Em 8 de abril de 1991, o Massive Attack lança ‘Blue Lines’, seu primeiro disco
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Em 8 de abril de 1991, o Massive Attack lança ‘Blue Lines’, seu primeiro disco

No início dos anos 1990, o Reino Unido vivia a ressaca da acid house. No fim da década anterior, uma onda de novos produtores abraçou o sampler, reinventou a dance music, criou o conceito de rave e transformou parte da população inglesa de música pop em baladeiros profissionais. Mas a onda foi embora tão rápido quanto chegou, deixando um novo público ávido por novos artistas. Até que o Massive Attack inventou o trip hop ao lançar seu deslumbrante disco de estreia "Blue Lines", no dia 8 de abril de 1991.

A dance music inglesa também era órfã da disco music e a partir dos anos 1980, artistas e produtores buscavam suprir aquela lacuna. Entre o nascimento do tecnopop e a ascensão do synthpop, o pós-punk inglês entrou em contato com a música para dançar nos Estados Unidos. Aos poucos, grupos como New Order, Depeche Mode, Soft Machine, Erasure, Pet Shop Boys, entre outros, preparavam o terreno para a chegada do sampler (que permitia que produtores novatos fizessem música usando apenas pedaços de faixas alheias) e do ecstasy (nome popular da metilenodioximetanfetamina, substância recreativa que começou a se popularizar durante aquela década).

Entre os verões de 1988 e 1989, esses elementos se combinaram com o estabelecimento de novas casas noturnas dedicadas a esta nova forma de dançar música, como Shoom (do DJ Danny Rampling), Future (do produtor Paul Oakenfold, Trip (de Nicky Holloway) e The Haçienda (dos DJs Mike Pickering e Graeme Park, bancada pelo New Order). Esses DJs haviam aberto essas casas inspirados pela cena clubber que começava na ilha espanhola de Ibiza, com festas intermináveis que varavam a manhã. Os artistas que surgiram naquele momento — como Phuture, Bomb the Bass, KLF, S'Express e Soul II Soul — misturavam cacos de disco music com soul, reggae, funk e batidas eletrônicas, providas quase sempre pelo sintetizador Roland TB-303. Além de casas noturnas, muitas festas aconteciam em galpões abandonados e sítios longe das grandes cidades. Eram as primeiras raves.

O hedonismo destes dias, conhecido como "o segundo verão do amor" (o primeiro havia sido o hippie, no final dos anos 1960), foi pesadamente reprimido pelo poder público inglês e em pouco tempo o ecstasy era criminalizado, as casas noturnas fechadas e a polícia passava a fiscalizar esses tipos de festas. Assim, quando os anos 1990 começaram, havia uma vontade reprimida por algum tipo de manifestação musical que voltasse a canalizar aqueles sentimentos.

Das sobras da acid house, surgiam dois novos movimentos em Londres: o jungle, versão instrumental e ainda mais áspera que a Inglaterra deu para o hip-hop, e o lounge, que misturava batidas eletrônicas com bossa nova, música da Polinésia e indiana de forma discreta e suave. Mas em Bristol, a pouco menos de duzentos quilômetros a oeste de Londres, essas duas coisas não haviam se misturado. Mais do que isso, ainda era próxima a cena dos soundsystems, que ainda traziam uma farta referência jamaicana em sua bagagem.

Um dos mais conhecidos era o The Wild Bunch, que havia começado em 1983, lançou um single em 1987, mas logo se desfez. Dos seus integrantes, DJ Milo e Nellee Hoopper (que mais tarde montaria o Soul II Soul) saíram em carreira solo, mas Robert Del Naja, Grant Marshall e Andrew Vowles continuaram com outro nome, Massive Attack. Esse soundsystem, no entanto, não fez nada além de festas ao vivo até que a cantora Neneh Cherry praticamente os obrigasse a gravar um disco, gravando inclusive partes na própria casa dela.

Entre as influências do trio estavam discos de artistas tão diferentes quanto Bob Marley, Isaac Hayes, Pink Floyd, Lee Perry, Herbie Hancock, George Clinton e Public Image Ltd. O Massive Attack queria criar um disco que soasse como clássico, incluindo uma referência à capa do disco “Inflammable Material”, do grupo punk Stiff Little Fingers, na capa de seu primeiro álbum. Misturando dub, jazz, funk, reggae, hip-hop e rock a batidas sampleadas que não tinham timbres eletrônicos, apresentaram um novo tipo de som que, em alguns anos, seria chamado de trip hop. Entre os participantes do álbum estavam nomes tão diferentes quanto a cantora house Shara Nelson (que canta o hino "Unfinished Sympathy"), o cantor de reggae Horace Andy e o rapper Tricky, que ainda assinava como Tricky Kid, e que em pouco tempo teria sua própria carreira no trip hop.

Um disco clássico e emblemático para o renascimento da música eletrônica na Inglaterra e no mundo, "Blue Lines" é um dos grandes álbuns dos anos 1990 e deu início à série de discos clássicos que seriam lançados naquele 1991 (depois viriam "Nevermind" do Nirvana, "BloodSugarSexMagik" do Red Hot Chili Peppers, "Bandwagonesque" do Teenage Fanclub, "Achtung Baby" do U2, "Out of Time" do R.E.M., "Loveless" do My Bloody Valentine, o disco preto do Metallica, entre outros).

Quem nasceu

1922 - Carmen McRae, cantora de jazz norte-americana (m. 1994)

1929 - Jacques Brel, cantor e compositor belga (m. 1978)

1941 - J.J. Jackson, cantor norte-americano

1942 - Roger Chapman, vocalista da banda inglesa Family

1944 - Keef Hartley, baterista do grupo inglês John Mayall's Bluesbreakers (m. 2011)

1947 - Steve Howe, guitarrista do grupo inglês Yes

1951 - Mel Schacher, baixista das bandas norte-americanas Grand Funk Railroad e ? & the Mysterians

1961 - Luiz Thunderbird, nascido Luiz Fernando Duarte, cantor e guitarrista do grupo paulistano Devotos de Nossa Senhora de Aparecida e ex-VJ paulistano

1962 - Izzy Stradlin, guitarrista da banda norte-americana Guns N' Roses

1962 - Adam Mole, guitarrista e tecladista da banda inglesa Pop Will Eat Itself

1963 - Zeca Camargo, nascido José Carlos Brito de Ávila Camargo, apresentador, ex-VJ e jornalista paulista

1963 - Donita Sparks, guitarrista e vocalista da banda norte-americana L7

1963 - Julian Lennon, cantor e compositor inglês, primogênito de John Lennon

1964 - Biz Markie, nascido Marcel Theo Hall, rapper norte-americano

1971 - Darren Jessee, baterista do grupo norte-americano Ben Folds Five

1972 - Paul Gray, baixista da banda norte-americana Slipknot

1984 - Ezra Koenig, vocalista e guitarrista da banda norte-americana Vampire Weekend

1989 - Matthew Healy, vocalista, guitarrista e tecladista da banda inglesa The 1975

Quem morreu

1997 - Laura Nyro, cantora e compositora norte-americana (n. 1947)

2001 - Pedro Depestre Gonzales, violinista cubano que fez parte do grupo Buena Vista Social Club (n. 1945)

2010 - Malcolm McLaren, músico inglês e empresário dos Sex Pistols (n. 1946)

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