Em Cabo Verde, a morna já é saudade: conheça o hip-hop da terra de Cesária Évora
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Em Cabo Verde, a morna já é saudade: conheça o hip-hop da terra de Cesária Évora

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País com uma população muito jovem, em grande maioria abaixo dos 40 anos, Cabo Verde está criando uma cultura cada vez mais forte de hip-hop. A cena se concentra principalmente em Praia, a maior cidade do país formado por 10 pequenas ilhas que ficam a 500 quilômetros da costa do Senegal. 

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A influência do gênero americano é recente em Cabo Verde, independente de Portugal desde 1973. Nos espaços para shows e nas ruas, a dolência da morna e o ritmo gostoso do funaná vão cedendo lugar a DJs, rappers e a um público que mistura jeans e camiseta às típicas vestes coloridas. 

Mas se os temas predominantes dos americanos são armas, carrões, mulheres e ostentação em geral, os caboverdianos vêm se dedicando assuntos, digamos, mais altruístas. As consequências da dependência química, os problemas sociais e dificuldades do dia a dia são os assuntos preferidos da cena que nasceu em comunidades pobres como Achada de Santo Antonio, em Praia. Lá, a ordem é o "do it yourself": os artistas têm seus próprios estúdios, agendam seus shows e divulgam nas redes sociais. 

Outra diferença é que os artistas do hip-hop de Cabo Verde não usam apenas microfones e toca-discos. Eles fazem questão de se apresentar com bandas completas, com guitarra, baixo, bateria e teclado.  

Um nome que desponta na cena é Ga Da Lomba que, mesmo cantando em português, tem um inglês fluente adquirido no período que viveu nos Estados Unidos. "Sou um ativista social, um artista e um rapper", define-se. Lomba tem o projeto "Nunca Experimentar", onde visita escolas numa ação preventiva, conversando com os jovens sobre sua própria experiência com drogas. "Eu gosto de cantar em primeira pessoa, acho que assim é mais eficaz para falar com uma nova geração e orientá-la a se manter afastada das drogas. Gosto de cantar sobre os problemas de nossa sociedade. Se eu falo que algo está errado no palco, acho que as pessoas podem ir lá e tentar consertar. Eu sempre digo que você não pode reclamar do lixo que está na rua se você não limpa a sua própria casa", diz Lomba. 

Se o público dos shows de Lomba é predominantemente masculino, algumas artistas como Nissah Barbosa começam a incentivar a maior presença de garotas na plateia e, mais importante, a abrir portas para outras profissionais. "Não temos tantos problemas diferentes do que em qualquer outro lugar do mundo. Eu gravei músicas sobre bullying e o que é ser adolescente, por exemplo. Mas também acho que criei oportunidades para outras rappers mulheres nessa cena. Precisamos de mais garotas porque o hip-hop ainda tem muita discriminação contra as mulheres!", afirma.

Nissah, que tem seis anos de carreira, já excursionou pela Europa, fazendo shows na Suíça, França, Luxemburgo e Portugal, e tem planos de ir para Estados Unidos no final de 2019. 

Nissah Barbosa está abrindo caminho para uma nova geração de rappers mulheres em Cabo Verde
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