amargos refrões de Kurt Cobain atingiria a perfeição quando a formação da banda tornou-se clássica, com Kurt na guitarra e vocal, seu fiel escudeiro Krist Novoselic no baixo e o novato David Grohl na bateria. O equilíbrio dos três músicos, a devoção à cena independente e ao modus operandi do faça-você-mesmo e seu comportamento em público — que misturava o existencialismo sarcástico dos Smiths à fanfarronice dos Beastie Boys — fizeram o Nirvana desafiar o olimpo comercial em que a música pop havia se encastelado na década anterior.

Um artista sem produção num mundo superproduzido, um popstar que só queria ser conhecido na cena indie, o rótulo da nova autenticidade sendo vendido como um produto em série

Com muita ironia e sem papas na língua, o grupo destronou ícones antes imbatíveis como Madonna, Guns N'Roses e Michael Jackson com um mínimo verniz comercial, este provido pelo produtor Butch Vig (que também faria o mesmo para o Smashing Pumpkins, antes de abraçar o pop com seu grupo Garbage). "Nevermind" era um sucesso tão improvável que as gravadoras correram para contratar bandas que Kurt Cobain mencionava nas entrevistas, sem nem querer saber que tipo de som elas faziam. Em pouco tempo, todas os grupos estabelecidos de Seattle já tinham discos lançados, aquela cena foi batizada de grunge (rótulo que por si só já era irônico) e calças jeans rasgadas, camisetas com nomes de bandas obscuras e camisas de flanela se tornavam o novo uniforme do roqueiro nos anos 1990.

Tudo aquilo veio com um custo muito alto para o criador do Nirvana, que sucumbiu às drogas para suportar as pressões daquela existência paradoxal - um artista sem produção num mundo superproduzido, um popstar que só queria ser conhecido na cena indie, o rótulo da nova autenticidade sendo vendido como um produto em série. Este sentimento foi traduzido perfeitamente em sua segunda obra-prima, o cru "In Utero", gravado por Steve Albini. O disco já mostrava que Kurt Cobain estava no limite do desespero e não poderia ser salvo.

A polícia o encontrou com uma arma sobre o peito e um buraco de bala na cabeça, próximo a um bilhete suicida, e depois foi revelado que havia uma alta taxa de heroína em sua corrente sanguínea. Um mês antes, em Roma, na Itália, Cobain havia tido uma overdose de comprimidos que sua mulher, Courtney Love, achava ter sido uma tentativa de suicídio. Após sua morte, surgiram especulações de que Kurt não teria se matado - e sim que teria sido assassinado -, embora a maioria das alegações caiam apenas em especulações sobre a forma como a perícia foi conduzida.

O fato é que até em sua morte Kurt Cobain foi decisivo. Ele colocou um ponto final prematuro em sua carreira e com isso o rock entrou em colapso. Várias alternativas surgiram buscando tapar esta lacuna - do britpop aos Strokes, dos Black Keys ao Queens of the Stone Age -, mas depois da morte de Kurt Cobain o rock perdeu a relevância que tinha, como se, ao encerrar sua biografia de forma abrupta, ele também fechou a tampa de uma era de ouro, iniciada quase meio século atrás.

Quem nasceu

1890 - Donga, nascido Ernesto Joaquim Maria dos Santos, compositor e sambista carioca (m. 1974)

1928 - Tony Williams, vocalista do grupo norte-americano The Platters (m. 1992)

1929 - Joe Meek, produtor e engenheiro de som inglês (m. 1967)

1935 - Peter Grant, empresário do grupo inglês Led Zeppelin (m. 1995)

1939 - Ronnie White, vocalista do grupo norte-americano The Miracles

1941 - Dave Swarbrick, cantor e compositor do grupo inglês Fairport Convention (m. 2016)

1942 - Alan Clarke, cantor do grupo inglês The Hollies

1948 - Dave Holland, baterista dos grupos ingleses Trapeze e Judas Priest (m. 2018)

1950 - Agnetha Faltskog, cantora e compositora do grupo sueco Abba

1951 - Everton Morton, baterista do grupo inglês The Beat

1965 - Mike McCready, guitarrista da banda norte-americana Pearl Jam

1968 - Paula Cole, cantora e compositora norte-americana

1973 - Pharrell Williams, MC, produtor e metade da dupla norte-americana The Neptunes

1975 - Juicy J, nascido Jordan Michael Houston, MC e produtor norte-americano

Quem morreu

1992 - Antônio Marcos, cantor, compositor e ator paulistano (n. 1945)

1998 - Cozy Powell, nascido Colin Flooks, bateristas dos grupos ingleses Jeff Beck Group, Whitesnake, Black Sabbath, Rainbow e Emerson, Lake and Powell (n. 1947)

2002 - Layne Staley, vocalista do grupo norte-americano Alice in Chains (n. 1967)

2007 - Mark St. John, ex-guitarrista do grupo norte-americano Kiss (n. 1956)

2012 - Jim Marshall, fundador da fábrica de amplificados Marshall (n. 1923)

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