Em fevereiro de 1970, o Black Sabbath lança seu primeiro álbum numa sexta-feira 13
Especial

Em fevereiro de 1970, o Black Sabbath lança seu primeiro álbum numa sexta-feira 13

Quando o grupo formado pelos dissidentes das bandas inglesas Mythology e Rare Breed resolveu assumir que era um quarteto — batizando-se de Earth, nome que seu vocalista odiava —, nunca poderia imaginar que o local em que escolheram para ensaiar acabaria definindo seu futuro. Depois de passar uma temporada tocando com o Jethro Tull, começaram a ensaiar com mais frequência, num estúdio localizado na frente de um cinema. Um dia, na saída de um ensaio, quando o tal cinema passava o filme italiano "I Tre Volti Della Paura" ("As Três Máscaras do Terror"), dirigido por Mario Bava e pelo ator Boris Karloff em 1963, o baixista comentou como era curioso que as pessoas pagassem para ter medo. Mal sabia que isso não apenas redirecionaria completamente o rumo da banda, como o título do filme em inglês batizaria o principal grupo de heavy metal de todos os tempos, o Black Sabbath. Seu primeiro álbum, batizado apenas com seu nome, viria a ser lançado no dia 13 de fevereiro de 1970, uma sexta-feira 13.

A epifania de Geezer Butler na saída de um dos ensaios inspirou toda uma nova fase da banda. No pouco tempo em que ficou no Jethro Tull, o guitarrista Tony Iommi entendeu que era preciso uma motivação e uma ideia para transformar seu grupo em algo maior do que uma banda que fazia shows esporádicos. O conceito de "banda de terror" parecia perfeito. Ao compor a faixa que batizaria a banda — e abriria o primeiro disco —, o Black Sabbath partiu de um conceito medieval a respeito do "som do diabo", em que um trítono (uma sequência de três acordes que descia dois tons a cada intervalo de tempo) era associado a manifestações diabólicas. Assim, o riff da faixa "Black Sabbath" — com seus três acordes aterradores repetidos várias vezes no início da canção — inauguraria, conscientemente, todo um novo gênero dentro do rock, o heavy metal.

Grupos como Blue Cheer, The Who, Vanilla Fudge, Cream e Jimi Hendrix Experience já haviam experimentado tocar cada vez mais pesado, fugindo da estética blues do hard rock ou da temática ensolarada da era hippie, enquanto bandas psicodélicas inglesas, como Coven e Black Widow, já haviam utilizado temáticas satanistas e diabólicas em suas letras. Mas foi o Black Sabbath que fundiu as duas vertentes. O som do Sabbath ganhava peso e inspirava o terror devido a uma combinação musical estranha: sem a ponta de dois dedos de uma das mãos, o guitarrista Tony Iommi não conseguia tocar acordes abertos normalmente, provocando um ruído e uma tensão que outros instrumentistas nem cogitavam.

Já o baixista Geezer Butler, ex-guitarrista, não sabia direito o que fazer com seu novo instrumento e, em vez de criar linhas de baixo, reforçava o trabalho do guitarrista, deixando o instrumental ainda mais pesado. A bateria tocada por Bill Ward acompanhava de perto os dois, mas tinha momentos de liberdade que provocavam ainda mais tensão, enquanto o vocalista Ozzy Osbourne, com seu alcance vocal limitado, apenas narrava parábolas sombrias em vez de exibir seus dotes vocais, como a maioria dos cantores da época.

O primeiro lado do disco, com as faixas "Black Sabbath", "The Wizard", "Behind the Wall of Sleep" e "N.I.B." praticamente determina o gênero que viria a ser batizado de heavy metal no decorrer da década, misturando referências aos autores de livros de terror H.P. Lovecraft, Dennis Wheatley e J.R.R. Tolkien a assuntos como ocultismo, paganismo e satanismo. O lado B, com versões para músicas do Coven e do The Aynsley Dunbar Retaliation, pesava mais pro lado blues, em jams instrumentais que reforçariam outra referência para o novo estilo — a conexão com o hard rock e com a cena blues inglesa dos anos 1960.

Lançado numa sexta-feira 13, o disco foi gravado em poucas horas, praticamente ao vivo, e teve um bom desempenho comercial, chegando a ficar no oitavo lugar entre os álbuns mais vendidos da Inglaterra e em 23° lugar entre os mais vendidos dos EUA. Porém, foi execrado pela crítica. O famoso crítico norte-americano Lester Bangs descreveu o álbum como "um engodo, apesar dos títulos sombrios das músicas e de algumas letras sem graça que soam como se o Vanilla Fudge fizesse um tributo paródia em homenagem a Aleister Crowley. O disco não tem nada a ver com espiritualismo, ocultismo ou qualquer outra coisa que não pareça citações toscas de clichês do Cream". Mas o Black Sabbath sobreviveu aos críticos e fundou, sozinho, um novo capítulo na história da música pop.

13 de fevereiro de 1967: Gosto de pimenta

Os Beatles dão um aperitivo de seu próximo álbum, o primeiro gravado depois de terem parado de fazer shows ao vivo. Com "Strawberry Fields Forever" de um lado e "Penny Lane" do outro, o compacto mostrava o grupo lentamente abraçando a psicodelia que chegaria finalmente em junho daquele ano, com o épico "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band".

13 de fevereiro de 1996: Dois clássicos num só dia

Dois dos principais discos dos anos 1990 — e da história do rap — são lançados no mesmo dia: o grupo Fugees com "The Score" e o rapper Tupac Shakur com "All Eyez on Me". Os Fugees ganharam o Grammy de melhor disco de rap daquele ano e emplacaram a versão para o hit de Roberta Flack "Killing Me Softly With His Song" nas rádios de todo o planeta. Já Tupac vendeu mais de 10 milhões de cópias com aquele que foi o primeiro disco duplo de rap da história.

Quem nasceu

1942 — Peter Tork, vocalista, tecladista e baixista do grupo norte-americano The Monkees

1944 — Rebop Kwaku Baah, percussionista ganês que tocou com os grupos Traffic e Wings (m. 1983)

1950 — Peter Gabriel, cantor, compositor, produtor e o primeiro vocalista do grupo inglês Genesis

1956 — Peter Hook, baixista dos grupos ingleses Joy Division e New Order

1961 — Henry Rollins, vocalista dos grupos norte-americanos Black Flag e Rollins Band

1966 —- Freedom Williams, vocalista do grupo inglês C+C Music Factory

1974 — Robbie Williams, vocalista do grupo inglês Take That

Quem morreu

1883 — Richard Wagner, compositor alemão (n. 1813)

2002 — Waylon Jennings, cantor e compositor norte-americano (n. 1937)

2010 — Dale Hawkins, cantor, compositor e guitarrista norte-americano (n. 1936)

Relacionados

Canais Especiais

Ícone do FacebookÍcone do TwitterÍcone do InstagramÍcone do YoutubeÍcone do DeezerÍcone do SpotifyÍcone do Pinterest